segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Minhas férias

Olá, amigos. Estou entrando de férias. Como já sabem, este deve ser um momento especial para mim pois, ao encerrar minha participação na TV UCPel - UCPel Notícias - na próxima sexta, também estou encerrando minhas atividades acadêmicas na Universidade Católica.
Foram 18 anos de muitas experiências e de muitos aprendizados. Mas sigo para uma nova etapa, esperando encontrar em vocês que leram meus textos, comentaram, criticaram, sorriram, choraram, incentivo para novos aprendizados.
Sou grato a todos que demonstram carinho por meus textos, de tantas formas. Meus atentados literários estão longe de ser perfeitos, mas guardam a marca do humano! É o Manoel Jesus quem diz, quem se revela, quem se expõe. Como dizia um personagem, no fundo, no fundo, somos todos muito parecidos e quem tem coragem de apresentar a sua alma está expondo a alma da maioria das pessoas.
FELIZ NATAL, UM MARAVILHOSO ANO DE 2013!

Uma canção para ninar o Natal

O padre iniciou a Missa de Natal lembrando o Menino que se acomodara num banco na praça em frente à igreja. Jeito triste de uma criança que precisava ser ninada, especialmente nesta noite. Do outro lado da praça, o Menino parou abismado diante da vitrine: ali estava o mais belo Presépio que já vira! As figuras eram de tamanho natural: o pai, José, demonstrava serenidade; a mãe, Maria, a preocupação com o filho deitado no cocho de alimento dos animais; o menino, Jesus, com os braços e as perninhas erguidas. Perfeitos, pensou, quase poderia ouvi-los falar!
Voltou alguns anos atrás, quando nasceu seu último irmão. Ficou encantado com a pequena criatura que se movia sem coordenação. Lançava os braços e as perninhas em todas as direções e tinha os olhos ávidos por acompanhar quem estivesse por perto. Ao saíram de casa, se assustou. Seu pai o chamou à parte e foi taxativo:
- Tá na hora de tu cair no mundo.
Achou que não tinha entendido.
- Já tens 12 anos, podes te cuidar por ti mesmo. Aqui a gente já tem boca demais pra sustentar. Vai quietinho e pega as tuas coisas.
Pensou em procurar a mãe, em tentar convencer o pai, mas ficou mudo. Sabia dos problemas da família e ele era um fardo! Apenas pegou uma sacola com suas poucas coisas e saiu para a rua. De longe, olhou pela última vez a casa, desejando não mais esquecê-la. Fazia tanto tempo! Sentou-se na beira da janela, enquanto olhava a família sagrada e ouvia música. Ainda tinha lágrimas nos olhos quando se encostou à parede e foi resvalando para o sono. Não tinha pai, não tinha mãe, não tinha mais irmãos!
Sentiu, então, alguém levantá-lo e o abrigar em seus braços. Pensando se era realidade ou sonho deu-se conta de que era carregado pelo padre:
- Fazia dias que observava quando ficavas pela praça ou em frente à Igreja. Depois da Missa de Natal, procurei por ti, mas tinhas desaparecido! E estás aqui! Minha vocação sacerdotal não me permitiu ter filhos, quem sabe possa te dar outra vida e dignidade!
O padre olhou para o céu: o rastro de luz de uma estrela cadente marcou o firmamento. Não, não era apenas um meteoro que caia, era a sua Estrela de Belém! E, nos seus braços, tinha o menino Jesus! Sorriu para Deus e pensou que agora sim, podia dizer: também sou pai! Tinha sentido encontrar uma canção para ninar o Natal!

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Não sei o que diria meu coração

Não sei o que diria meu coração: há momentos em que ele prefere ficar calado. Fica ensimesmado nas batidas compassadas dos momentos em que prefere a solidão e os horizontes da natureza.
Sem a preocupação de pensar em alguma coisa, apenas segue o destino que os passos alcançam, amparado pelo silêncio que não cobra declarações, defesas, juras, promessas, devaneios verbais...
Não sei o que diria meu coração: há momentos em que ele prefere ficar esquecido. Contenta-se em estar em plena rua, mas aconchegado ao próprio peito, dançando na música que os passantes não ouvem.
Se pega a observar que as pessoas carregam suas preocupações e não conseguem viver um momento de desapego, apenas silenciando. São reféns da própria vida, correndo atrás das promessas insensatas que o tempo lhes faz e que, o próprio tempo, cobra seus juros, com frases amaldiçoadas como: “mas já passou?”
Não sei o que diria meu coração: há momentos em que ele se descobre nos braços do Eterno! Então, a transcendência faz a dança do silêncio e ele percorre as nuvens, singra os céus, fica esquecido entre o mar e a terra.
Não há como trazê-lo de volta. Tem o jeito da insensatez e veste-se como a loucura. É o momento em que se sente realizado. Não precisa dar explicações, apenas sentir que superou o efêmero e vive a eternidade!

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Pedi para sair da Católica

Hoje fui à Universidade Católica de Pelotas, instituição onde sou professor, assinar o Programa de Demissão Voluntária. Foram 18 anos lecionando e, agora, pretendo tomar outros caminhos, que não a sala de aula. Infelizmente, o processo educacional, para mim, tornou-se bastante difícil e, na verdade, não quero prejudicar os alunos, que também estão tendo problemas, neste momento.
Gosto muito do convívio com os jovens, especialmente, hoje, quando atuo na televisão e vejo o pique que têm para buscar fazer o telejornal, mas também em inovar, avaliar (às vezes com críticas fora de hora, ou concentração de menos - mas, é assim, também já fui jovem!)
Hoje, infelizmente, discutimos muito questões administrativas e pouco as questões pedagógicas. Perdemos todos. Não sou administrador - embora tenha estado à frente da Escola durante três anos. Mas não foi uma boa experiência. Queria ter o interesse que os alunos tinham quando iniciei, a grande maior parte sedenta por aprimorar conhecimentos e buscando ser atendida tanto em sala de aula, quanto pelos corredores e pátios da escola. Os desinteressados acabavam motivados pelos demais. Hoje, são tablets, telefones, acessos que distraem e evitam um bom aprendizado.
Passo um tempo no aguardo de que somando minha idade, hoje 57 anos, mais o tempo de serviço, 36 anos, atinja o que possivelmente venha a ser a nova legislação previdenciária.
Enquanto isto, aceito convite para palestras, atividades pedagógicas, lavar pratos, limpar creches, descascar batata, ou apenas curtir pessoas que desejam dar e receber um pouco de carinho nesta imensidão de mundo que se chama solidariedade!

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

As mulheres da minha vida

Este foi um ano difícil para minha família: minha mãe em processo de desistência da vida, minha irmã tendo detectado um tumor e precisando tratá-lo e uma sobrinha grávida em situação de risco. Três mulheres que já me deram muitos bons exemplos, mas que se superaram ao fazer a vida valer a pena em cada um dos momentos que aproveitamos juntos, ou mesmo naqueles de angústia que vivemos à distância.
Quando a mãe chegou ao fundo do poço – sem qualquer movimento que não o facial ou das mãos e já sem pronunciar palavras inteligíveis – o mais certo era, apenas, aguardar o fim, procurando lhe dar dignidade e qualidade de vida. Mas as medicações foram se alinhando e voltou a se perceber a vontade de viver, inicialmente por mais tempo com os olhos abertos, sorrisos e pequenos carinhos pedidos e dados. Depois, o desejo de sair da cama, auxiliada pela cadeira de roda, sendo feliz no contato com as visitas de sempre, aonde o reconhecimento sempre vinha recoberto pelo calor dos olhos que pareciam querer abraçar cada um dos amigos!
Minha mana, Leonice, já está fazendo fisioterapia. Ainda tem um longo tempo de recuperação pela frente, mas, agora, estará em Pelotas, para que possamos acompanhá-la e ela possa estar conosco nesta etapa da vida da mãe.
A saga da Júlia somente vai acabar – quem sabe começar? - em meados de fevereiro. Será a minha mais nova sobrinha neta – bisneta da dona Francinha – fazendo valer cada momento difícil, que meus dois sobrinhos netos – Alessa e Murilo – enfrentam com bom humor e sendo parceiros da mãe, a Vânia (Vani, para os íntimos).
Ao olhar para a história destes seres de luz, vejo que talvez não tenham o crédito merecido, mas, na minha família, ao menos, três gerações fazem ver que as mulheres da minha vida têm a fibra e o cerne que nem as tempestades conseguem dobrar! Quando a vida lhes nega algo, sublimam suas possíveis derrotas e mostram que há sempre uma opção de sentir gosto em, apenas, viver um novo dia, compartilhando a simplicidade que é a esperança de viver!

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

O efeito dominó na educação

Vejo a surpresa nos olhos de meus sobrinhos quando falo que não fiz o “primeiro grau”, mas o “primário”. Depois disto, veio a “evolução” que desestruturou o nosso ensino básico, capitaneado por técnicos da educação que resolveram tornar mais elásticas as relações entre educador e educando e, até, a forma de cobrança do seu rendimento.
Infelizmente, isto levou a não ser surpresa que, hoje, se afirme que uma criança pode ser alfabetizada até a terceira série, defendida por quem não vê nenhum problema que se utilize três anos de educação para, praticamente, nada, pois a não alfabetização respinga na capacidade de aprendizado de todas as demais áreas.
Alguns acham exagero que, no meu tempo, a alfabetização se dava na primeira série, assim como o aprendizado básico de matemática. E se rodava, isto é, quando não se alcançava os índices necessários, repetia-se o ano. Por mais que se pense ao contrário, ninguém ficou traumatizado porque saiu de um primeiro ano reforçado, ou, se repetiu, criou bases suficientes para enfrentar a continuidade do aprendizado.
Recentemente, uma educadora infantil de Caxias do Sul, aposentada, expressou a minha indignação: disse que não conseguia entender como se flexibilizava algo que é básico e necessário, subtraindo uma base fundamental para que o processo de aprendizado possa se estruturar. Até então, pensei, mas não me posicionei. Agora, é hora de repormos no lugar as mazelas que estamos enfrentando porque, desestruturado o básico, nossos problemas vão se avolumando como naquela brincadeira com pedras de dominó que, ao derrubar uma, o efeito cascata faz uma sequência de quedas que não pode ser evitada!
Comecei a conversar a respeito e do baú das lembranças foram sendo resgatadas muitas formas de se solidificar o processo: meu pai nos cobrava a tabuada enquanto trabalhava em seu armazém e não tínhamos folga enquanto as continhas não estavam na ponta da língua; uma professora usava da disputa natural entre meninas e meninos para fazer gincanas ao final de cada aula, com recompensas que iam de pequenos presentes ao prazer de superar o sexo oposto! Hoje, ao invés de incentivarmos a criatividade dos professores em sala de aula temos “técnicos” com fórmulas indiscutivelmente bem traçadas e dignas de serem apresentadas em simpósios internacionais, mas com os resultados pífios que vemos para a educação.

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Investimento no futuro

Dois fatos e uma lembrança: a Prefeitura de Pelotas iniciou o processo de transporte de pneus que se encontravam num lixão para um centro de reutilização deste material; algumas ruas de bairros da cidade começam a receber a instalação de canos para ampliar a rede de esgoto; em tempos de calor exacerbado, sentimos falta de que exista mais verde pelas ruas, parques e praças.
O caso dos pneus é quase de saúde pública. Quando foram recolhidos, havia a promessa de reciclagem, podendo ser utilizados na composição de canos. Também poderiam ser usados num novo tipo de asfalto que mesclasse os materiais. Embora os discursos de ocasião, nunca se concretizou e faziam um visual feio e perigoso nos locais onde eram armazenados a céu aberto, com os mosquitos batendo palminhas pelos criadouros naturais!
Com relação aos esgotos, considerados como "obras enterradas", não é daquelas preferidas pelos administradores públicos, porque não aparecem e não se faz discurso sobre o "aqui jaz"! Mas são muito importantes considerando que grande parte de nossos problemas de saúde começam, exatamente, no mau direcionamento e na falta de tratamento dos dejetos que saem das casas.
A lembrança ficou por conta de que Pelotas é considerada uma cidade pobre em árvores há muito tempo. Em meados da década de 80, o então prefeito Bernardo de Souza fez uma campanha para que se arborizasse a cidade e declarou um sonho: gostaria de ver algumas avenidas com Paineiras - do tipo que existe na João Pessoa, em Porto Alegre, belas, altas, distintas, uma marca do verde entre o céu e a terra.
O responsável por parques e praças disse que as Paineiras levam muitos anos para se desenvolver e a administração deveria pensar no curto prazo. Bernardo foi enfático: "a cidade também precisa ser pensada para o futuro!"
Poucos são aqueles que têm esta visão: somos imediatistas, queremos para o hoje, no máximo amanhã. Desta forma esquecemos que a cidade precisa ser um investimento no futuro, que talvez não apreciemos, mas dará qualidade de vida a nossos filhos, netos...

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Ao menos em nossas lembranças

Apenas a a solidão me faz companhia.
O silêncio somente é quebrado
pelo barulho de carros que passam ao longe,
ou por vozes que se perdem na noite.

Sei que, por sobre as nuvens,
a Lua reina faceira e faz companhia às estrelas.
Mas não as vejo, apenas distingo
o contorno de árvores e arbustos
por onde até o vento esqueceu de passar.

O friozinho das noites de Primavera
convida a caminhar, mãos nos bolsos,
tendo apenas como companhia
o murmurar dos insetos.

Neste momento especial, os perfumes se misturam:
De longe, a sedução da Orquídea,
Do pátio, o encanto do Jasmim,
Da vizinhança, o grito sufocado da Dama da Noite.

Há o encanto deste momento do dia
em que o não revelado é a provocação
para apenas andar, buscar caminhos,
pensar naqueles que, de alguma forma,
nos amaram e fazem companhia:
Ao menos em nossas lembranças.

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Vileiro e universidade

Recebi carinhoso telefonema da Gicelda fazendo uma entrevista sobre a minha aposentadoria da Católica, a partir do final do ano. Tentei ser claro que guardo grandes amizades por muitos alunos que buscaram descortinar mundos com a ajuda de um professor que já se considerou bom, mas que hoje não consegue se julgar adequado à sala de aula. Mas que, hoje, os jovens estão com problemas diferenciados e que, eu, não consigo me ver como aquele arrimo que precisam para encontrar horizontes. Então é hora de deixar para outros, mais jovens, que possam fazer uma nova jornada.
A pergunta de sempre: vais sentir falta dos bancos escolares e dos horários a serem cumpridos? Não, não vou. Há algum tempo, minha vida tem sido de atendimento em sala de aula, mas, também, em palestras, rádio, televisão, jornais, atendimento pela internet, que faz com que muitos dos ex-alunos procurem uma formação continuada, ou um consultor para as horas mais difíceis.
Mas tem, também, aquele olhar de vileiro que sou, há 53 anos, desde que chegamos a Pelotas, vindos do interior de Canguçú, quando tinha quatro anos. Sair pela manhã para cortar o cabelo é encontrar a turma da ginástica, na igreja, a caminho de casa; passar pelo açougue é descobrir as notícias mais recentes; ganhar uma muda de roseira é conhecer os recantos de um belo jardim e programar o plantio no horário e local mais conveniente; assim como voltar para casa é encontrar pessoas rezando com a mãe, na cama, e investir na gentileza de ceder mudas e trocar informações sobre o plantio.
As mudanças em minha vida nunca foram radicais. Deus sempre foi me preparando até assumir um novo jeito de viver. Creio que, agora, a mudança é para melhor: talvez não escreva mais, quem sabe não tenha rádio e televisão, mas deve haver alguma instituição precisando de alguém que lave pratos, descasque batatas ou cuide de crianças no intervalo de aulas...

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Fim do fator previdenciário

Um dos grandes problemas que temos, no Brasil, é que, quando interessa ao poder econômico (diga-se aqui governo federal), as mudanças de regras acontecem em pleno jogo, sempre penalizando aqueles que aceitaram as regras que, ao fim, não são cumpridas. É o caso da aposentadoria por tempo de serviço. Quando comecei a assinar carteira de trabalho - ainda com uma carteira de menor, para quem não lembra, era verdinha, diferente da azul de hoje - a regra era clara: qualquer cidadão precisava chegar aos 35 anos de contribuição para poder requerer aposentadoria. Perfeito, se as regras fossem cumpridas. Não foram.
Como disse um deputado, há uma demanda reprimida de aposentadoria porque muitos, como eu, estão com o tempo cumprido ou já ultrapassaram, mas não querem cair numa regra perversa feita por um governo de centro - FHC, mas com a bênção da esquerda, Lula e Dilma, que nos retira até 30% dos vencimentos, diga-se de passagem, sobre um salário máximo que não chega aos quatro mil reais, quando, no nascedouro, o teto era de dez salários mínimos!
Há uma mobilização nacional para que se pressione o Congresso e também a presidente Dilma. Os rombos da Previdência não foram causados pelos aposentados, menos ainda pelos trabalhadores, mas por aqueles que - governo após governo - administraram mal os recursos que foram recolhidos - compulsoriamente, quando não foram desviados!
O senador Paulo Paim chegou a falar em greve de fome para que se aprove e sancione a mudança. Sugiro que todos pensem no assunto porque, se eu estou falando em causa própria, não esqueçam que se as regras não mudarem agora, haverão de causar problemas para as futuras gerações.
Numa emissora de rádio, uma repórter falou que "faltava responsabilidade" por parte de quem queria o fim do fator previdenciário. A pergunta que não quer calar é: "na ponta do lápis, os recursos existem, mas cumprem com o papel de pagar os aposentados e ainda injetar recursos no caixa do governo. Quem, afinal, tem que pagar a conta?"

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Bênção, pai!

As cores começavam a desaparecer enquanto o sol se punha no final de tarde. O branco da fumaça do fogão à lenha singrava os céus, numa prece silenciosa que se perdia no infinito. O silêncio somente era cortado pelas machadadas cadenciadas que interrompiam o silêncio da Primavera, na certeza de que a lenha era boa e que o friozinho da noite se transformaria em aconchego na cozinha.
Ao transpor a porta, o lampião sendo aceso e as crianças, brincando no chão, ao redor da mesa, erguiam os olhos: “bênção, pai”. Olhar de felicidade sobre os meninos que se divertiam com seus bois, cavalos e ovelhas feitos com pedaços de milho, onde as pernas eram pequenos gravetos e os olhos os grãos de milho, feijão ou arroz: “Deus te abençoe, meu filho”.
É a única lembrança que tenho do interior de Canguçu, onde passei minha infância até os quatro anos. Talvez um pouco misturado com nossas voltas, onde meus segundos pais: Tio Ciano e Tia Toninha repetiam o mesmo ritual, que incluía ligar o rádio a pilhas e ouvir os programas tradicionalistas de rádios da capital.
A noite terminava relativamente cedo, pois estávamos cansados das muitas atividades diárias. Havia ruídos da noite transformados em acalentos para nossos sonhos, que começavam a se esvanecer ainda na madrugada ao primeiro canto de um galo, ou o início da atividade dos pássaros.
Ir para a cozinha significava encontrar uma bacia pronta para a primeira higiene, um rosto amigo sorrindo com um bom dia e a certeza de que, nesta etapa da vida, estávamos protegidos e dispensando qualquer pressa em enfrentar o futuro: o presente era uma bênção que Deus dava para a inocência daqueles que não precisavam de mais nada para, apenas, ser feliz!

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Um menino que gostava de livros

Tempo de feiras do livro, bom para se observar as praças por onde se escondem emoções, aconchegos, entregas, surpresas... Embora o livro seja o destaque, também se podem observar aqueles que lidam com eles: a fauna é variada, com idosos em busca de recordações, aqueles títulos que marcaram uma vida; adultos preocupados com sua formação profissional ou em encontrar um espaço de lazer; jovens em busca de um horizonte de esperança e crianças que tentam entrar num mundo que parece, ao mesmo tempo, complicado e tentador.
O garoto que furungava nos sebos e nas seções infantis tinha a expressão de ansiedade: mãozinha fechada, segurava algum dinheiro com a força de quem sabe que ali está a chance de adquirir alguma novidade. Depois de um interrogatório com o livreiro, foi adiante. Não resisti em perguntar ao livreiro o quê ele procurava. A resposta: ganhara cinco reais de um padrinho e queria um livro. Quase afirmei ser impossível comprar um livro com cinco reais. O olhar entre compreensivo e debochado do atendente afirmava que sim, era possível comprar um livro com tão pouco dinheiro!
Tive vontade de ir atrás do menino e conversar com ele sobre seus gostos, os desafios que enfrentava, os desejos que procurava realizar. Mas me contive. Não tinha o direito de penetrar naquele universo infantil e violentar a sua vontade que era dele próprio fazer a sua busca e saber que encontrara, comprara e poderia curtir o tão sonhado livro.
Diante de uma realidade que, na maior parte das vezes, aponta perspectivas sombrias para as novas gerações, estava ali uma chama que merecia ser acalentada. Não era um intelectual, não era um sábio, sequer um experiente degustador de obras clássicas.
Apenas um menino que gostava de livros. Fazendo a diferença do que se pensa para as novas gerações: nenhuma perspectiva pode estar perdida se apenas um menino estiver entre sebos e seções infantis ampliado seus horizontes, alimentando a fantasia, os sonhos e as sementes que fazem a vida ter um colorido muito, muito especial, com um livro nas mãos!

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Uma bênção para "encalhe"

Em alguns lugares mais simples, por onde passo, ainda ouço histórias de curandeiras, pessoas especiais da comunidade que, na ausência de médicos e enfermeiros, faziam as suas rezas e imposição das mãos para alcançar alguma cura.
Benziam de quebranto, mau olhado, dente doendo, encalhe etc. Numa conversa com o Hélio, Janete e dona Vanda fomos lembrando de diversas situações onde a mãe da dona Vanda fazia suas rezas e bênçãos. Todos lembravam de histórias contadas, como aqueles casos em que era necessário um pequeno paninho, agulha nova e linha nova, para "amarrar" problemas.
Um dos problemas sérios de então era quando a criança, por ingerir algum alimento de forma incorreta, sem a devida mastigação, "encalhava", trancava no aparelho digestivo. A oração era seguida de um forte tranco o que, na maior parte das vezes, resolvia o problema.
Brincando, acabei dizendo que deste encalhe eu não conhecia, mas que me faltou uma bênção de encalhe de outro tipo: aquele em que não se consegue casamento! No dito popular: "fiquei encalhado"!
Vou cobrar de minha mãe e saber se ainda há tempo para desencalhar. Confesso que não tenho muitas esperanças. Não vai haver quem me aguente, assim como não aguentaria uma outra pessoa dentro do meu espaço. Então, pelo certo ou pelo duvidoso, vou deixar a bênção de lado, a não ser que tenha um tipo de "porta fechada".

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Ética na política e no futebol

Duas matérias mereceram atenção por parte da imprensa e precisam ser pensadas no seu contexto maior para que possam ser plenamente compreendidas: por ordem cronológica, no sábado, jogo do Inter contra o Palmeiras, segundo gol do visitante, com o atacante usando o braço, sendo que o juiz, de frente para o lance, não viu e também seus auxiliares imediatos, até chegar ao quarto árbitro, que flagrou a irregularidade, mas que teve a fúria do jogador e da direção de seu time, porque teria se utilizado de informação vinda da televisão.
Na manhã desta quarta, a imprensa começou a repercutir a compra de votos feitas em Jaquirana, pequeno município gaúcho, onde filho do prefeito reeleito, vereador e coordenador de campanha foram presos depois de pagar com lanche, rancho, equipamentos domésticos ou pneus usados de Corcel II!
Em ambos os casos, continua pesando nas costas do brasileiro uma assertiva negada por quem ficou popularizado em tempos idos, mostrando um maço de cigarros e afirmando: "é preciso levar vantagem em tudo, certo?" A chamada Lei de Gerson, um dos principais jogadores da seleção brasileira de 1970, mas que se notabilizou por expor as manhas do famigerado "jeitinho brasileiro de ser".
Infelizmente, o que mais dói, no primeiro caso, é constatar que se defende a ilegalidade, mesmo com cenas explícitas, se elas não forem flagradas "legalmente". Jogadores e diretores querem levar vantagem do jeito que for possível. Mas, também, não se veja inocência no adversário, o Inter, porque se o mesmo acontecesse, a reação não seria diferente!
No caso das gravações telefônicas de Jaquirana, a certeza da impunidade com as pessoas pedindo explicitamente, vantagens que poderiam ter com seu voto, um determinado número de votantes, ou a possibilidade de ampliar o número daqueles que votariam em determinado candidato.
Quando era criança, marcou minha memória uma mãe que dizia ao garoto companheiro de brincadeiras: "se o fulano bater em ti, bate nele!". Valendo esta regra é o mesmo que a Lei de Talião: "olho por olho, dente por dente". Desaparecem princípios éticos e morais para que se estabeleça a lei do mais forte ou daquele que é mais esperto e capaz de passar a perna nos incautos.

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Cidadão do Mundo

Sempre admirei a expressão “cidadão do Mundo”. Ela teve diversas conotações: em tempos mais remotos, aqueles que podiam se dar ao luxo de percorrer muitos países, em aventuras que beiravam o fantástico; no século passado, figuras que eram de conhecimento público na mídia internacional – das quais conhecíamos as vozes e que, gradativamente, também associávamos à imagem. E, neste terceiro milênio, aqueles que se transformam em formadores de opinião não somente em nível local, mas transcendem fronteiras para seu estado, país, continente e concretizam a assertiva de Mc Luhan: “uma aldeia global”!
Vivo isto diariamente quando o boletim do blogspot (servidor onde tenho minha página) mostra os acessos que tive com predominância do Brasil, mas também com contados dos Estados Unidos, Canadá, Alemanha, Rússia, Portugal e Angola (estes dois últimos pela proximidade da língua), mas também Israel, Índia etc.
Hoje, cada vez mais, o autor de um texto somente o tem como propriedade enquanto o está produzindo. Quando apertou a tecla de enviar, assume vida própria e vai fazer o seu próprio destino!
O fato de saber que meus textos circulam em nível internacional dá uma sensação muito boa de provocação: alguém me escreveu dizendo que aquilo que veiculo “tem cheiro de gente”. Num ambiente tão asséptico, entre teclados e monitores, memórias e bits, saber que as pessoas procuram por outras pessoas torna o instrumental aquilo que sempre digo que é: instrumental!
Minha geração vive um momento especial: não mergulhamos inteiramente na informática, mas podemos fazer com que seja mais bem utilizada. Quem sabe, vivendo junto com jovens que só faltam vir com a tecla “enter”, a gente redescubra que este instrumental pode nos ajudar a alçar vôos por espaços fantásticos, ou apenas uma dica de passeio no final de semana, estender a mão para um novo amigo, talvez apenas emocionar com um texto que, se tem cheiro de gente, também quer encontrar gente que o ajude a viver melhor!

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Desafio do jornalismo: um passo de cada vez

Como faço em todas as eleições, ontem (28), acompanhei o segundo turno da eleição municipal de Pelotas nos estúdios da Rádio Tupanci, como comentarista, a partir das 17 horas, quando o escrutínio estava encerrado. Durante o dia, A Fátima, Eduardo e o Leandro repercutiram as eleições com políticos, especialistas em política e comunicação.
Fechadas as urnas, já se podia falar o que, até então, não se poderia: resultado das urnas e possíveis vencedores: era voz corrente que, pela manifestação popular, a vitória seria do Eduardo e da Paula. Não deu outra, fechou com a diferença prevista, quase quinze por cento, algo parecido com a eleição passada quando o mesmo Marroni perdeu para o atual prefeito Fetter.
Mas, mesmo as urnas não tendo sido encerradas, já pipocavam telefonemas de emissoras de rádio da capital que queriam comentários a respeito do pleito. Um processo que se estendeu até a noite, quando atendi a Band TV, Band Rádio, Guaíba etc.
No entanto, o mais agradável acabou sendo a coletiva do vencedor, a partir das 19 horas. Muitos ex-alunos representando a mídia local e estadual. O Guilherme Rocket fez uma citação pela Band TV: feliz por estar em Pelotas, onde estudou, e reencontrar os professores Sadi Sapper e Manoel Jesus! Claro que o orgulho falou mais alto.
Foi bom ver que muitos de nossos alunos saíram de Pelotas e passaram a lutar por um espaço nos grandes meios de comunicação. E conseguiram. O bom de ser um batalhador - como eles demonstraram ser - é que os horizontes não têm limites! Vencedores, alegram porque demonstram que aprender é um passo do caminho, sendo, o seguinte, encher-se de coragem e enfrentar o Mundo!

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Saúde pública, não façam política com a dor

Nesta terça - 23 de outubro - a Prefeitura reinaugura o Posto de Atendimento de Saúde do Bairro Santa Terezinha, aqui, em Pelotas. Uma área com diversos condomínios, além de diversas vilas e adjacências ficou, durante bom tempo, sem atendimento básico na área médica.
Um dos argumentos é que, em bairros próximos, existem outros postos para atendimento. Errado: uma boa parte da população é formada por idosos ou doentes que não têm condições de se deslocar de ônibus e tinha, próximo de suas casa, um atendimento que se não era nota dez, ao menos satisfazia as mínimas necessidades.
Muitas vezes, como no início deste inverno, levei meus pais (este ano, apenas minha mãe, pois o pai faleceu em março do ano passado) para as vacinas contra a gripe. Sempre bem atendidos, mesmo que as estruturas mostrassem o desgaste e o descaso não do município, mas daqueles que têm os recursos para isto - governo estadual e federal.
Infelizmente, embora nas campanhas, os pretendentes à prefeitura municipal façam promessas, não está em suas mãos a decisão de investimentos. E quando conseguem os investimentos, manobras políticas, muitas vezes, retardam a sua destinação.
Não é à toa que medicações consideradas básicas - inclusive no tratamento do câncer - não estejam sendo distribuídas pelo município, mesmo com ações judiciais! Infelizmente, o município é a ponta do iceberg. A parte que está por baixo e que tem os recursos se chama estado e união.
Vou estar na inauguração. Vou abraças ao Gustavo e àqueles que lutaram pela reabertura do posto. Vou ouvir explicações que não deveriam ser dadas, mas que deveriam ser entendidas por quem sai de madrugada para buscar uma ficha de consulta; faz uma via da cruz em busca de um remédio, ou quer apenas ter a esperança de que novos mandatários consigam minimizar a dor de uma gente que pede pouco para ser feliz!

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Sexo e campanha eleitoral

O que mais ocorre na campanha eleitoral de Pelotas é a suposta opção sexual dos dois candidatos. Para quem ainda não sabe, não é uma eleição sexual, mas para prefeito da cidade. Portanto, desde que sejam bons e exemplares cidadãos - e creio que os são - não importa suas preferências nesta área, a não ser para quem com eles convive na intimidade.
Nanine (da Grande Família) recusou-se a falar no tema, depois de ter assumido sua homossexualidade. Afirmou: "não saí do armário, porque nunca lá entrei!", para acabar com as perguntas que queriam detalhes, preferencialmente os mais escabrosos, dos seus relacionamentos.
Fico pensando que existem alguns pseudo-liberais capazes de apregoar direitos individuais, arrotarem posturas de defesa destes grupos, mas que não resistem a fazer uma "piadinha" a respeito! Mostram, de fato, que seu lado preconceituoso fala muito mais alto!
Em algumas ocasiões, quando conversei a respeito de sexualidade e celibato, na Igreja Católica, disse que o mesmo vale para um hetero, quanto para um homossexual. O que a Igreja pede é que sublime o sexo para viver com intensidade a sua entrega ao sacerdócio.
A política e a vida pública não pedem isto, somente que se respeite o convívio entre as várias opções, salvaguardando espaços para que cada um tenha o direito à sua liberdade de escolha, indo até o momento que inicia a liberdade do outro.
Neste momento de campanha, os bastidores nos dizem mais do que as vitrines da grande mídia: no caso, o desespero de alguns concorrentes faz desfiar um rosário de calúnias e intrigas que nem a Carminha, em plena Avenida Brasil, foi capaz de fazer!

domingo, 21 de outubro de 2012

O destino e a saudade

Puxo pelo fio do destino.
Em muitos espaços, encontro nós,
Que machucam, impõem sinais,
Não deixam esquecer momentos
Vividos para a felicidade ou tristeza.

Traz-me junto com suas marcas
Um espelho judiado pelo tempo,
Onde as imagens são imprecisas,
No desgaste da ausência.

Crianças que brincam e
Deixam seus risos ecoarem pela eternidade;
Jovens que sorriem e, nos quais,
Ainda não há os sinais do envelhecimento;
Idosos que são a marca mais próxima da eternidade.

Duas lágrimas brincam em meus olhos:
Já não tenho certeza das presenças e ausências.
Cada um de meus sentidos anseia por quem
Passou algum tempo ao meu lado e partiu:
Seguiu seu caminho, deixou-me a saudade.

sábado, 20 de outubro de 2012

Almoço de sábado

Almoço com amigos. Um tempo de sanidade mental para jogar conversa fora. Sem a pretensão de discutir temas profundos ou envolvimento de trabalho, apenas aproveitar a companhia da Marli, Lucinha, Edinho e a Bruna.
A Marli mostrou seus dotes na cozinha, com um strogonoff de carne, acompanhado de um arroz (bendito seja, não acreditei!) feito no micro-ondas!. Com saladas - minha preferida, tomate e cebola (também preventiva a problemas na próstata!), um aperitivo e um vinho.
Mas descobrindo, também, uma nova faceta da Lúcia: o gosto pela fotografia! Munida de uma câmara cheia de recursos, queria registar cada instante, cada imagem, tudo o que fosse capaz de lhe dar prazer.
Na volta do apartamento da Marli, na Cohabpel, uma série de jardins, além de duas frondosas seringueiras, era um prato cheio para que o click se repetisse diversas vezes, nas mais variadas direções.
No frigir dos ovos, a Lúcia tinha aula de... fotografia!!! E nos deixou com o sentimento de que poderia durar mais, aproveitar mais, conviver mais. Em tempos em que os dias se sucedem no atendimento a alguém com deficiências físicas, estes momentos são especiais e se fazem necessários para alimentar o dia a dia onde a realidade é outra.

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Chapeuzinho Vermelho, com uma muleta, passou por aqui

Reportagem de televisão apresentou um fisioterapeuta trabalhando com crianças deficientes. Passando o tempo, sentiu necessidade de trabalhar o imaginário dos pequeninos, mas encontrava dificuldade nas histórias contadas para os "normais", pois os personagens também eram "normais", fora do mundo infantil no qual viviam.
Então, teve a ideia: os personagens poderiam ser adaptados e aparecerem em situações do dia a dia das crianças, com os mesmos problemas que enfrentavam e as mesmas sequelas!
Levou para seus livros personagens com os mesmos problemas: pernas amputadas, deficiências de locomoção, visão, audição etc. A mudança entre as crianças foi muito grande e se deu conta de que atraia também as crianças "normais".
Para as deficientes, viu seus mundos se encherem de alegria e conseguiam uma empatia maior com personagens que viviam, enfrentavam e conviviam com seus problemas do dia a dia.
Para as "normais", passavam a conviver com pessoas "diferentes", mas que não precisavam ser excluídas e, sim, aceitas, e tratadas dentro de suas deficiências com amor e respeito.
Conseguiu resgatar para o convívio social aqueles a quem a vida deu mais dificuldade e criar uma consciência de inclusão social naqueles a quem a vida abençoou fisicamente. Deixou a lição de que nossas diferenças desaparecem quando colocamos no horizonte que o mais importante é sermos pessoas, com nossos problemas e sonhos, lágrimas e o riso límpido de uma criança que vê o esforço para lhe sedimentar um presente, mas também alcançar um futuro: Chapeuzinho Vermelho, com uma muleta, passou por aqui!

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

"O melhor amigo do homem"

A RBS TV mostrou no seu Jornal do Almoço desta quarta - 17 de outubro - uma matéria a respeito de um fato comum: a tentativa de recolher, tratar e controlar o número de cães na rua em Canoas, na grande Porto Alegre. Mas com um diferencial: o encaminhamento para que sejam utilizados por crianças e jovens em fase de recuperação de alguma deficiência física ou portadores de alguma síndrome.
Confesso que não sou dos mais ligados a animais. Embora meu pai gostasse, minha mãe apenas abria exceção para cocotas, mas não queria saber de cães ou de gatos. Mas vejo as campanhas para erradicar os cães nas ruas, por exemplo, e sinto pena que a esterilização seja apenas para que desapareçam, mas não há nenhum sentido afetivo para com os animais!
Pois a proposta do setor público daquela cidade com algumas organizações ligadas aos animais, envolveu, também, escolas especiais e espaços de terapia para, num primeiro momento, receberem os animais, com a possibilidade de que as crianças e os jovens venham a ficar com eles!
A interação é fantástica, pois fazem tudo juntos: caminham juntos para superar obstáculos, para passar por tuneis, ou terem que se abaixar para passar por espaços menores. Trabalham a coordenação motora e, mais... a coordenação afetiva! Não fazem sozinhos, com cenas que beiram ao riso: a criança passa o obstáculo e o cão, por preguiça ou por achar muito alto, passa ao largo!
Muitos animais já foram adotados. Outros estão a caminho, mas, o que vale, é que encontraram um belo jeito de dar sentido a animais de rua que, de outro lado, poderiam ter um triste fim, sem cumprir com sua missão que é e continuará sendo "ser o melhor amigo do homem"!

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Redes sociais e atitude para mudar

Vou confessar: estou viciado! Neste horário, próximo do meio-dia, estou percorrendo o facebook, curtindo, comentando ou compartilhando mensagens. Já com quase dois mil amigos, cada mensagem que compartilho e comento tem imediata repercussão, no sentido de dizer que está gostando, quer dizer mais alguma coisa, ou, também, quer passar adiante.
Em http://www.facebook.com/manoel.jesus.37, você pode encontrar o que muitos amigos dizem esperar porque passo mensagens que são de alto astral, edificantes, ou "cutucam" o seu jeito de ser!
Vivemos um tempo de transição em que, entre produzir, ter aproveitamento por um meio de comunicação ou, ao menos, fazer uma carta chegar a um amigo, e hoje, onde instantaneamente vemos a mensagem ser produzida, veiculada e ter o retorno, são toques de teclado e de mouse.
Ontem, quando conversei com o grupo "Voltando à Sala de Aula" e algumas faziam a crítica do que "outros" fazem, comentei que, hoje, o "fazer" é muito fácil, propiciado pelas redes sociais, que compartilham diversas mobilizações na linha de terminar com a corrupção - o ficha limpa - até responsabilizar quem bebeu e se envolveu em acidentes com vítimas fatais.
Somente se omite quem quiser! Para quem deseja ser protagonista da vida em sociedade é acompanhar tudo o que está sendo dito, filtrar pelo senso crítico e ir à luta: há muito o que se fazer, provocando atitudes de vida naqueles que se acomodam e se acham coitadinhos num tempo em que, exercer a cidadania, é uma questão de atitude!

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Aposentado e política

O fato de já ter escrito diversos artigos a respeito de aposentadoria e envelhecimento tem me granjeado convites para conversar a respeito de espiritualidade e de vivências para esta etapa da vida. Agora, que expectativa de vida aumentou, assim como a sua qualidade, tento colocar em pauta a questão da política, visto que é nela que se faz o convívio dos diferentes e se administra a vida de todos os cidadãos.
Embora, em princípio, todos torçam o nariz para falar a respeito, os preconceitos vão sendo superados quando as pessoas se dão conta de que se não agirem nesta área. Deixarão para outros a definição de seus próprios destinos, sendo eles encaminhados do jeito que é feito até agora, passando – no caso dos aposentados – a se contentar, em muitos casos, com as misérias que caem das mesas dos “senhores” da política.
O primeiro passo é assumir uma visão crítica das relações políticas, participando ativamente dos processos eleitorais, acompanhando candidatos - eleitos ou não - buscando repercutir aquelas mobilizações que visam dignificar o setor público, assim como a busca pela transparência dos gastos públicos.
O segundo passo é não ter receito das organizações sociais se envolverem com a política, sem que se envolva com a política partidária. Então, Igrejas, Sindicatos e outros organismos sociais têm, sim, que orientar seus quadros, especialmente quando se prepara uma campanha eleitoral, mas, também, quando está em jogo algum dos nossos valores, como foi o caso recente do “ficha limpa”.
Como falo para aposentados, quando se questiona a respeito de prejuízos causados pelos diversos planos governamentais e ação de nossos mandatários, todos têm alguma coisa a reclamar. Então, é hora de mostrar que esta categoria tem uma capacidade de mobilização que nem uma outra tem: tempo disponível, recursos mínimos necessários e uma formação que lhes permite discutir e argumentar. Um aposentado bem preparado é uma arma perigosa, pois pode ser um formador de opinião na família, na vizinhança, entre os amigos, disponível para encontrar candidatos dispostos a assumir suas causas.

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Para que termos parlamentares mais caros da Terra?

"Acho estranho e muito grava que alguém diga com tranquilidade que houve caixa 2. Caixa 2 é crime e atinge a sociedade brasileira. Fica parecendo que, no Brasil, o ilícito pode ser praticado". Fiquei feliz quando ouvi, ao vivo, para todo o país, a afirmação da ministra Cármem Lúcia, ao condenar o ex-ministro José Dirceu, dando condições que a sociedade passe a respirar com a certeza de que nem tudo está perdido.
No entanto, se vemos o Supremo Tribunal Federal dando o direito a um respirar já menos aflito com relação ao nosso futuro, alguns deputados deram, na semana passada, um triste exemplo, depois que o Bom Dia Brasil publicou uma matéria comparativa entre os custos parlamentares no Brasil e em diversos países do primeiro mundo. Damos de goleada: temos os parlamentares mais caros da Terra!
Com receio da repercussão, choveram telefonemas nas redações e direção da Rede Globo e a matéria não repercutiu nos demais telejornais! Triste que a potência deste meio de comunicação tenha se dobrado às pressões daqueles que têm medo que a sociedade saiba de suas mazelas.
Sobrou as redes sociais compartilharem o vídeo - que pode ser encontrado no You Tube - para nos enchermos, cada vez mais, de indignação. Não há como fazer uma limpeza nos três níveis do poder. Mas podemos, sim, pelo voto e pressão popular, encontrar exemplos positivos de cidadania. Os condenados agora - e outros que surgirão - mesmo com histórico político, aproveitaram-se da máquina pública e precisam ser punidos até para darem exemplo do que não se deve fazer. Discutir a relação entre a mídia e poder é uma consequência que ainda precisamos aprender para não ver nossos recursos sendo desperdiçados em ações que nada têm de públicas.

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Aposentados, mas não mortos III

O governo federal – diga-se presidente Dilma – se comprometeu com o Congresso Nacional – leia-se presidente da Câmara dos Deputados, o gaúcho Marco Maia – de que, passada as eleições, fecharia a negociação a respeito do fator previdenciário, que reduz o valor dos salários de aposentados, se estes buscarem o benefício antes dos 60 anos, para mulheres, e 65, para homens.
Não contava, no entanto, que, exatamente agora, as ações começassem a desaguar no Supremo Tribunal Federal e que os juízes declarassem a medida inconstitucional, tendo que a Previdência refazer os cálculos e indenizar aqueles que foram prejudicados. As reclamações começaram no eixo Rio-São Paulo, onde já são quase um milhão e trezentas mil ações, ameaçando espalhar-se por todo o país.
Já falei a respeito desta questão em artigos anteriores, reclamando deste “ajuste” feito no governo Fernando Henrique Cardoso, que teve o amém do presidente Lula. Em muitos casos, aqueles que ultrapassaram os 35 anos de serviço (período mínimo exigido para aposentadoria para o homem, assim como 30 anos para a mulher) cumpriram com aquilo que lhes era exigido mas... às portas da aposentadoria, viram mudar as regras do jogo, com o jogo em pleno andamento!
Uma brincadeira inconseqüente dos governos Tucano e Petista que viam neste arranjo um jeito de sanar as contas da Previdência, cobrando daqueles que sempre foram pontuais em recolher suas contribuições, mas incapazes de azeitar a máquina tributária para buscar os recursos que escorregam pelas valas da corrupção, no próprio órgão.
Hoje, vemos “mensalões” sendo julgados (da esquerda, centro e direita), fazendo com que se olhe de forma diferente para o Judiciário. Depois que este poder declarou a validade do “ficha limpa” para esta eleição, a esperança de que não sejamos mais apenas “um país do futuro”, mas sim a construção de uma realidade renovada, hoje, não parece longe. Mais ainda, se o Executivo for obrigado a reconhecer que aqueles que se recolhem da ativa estão aposentados, mas não estão, de fato, mortos.

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Seu voto é sua dignidade

Compartilho das orientações emanadas da arquidiocese de Pelotas.

Juntamente com a equipe de Coordenação Pastoral Arquidiocesana, no cumprimento de minha missão pastoral, elaborei algumas orientações dirigidas aos nossos fiéis, em vista da participação nas eleições municipais deste ano. Veja a seguir.
Participe e vote. Não deixe de seguir a campanha para as eleições municipais e de exercer bem o seu direito e dever de cidadão. Valorize seu voto, que ajudará a definir o futuro do seu município. Evite o voto nulo ou branco.
Vote em quem você conhece. Procure conhecer os candidatos, verifique se estão comprometidos com as grandes questões que requerem ações decididas do Poder Legislativo e Executivo municipal, como: habitação, educação, saúde, segurança, transporte, cuidado do meio ambiente, limpeza pública, saneamento básico, atenção especial aos pobres e às camadas sociais mais vulneráveis do município.
Tenha consciência que prefeito e vereadores devem promover o bem comum. Veja se os candidatos e seus partidos estão comprometidos com a justiça e a solidariedade social, a dignidade da pessoa, os direitos humanos, a cultura da paz e o respeito pleno pela vida humana desde a concepção até a morte natural. Estes valores são fundamentais e irrenunciáveis para o convívio social.
Pergunte-se: candidato de quem? Avalie se os candidatos têm propostas realistas e viáveis para promover políticas que beneficiem a comunidade como um todo ou se estão ligados mais ao interesse de grupos específicos e de bens particulares. O bom governante deve governar para todos.
Confira a ficha pessoal do candidato. Dê seu voto de forma consciente e não decida apenas na última hora. Não dê seu voto a quem já esteve envolvido em casos de desonestidade e corrupção, mas somente a candidatos com "ficha limpa". A corrupção na política pode ser superada também com o seu voto.
Não venda o voto, nem troque por favores: seu voto é sua dignidade. Fique atento a toda prática de corrupção eleitoral, à compra de votos, ao abuso do poder econômico e ao uso indevido da máquina administrativa pública na campanha eleitoral. Fatos como esses devem ser denunciados imediatamente, com testemunhas, às autoridades da Justiça Eleitoral.
Vote com consciência e liberdade. Procure conhecer as ideias e as propostas defendidas pelos candidatos e pelos partidos aos quais estão filiados e seu vínculo com as comunidades locais. Vote em candidatos dignos, capazes, com credibilidade pública e que estejam em sintonia com suas próprias convicções.
Questione os candidatos. Verifique se os candidatos estão dispostos a legislar e administrar de forma transparente, aceitando mecanismos de controle por parte da sociedade. Candidatos com um histórico de corrupção ou má gestão dos recursos públicos não devem receber seu apoio nas eleições.
Saibam o que pensam em relação à política, à religião e à família. Vote em candidatos que respeitem a liberdade de consciência, as convicções religiosas e morais dos cidadãos, seus símbolos religiosos e a livre manifestação de sua fé. Da mesma forma, apóie candidatos que amparem a família e a protejam diante das ameaças a sua identidade e missão natural. A sociedade que descuida ou abandona a família, herdará muitos problemas.
Fique de olho. Votar é importante, mas ainda não é tudo. Depois das eleições, acompanhe as ações e decisões políticas, legislativas e administrativas dos governantes municipais, para cobrar deles coerência em relação às promessas de campanha e para apoiar suas decisões acertadas.
Dom Jacinto Bergmann

Saúde pública no bairro

Hoje (quinta - 4), voltando da farmácia, passei pelo Posto de Saúde que está sendo montado no bairro Santa Terezinha, em Pelotas. Uma equipe da prefeitura estava vistoriando as obras. Não tive dúvida, dei um toque para o Gustavo, um amigo que está mobilizando a população e fazendo pressão para que o atendimento de saúde - suspenso há diversos meses - volte a funcionar. E lá se foi, nosso nobre futuro vereador, em busca de informações e azeitando as relações para que, em breve, a população volte a ter este serviço próximo de sua casa.
Fico impressionado do quanto as pessoas, nos bairros, pedem pouco e, muitas vezes, nem isto vêem atendido. O posto tem uma estrutura mínima, com poucas consultas diárias, tanto assim que as pessoas têm que ir para lá de madrugada para conseguir uma ficha! Mesmo assim, consideram-se felizes por ter o serviço.
Em véspera de eleições, onde todos os candidatos, pressionados pelas pesquisas que mostram ser o tema o primeiro da lista dos malefícios que o poder público pode causar, esbanjam argumentos para dizer que em seus governos vai ser diferente. Se cumprirem o que prometem, seus orçamentos serão pequenos para transformar um mar de lama num jardim de prosperidade!
No dito popular: "a esperança é a última que morre". Esperamos que não morra e que os "gustavos" da vida possam reverter a situação pontual da saúde no bairro Santa Terezinha, para que o mesmo possa acontecer em outros níveis.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

É preciso votar

Diversas Igrejas Cristãs publicaram em jornais ou na internet orientações para as eleições do primeiro turno, no próximo domingo, 7 de outubro, para prefeitos e vereadores. Claro que, para atender a legislação eleitoral - e até ao sentido de seu trabalho - devem ficar nas questões de princípios, muito mais do que nas definições político-partidárias.
Em alguns espaços onde tenho conversado, sugiro que, a primeira coisa a ser feita é recordar em quem se votou no primeiro turno da eleição municipal de quatro anos atrás. Lembrando do candidato a prefeito e a vereador, a questão é: se eleito, trabalhou bem? Se não foi eleito, deu as caras e continuou se mostrando interessado por aquelas causas das quais fez plataforma com promessas públicas?
Infelizmente, nós, população brasileira, somos considerada como desmemoriada - lembrança curta, praticamente de fatos mais recentes, não importando muito o que aconteceu há mais tempo. Isto, infelizmente, faz com que não tenhamos consciência histórica, consequentemente, não nos damos conta de que, na vida pública, é importante avaliar o que foi dito e o que foi feito.
"Mais do que bons políticos, o Brasil está precisando é de bons eleitores". Esta frase, multiplicada pelo Facebook, conta uma grande verdade, complementada por outra que está na mesma rede social: "Não é a política que faz o candidato virar ladrão. É o seu voto que faz um ladrão virar político!"
Esta é a carapuça que todos nós devemos vestir. Não adianta anular o voto ou votar em branco, isto significa omissão. Se acha que o quadro é ruim, vote no "menos pior", mas vote! Embora todas as decepções, o certo é que nosso processo democrático ainda precisa de ajustes, que passa por aprendermos - a cada dois anos - o melhor jeito de se votar.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

"Sob o sol de Toscana"

Havia lido o livro e, ontem, vi o filme. Sempre acho que o primeiro supera o segundo. Não foi o caso, achei ambos muito bons: o livre realça o aprendizado, a gastronomia e as descrições alongadas; o filme fica com o lado afetivo-emocional e com o deslumbrante mundo de um pequeno lugarejo na Itália.
"O que é uma casa senão o espaço entre quatro paredes?" Esta frase é dita depois que ela recuperou a casa de mais de 300 anos, em aventuras que compartilha com uma amiga, um amante italiano e operários da construção.
Quando consegue fazer com que um amigo retire a amiga bêbada que faz uma performance numa fonte, lembrando um clássico do cinema, vem uma pérola: "não importa o que aconteça, guarde sempre a sua inocência". Que não está somente na questão sexual, mas passa pela liberdade de pensar e, em alguns casos, sair da realidade para cair no sonho ou na loucura.
No finalzinho do filme, falando de um dos personagens: "mas ele sempre tem uma surpresa". Não há como "enquadrá-lo", mas esperar, sempre, que surpreenda e te tire da monotonia e da rotina.
Bebi cada cena, com as surpresas que o elemento humano oferecia; com as coxilhas que faziam o olhar se estender ao infinito, ou apenas ao velhinho que vinha todos os dias rezar diante de uma Madona, sem dar bola para a personagem central, até que, depois de algum tempo, já fazendo parte da rotina a troca de olhares, reverentemente, o velhinho volta-se para ela e toca com um dedo a ponta do chapéu!

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Ciclo sobre envelhecer

Nesta quarta - 14 horas - vou estar no auditório da Católica, dentro do XX Ciclo de Palestras e Artes do Bem Envelhecer. Vou falar sobre "A dimensão espiritual no processo do cuidador". Um pouco daquilo que falo nas palestras para grupos da chamada "terceira idade" - Voltando à Sala de Aula, do Cetres e do Sesc - assim como minha experiência pessoal dos últimos três anos, com meu pai e minha mãe.
Desde que o Voltando à Sala de Aula me provocou para fazer uma participação tenho tido o prazer de receber os mais variados convites para conversar sobre o processo de envelhecimento. A grande verdade que, muitas vezes, não queremos enfrentar é, exatamente, que desde que nascemos, começamos a envelhecer!
Portanto, investir num envelhecer saudável - de corpo e de mente - é uma necessidade pela qual vamos ter que optar, mais cedo ou mais tarde. O diferencial é que, enfrentando mais cedo, também mais cedo poderemos ter respostas que, se forem retardadas, podem prejudicar e dificultar o próprio envelhecimento.
Falar para cuidadores é uma tarefa especial, porque, em muitos casos, se valoriza a doença e esquecemos de auxiliar aqueles que estão envolvidos com ela: no caso, o próprio doente, ou pessoa idosa, assim como aqueles que estão na sua volta, sendo familiar ou não.
Em tempos em que se fala tanto de que aumentamos a expectativa de vida, discutir a qualidade deste envelhecimento é fundamental. Este tipo de evento alimenta em nós a sensação de que temos uma missão, para cumpri-la precisamos estar conscientes de que ao nos tornarmos cuidadores somos profissionais, sim, mas profissionais da esperança.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Padre Zezinho, um homem de fé.

Hoje, infelizmente, não são muitas as pessoas que conhecem o padre Zezinho. Mas, para os mais velhos, ligados às Igrejas Cristãs, sempre tem uma música que ficou em suas lembranças. Semana passada, tive notícia de que teve uma isquemia. No domingo, 23, recebeu alta, passando a fazer tratamento em sua residência.
Recentemente, li seus dois últimos livros – “De volta ao catolicismo” e “Um rosto para Jesus Cristo” - e, creio, ele está atualizado e crítico com relação à religião e à sociedade. Sua releitura religiosa não deixa de ser surpreendente: ao mesmo tempo em que finca o pé defendendo sua religião, não deixa de mostrar o quanto os cristãos precisam conversar para reencontrar o caminho do puro cristianismo, do Jesus de Jerusalém.
Muitas são as atitudes que marcaram sua história: o caso de um bispo que disse ser o padre Zezinho “o mais evangélico de todos os padres”, referindo-se à sua preocupação e obstinação com o ecumenismo, a busca do reencontro com os demais credos cristãos.
Suas músicas embalaram tempos de oração, de ternura e de lazer: dos encontros de jovens ao inesquecível momento em que o papa João Paulo II ouviu um coro de milhares de vozes repetir: “abençoa, Senhor, a família, amém, abençoa, Senhor, a minha também!”. Naquele momento, não era apenas um cancioneiro de Igreja, mas um instante abençoado que comoveu o país e o Mundo!
Na sua estada em Pelotas, depois de uma apresentação e de uma Missa, alguns imaginaram um corredor de proteção para retirá-lo do pavilhão onde cantou e rezou com a mesma intensidade. Fiquei surpreso e emocionado quando ele, literalmente, “foi para as massas!”. Não arredou pé enquanto não atendeu a cada um dos que queriam um autógrafo, um abraço, uma fotografia ou a atenção para algumas palavras.
De seus últimos livros, fica a certeza de que precisamos de “Padres Zezinhos” críticos com pregadores que se acham maiores que Jesus Cristo. Homens assim – pastores, reverendos ou padres – são referenciais de fé, que os problemas de saúde não nos roubam, pois deixam um legado maior do que suas próprias histórias.

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Camelôs, mercado público e trailers

Um incêndio no Camelódromo de Pelotas levantou a dúvida que percorre todas as cidades de porte médio e grande do Brasil: o que fazer com os camelôs, integrantes dos antigos mercados públicos e espaços de lanches em áreas públicas.
Muitas cidades já encontraram solução. Porto Alegre construiu um grande e belo espaço para os ambulantes, no centro da cidade, livrando as calçadas deste tipo de comércio informal. É o caminho para concentrar atividades que devem ser planejadas, com profissionais preparados, transformando as calçadas naquilo que elas devem ser: espaço para os pedestres!
Em Pelotas, o prefeito teve coragem de tirar todos os comerciantes do Mercado Público - um belo exemplar arquitetônico. Depois de se transformar em, predominantemente, uma área de venda de calçados, agora vai ser reestruturado para atender àquilo que os grandes mercados fazem pelo Brasil: uma variedade que abrange desde serviços populares, até atrativos turísticos.
A área de trailers em grandes avenidas para a comercialização de lanches é um problema: retira os passeios públicos da população, além de ter problemas com relação à sanidade dos alimentos e de excessos em todas as áreas: concentração de desordeiros, som alto, problema com delinquentes e com jovens.
Em tempos onde faltam profissionais para diversas áreas, precisamos requalificar quem está trabalhando em áreas de risco - como as três citadas - além de readequar os espaços físicos. Quem sabe, aí, não está uma boa chance de se envolver as instituições de ensino, pesquisa e extensão, que podem dar a sua contribuição.

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Energia elétrica - direitos do consumidor

O Rio Grande do Sul foi vítima de uma catástrofe natural que iniciou com muita chuva, passou para fortes ventanias, chegando a um friozinho simpático com cara de meio Outono. No entanto, o que assustou os gaúchos foi o fato de que nossos serviços de eletricidade mostraram o seu pior lado: despreparados para minimizar o sofrimento das pessoas que, em muitos casos, têm outros serviços que dependem da luz: telefonia, internet, televisão a cabo, por exemplo.
Mas também no caso de saúde, pois um senhor ligou diversas vezes, sem sucesso, tentando uma resposta, resolveu buscar ajuda em alguns meios de comunicação, pois tem um paciente em casa que depende da utilização da energia elétrica para manter determinados aparelhos. Queria algo simples: se o prazo para o retorno seria curto ou longo, pois dele dependia a internação do seu familiar.
Por outro lado, passada a tempestade, agora é tempo de ficarmos de olho na conta que virá para o próximo mês. Todos aqueles que tiveram corte por mais de 12 horas tem o direito a serem ressarcidos. Também aqueles que enfrentaram horas com apenas uma fase, se houve dano a equipamentos, devem ter o concerto bancado pela concessionária.
Há diversas formas de reclamar: primeiro, aqui em Pelotas, para a própria CEEE - Companhia Estadual de Energia Elétrica (brincava-se, uma ocasião, que seria a "Companhia Encarregada de Escurecer o Estado!). Não sendo atendido, há dois caminhos, o Procon, na busca de uma solução jurídica para seus direitos, ou a ANEEL - Agência Nacional de Energia Elétrica - que tem um telefone para atendimento no Estado, através da AGERGS - Agência Estadual de Regulação dos Serviços Públicos Delegados do Rio Grande do Sul: 0800 9790066.
Como as lutas feitas na questão do celular e das televisões a cabo, agora é hora de exigir nossos direitos. Fale, grite, bote a boca no trombone, se foi lesado ou se sabe de alguém que teve problemas.

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Fernandão chutou o balde

Como diriam os narradores de futebol: Fernandão chutou o balde! Pois foi o que fez o técnico do Internacional de Porto Alegre quando, ao fim de um jogo vergonhoso no domingo, onde seu time saiu perdendo para um dos lanternas por 2 a 0, chamou a atenção de um time recheado de estrelas, que hoje sequer têm luz própria.
Claro que não faltaram os comentaristas de plantão, inclusive o técnico adversário (Luxemburgo, do Grêmio), para criticar a atitude. Pois o Fernandão disse aquilo que todos os setoristas do Inter dizem há muito tempo: quem manda no clube são os jogadores, especialmente uma rodinha seleta, tendo poder de fogo para admitir ou demitir treinadores! Grupo do qual o próprio Fernandão já fez parte!
Pois, agora, a sacudida foi grande e mexeu com os brios de jogadores que preferiram ficar quietos a alimentar a fogueira. Luxa foi oportunista, faz parte de um grupo seleto de treinadores brasileiros que também fazem um "jogo" para que permaneçam em evidência nos principais clubes do país, se possível, evitando a entrada de novos valores.
Um Fernandão que questiona o que foi estabelecido coloca em risco o próprio jeito de fazer futebol, hoje, no Brasil: com interesses escusos em todos os níveis!
Sou colorado (creio que hoje não muito fanático), mas vi na atitude do Fernandão uma esperança de que se volte a ter no futebol um esporte popular, marcado por jogadores que - podem até ganhar bem - mas vistam a camiseta.
O que vemos, hoje, são mercenários atirando conforme seus interesses e não o das torcidas que lhes pagam os salários. A inconformidade do treinador deve merecer respeito e apoio daqueles que, muitas vezes, fazem sacrifícios para comprar um ingresso e tentam acompanhar seus clubes em qualquer situação.
Num tempo novo em que estamos vivendo, onde alguns membros do judiciário nos dão esperança de que não apenas ladrões de galinhas vão para a cadeia, quem sabe também no futebol, se reestabeleça uma relação de honestidade, enchendo de alegria os olhos de quem quer, apenas, ver a bola correr e seu time ganhar!

sábado, 15 de setembro de 2012

Oferecendo a meu pai um braço amigo

As redes sociais, seguidamente, compartilham fotos de idosos ou de situações que envolvem idosos. É o que basta para lembrar meus pais, que alcançariam, este ano, 87 Invernos. Infelizmente, meu pai partiu no início no Verão do ano passado, e dona Francinha está em recuperação, mas sentindo as esperanças da Primavera!
Foram muitas situações vividas e sentidas com os dois. Numa ocasião, numa praia do norte do Estado, precisávamos atravessar uma rua movimentada, do supermercado em que meu cunhado trabalhava em direção à sua casa. Minha mãe já tinha segurado um de meus braços. Olhei para meu pai, que parecia confuso. Disse, sorrindo e oferecendo: "tem o outro braço". Ele segurou meu braço e foi com alegria que atravessei a rua com meus pais amparados. E amados.
Depois disto, foram muitas ocasiões em que compartilhamos situações de dependência: higiene, movimentar-se pela casa, chegar à calçada, aproveitar a sombra de uma árvore do quintal ou os poucos passos dados – na última vez que saímos de casa para um passeio - com o andador na Praia do Laranjal.
Não era a quantidade, mas o quando aproveitávamos em intensidade cada momento! Andar alguns passos tinha o valor de quilômetros de uma maratona! Mas conviver era – e continua sendo – um prazer inesgotável: nem que seja apenas numa lembrança!
Meus três tesouros: minha irmã, mãe e pai.

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Saúde pública: reze para entrar, torça para sair.

Uma das manchetes de jornal de Porto Alegre, de hoje, (sexta – 14) é: “SUS perdeu quase 42 mil leitos nos últimos sete anos, indica estudo. Entre as especialidades mais atingidas estão psiquiatria e pediatria”. Não há como, olhando para estes dados, lembrar da situação do agricultor que morreu, depois de percorrer mais de mil quilômetros em busca de tratamento médico.
O sofrimento começou quando tropeçou em um fio de arame e causou um ferimento, no interior de Cachoeira do Sul. Estava iniciado o seu infortúnio: atendido no Pronto Socorro, não havia recursos adequados, teve que recorrer a Bagé, onde a situação se complicou e voltou a Cachoeira, somente tendo que fazer um exame em Santa Cruz do Sul, a 300 quilômetros. De volta à cidade de origem, não resistiu a uma cirurgia que lhe amputaria a perna.
Em tempo de campanha eleitoral, olhar para as propagandas dos candidatos, em todos os municípios, cheira a desrespeito e mesmo a deboche: todos têm pronta a receita para qualificar a saúde, fazendo delas algo como “nunca aconteceu neste país”.
Infelizmente, todos eles já foram candidatos e já apoiaram candidatos que, em outras eleições, prometeram o mesmo e não cumpriram, ou fizeram muito pouco para transformar esta realidade.
Infelizmente, hoje, do posto de saúde, passando pelas unidades de pronto atendimento, até chegar ao pronto socorro, os problemas vão se acumulando, com a falta de profissionais, de especialistas, de recursos e de vontade política.
A saga de Almedorino Élcio da Silva é a saga do brasileiro que depende do SUS (mas também, hoje, não é muito diferente daqueles que dependem da iniciativa privada): rezam para entrar, mas não sabem se vão sair.

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

O "novo" na campanha eleitoral

Tentei assistir aos programas de televisão com os candidatos à prefeitura de Pelotas e à Câmara de Vereadores: não deu! Não há, absolutamente, nada de novo, mesmo que muitos se digam o "novo". Todos os discursos se repetem de uma forma ou de outra, e não muda sequer a roupagem.
Como dizer que há algo de "novo", se, dos que têm mais chances, dois são da base do governo; um é sequência do governo federal e estadual e outro está na base estadual, todos tendo que explicar ações - nos três níveis, que não têm explicações?
Já vislumbro dois que vão para o segundo turno. Embora sendo políticos interessantes, aparecem meio apagados, parecendo desconfortáveis diante da situação de "candidatos" preferenciais por seus partidos.
Para vereador, então, o quadro é um caos! Alguns nomes despontam como prováveis. Em alguns casos, porque realmente são diferenciados por sua atuação, no entanto, dificilmente haverá uma mudança significativa na composição da Câmara de Vereadores, porque há, ainda, uma política clientelista, que resulta na reeleição por diversos mandatos.
Hoje, quando conversava com padres, pastores e reverendos, ainda falava na necessidade de voltarmos a formar nossos jovens: em grupos de jovens ou espaços de convívio social, ou mesmo pelas redes sociais, buscarmos a participação em política estudantil, quem sabe política operária e política universitária.
Alguns ainda devem lembrar dos bons tempos da JEC - Juventude Estudantil Católica, assim como a JOC - Operária Católica - e a JUC - Universitária Católica. Olhando para os melhores quadros que temos hoje, alguns ainda são reminiscência deste tempo ou beberam da fonte de quem viveu um tempo em que fazer política era, de fato, algo muito sério, serviço e comprometimento com as causas sociais.

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Diálogos da Comunicação

Encontro-me nesta quarta (12), a partir das 9 horas, com o Grupo Ecumênico de Pelotas – GEPel – para tratar do tema “Diálogos da Comunicação”. O convite partiu do coordenador do Grupo, padre Luiz Boari, e será realizado na Comunidade Cristo Redentor, da Igreja Evangélica Luterana do Brasil, na avenida Assis Brasil, 350, Três Vendas.
A comunicação passa ao menos por três estágios – a pessoal, a de grupo e a dos meios de comunicação. Não há como trabalhar uma delas sem que se entendam as demais. Pretendo mostrar a importância de conhecer, especialmente, as estratégias que são utilizadas para chegar aos diversos públicos.
Em 1997, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil fez uma reunião específica, em Itaici, São Paulo, tratando da comunicação. Convidou para a abertura um publicitário que, entre outras coisas, disse que ao homem atual não falta fé, falta que ele perceba que as religiões que lhe são oferecidas auxiliem no desenvolvimento da sua fé.
Dos olhares que lanço sobre a Igreja Católica e as demais igrejas Cristãs, creio que um bom elemento de aproximação é redescobrir o Jesus histórico: seus gestos, suas relações, seu jeito de viver.


Hoje, muitos teólogos olham para os textos evangélicos e se perguntam: será que foi exatamente isto que Jesus disse? Isto não tem importância quando percebemos que, em Jesus, está um pedagogo, um homem disposto ao diálogo e, sobretudo, um grande comunicador - capaz de exemplificar com a própria vida o jeito de encontrar a felicidade.

domingo, 9 de setembro de 2012

Futebol e o tempo que passa

Um treinador já disse que o "futebol é uma caixinha de surpresa". Pensei nisto quando conversei com o Hélio, que me atende na Farmácia São João, gremista dos quatro costados, a respeito do jogo de ontem (sábado), contra o Corintians, que já eram consideradas favas contadas. Pois não é que o resultado contrariou a lógica e o Grêmio foi batido por três a zero?
Bem que desejei tocar uma flauta hoje pela manhã, mas quando passei pela Farmácia, em direção ao hospital, onde fui cuidar da dona França até o meio-dia, ainda estava fechada. Pena, creio que a graça de ser gremista ou colorado, como dizia o radialista Lauro Quadros "é que gremista, mais do que gremista é anti-colorado e colorado, mais do que colorado, é anti-gremista".
Já vivi bons momentos acompanhando futebol: nos anos 70, quando o Inter foi três vezes campeão nacional, inclusive, muitas vezes, estando dentro do estádio. Hoje, me contento em assistir jogos pela televisão, por diversos ângulos e tendo a vantagem de ver os lances novamente.
Era a respeito disto que falava ontem com o Charles: as comodidades que temos dentro de casa nos acomodam e dão chance de preencher por atividades lúdicas muitos momentos, até hoje, ociosos.
Talvez este seja o motivo que, ao longo do ano, reclamamos por parecer que o tempo passa muito rapidamente. É verdade, pois o ocupamos em maior intensidade, não sei se com mais qualidade. A reclamação é que se combina um reencontro de amigos, mas passam-se dias, semanas, às vezes meses sem que ninguém se movimente para concretize o combinado.
No entanto, nestes dias de convívio em hospital, é que se tem a noção exata do tempo: ele não passa! Fico, então, com a outra alternativa, pois, ao menos, ter o tempo preenchido dá a sensação de que a vida continua.

sábado, 8 de setembro de 2012

Facebook Anônimos

Ainda não encontrei, mas se alguém já tomou conhecimento de um FA (do tipo AA -

Alcoólatras Anônimos) pode me enviar uma ficha. Na verdade, seriam os Facebook Anônimos!
Viciei. Não que eu saiba fazer muita coisa: mas sei "curtir" as belas mensagens, o bom humor, as coisas fofas (fofuxas), as notícias de amigos e parentes, um fluxo de informação e de elementos que nos dão prazer.
Também sei "comentar", quando a gente sente que tem algo a dizer a respeito do que foi postado e acha que vale a pena reforçar uma mensagem, ser solidário, ou brincar com um amigo.
E, vício dos vícios, sei "compartilhar". Algo que me interessou demais, quero fazer com que meus quase dois mil amigos também saibam. Eles vão receber a mensagem original e o que eu penso a respeito. Não precisa ser, sempre, concordino, em alguns casos, uso de postagens para mostrar o outro lado.
No demais, não sei e não quero aprender a fazer mais: curtir, comentar e compartilhar já fazem com que me sinta realizado nesta rede social e transborde aquilo que eram comentários banais para repercussão de coisas da vida: a solidariedade na doença da dona França, o pão que a Denise aprontou, o aniversário da Maria de Lurdes.
O Facebook é um belo instrumento de comunicação. E, como bem dito: um instrumento. Faço dele um bom uso. Sei que também se presta para outras coisas, mas não é com elas que desejo me preocupar.
FAs da vida, curtam, comentem, compartilhem. Façamos uma rede que valoriza a vida, a amizade, a fé e a ternura. O resto, que se perca pelos esgotos do esquecimento.

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Família, a cumplicidade do conviver

Brinco em palestras que, sempre achei, que fazendo graduação em Jornalismo, especialização em Educação, mestrado em Letras e Desenvolvimento Social, tinha fechado o meu ciclo de aprendizado. No entanto, nos últimos três anos, fiz graduação, especialização, mestrado, doutorado e pós-doutorado em envelhecimento!
Mas, se muitos momentos são difíceis, todos são contornáveis e sempre guardam alguma lembrança boa. É interessante lembrar que, do tratamento de meu pai - seu Manoel - de um câncer, tendo morrido em março do ano passado - nenhum de nós guardou as lembranças de dor e angústia, mas o seu bom humor, a cumplicidade que se estabeleceu e o espírito de família que vivemos.
Pois com a dona Francinha, agora, não tem sido diferente: A Vanessa - neta, trouxe a Camila, bisneta. Propiciaram esta foto que é de emocionar, parece que as duas - entre os balbucios da dona França e os "guga, guga" da Camila, estabelecem uma conversa que nós, os demais, não conseguimos entender.
Entre alguém que chegou ao auge da vida e ao seu declínio e quem recém está iniciando, há um elo que faz a história das relações humanas: não sabemos viver sem nossos laços familiares!
Tenho dito e repetido: quando consigo ter meus familiares ao lado para auxiliar no cuidado com a dona França, não quero me eximir das minhas responsabilidades. O que se quer é ter alguém com quem compartilhar estes momentos, estas vivências.
Depois de muito tempo sem mover com os braços, ontem, no hospital, dona França já os levantava em busca de figuras hipinóticas, fruto de um calmante. Mas era um avanço. Quanto tempo ela não fazia isto!
Sua mão procurando a minha, seu olhar procurando o meu, seu sorriso ao me reconhecer, são detalhes que a vida guarda e passa a fazer parte das nossas lembranças e da nossa história: não sei se está escrito, mas a grande verdade é que não basta viver, é preciso conviver, na cumplicidade de aproveitar e agradecer por cada dia a mais que Deus nos dá.

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Uma chance para a vida: aumenta a doação de órgãos

No início desta semana, a imprensa destacou o aumento no número de doadores de órgãos no Brasil. Ainda bem que, no Rio Grande do Sul, há algum tempo, isto vem sendo expressivo, pois além de campanhas muito bem feitas - destaque-se o trabalho da Adote, capitaneada pelo Chico Assis - ainda temos hospitais de referência para transplantes.


Passando, agora, algum tempo dentro de hospitais, acompanhando minha mãe, pode-se ver o quanto este trabalho é fundamental. Encontramos pessoas que poderiam ser beneficiadas e mudar a sua qualidade de vida, somente com o resultado das estatísticas de acidentes de trânsito.
Senão, vejamos: no último final de semana, 17 pessoas perderam a vida nas estradas gaúchas. Se, ao menos, a metade fosse doadora, em curto espaço de tempo teríamos diminuído sensivelmente as filas de espera.
Meu pai foi o precursor em colocar na sua carteira de identidade que era doador. Logo em seguida, também coloquei na minha um selo da Adote que mostra a minha disposição de que, em caso de falecimento, também meus órgãos sejam doados.
Mas não é suficiente. Infelizmente, a última decisão é da família. Por este motivo, é necessário que se estabeleça uma espécie de "equipe de motivação". Por ser um momento de fragilidade, em muitos casos, a decisão fica difícil. As pessoas não se dão conta de que a doação é uma forma de fazer aquele ente querido continuar vivendo. Não queremos perdê-los, mas porque deixar que seus órgãos voltem à terra, se podem salvar diversas vidas?
O doador, antes de mais nada, precisa conversar muito com seus familiares para mostrar sua decisão. E, no momento do infortúnio, amigos e demais familiares têm que estar presente e auxiliar na efetivação deste desejo. Afinal, a viagem final não se faz com o corpo, mas sim com o espírito. E, creio, ele fica mais leve se não nos apegarmos aquilo que "é pó e ao pó voltará".

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Os dramas da saúde pública e privada

Na manhã de segunda, combinei com uma equipe de remoção da Unimed Pelotas o transporte - pelo custo de 60 reais - da dona Francinha - minha mãe - para o Pronto Atendimento, a fim de tentar fechar feridas - algumas já em fase de escaras - necessitando de remoção de tecidos necrosados e raspagem das feridas. Na terça, aconteceu o deslocamento sendo prontamente atendida por um clínico geral que, nos disse, ser necessária a atuação de um cirurgião para o procedimento.
Nossa agonia se estendeu desde as 14 horas até quase 20 horas, quando houve o atendimento cirúrgico e a surpresa: além das feridas, aparecia, muito fortemente, um processo infeccioso, sendo, portanto, necessário internação. Como já era quase 21 horas, não havia quem se responsabilizasse, portanto, ficou no pronto atendimento até esta quarta, quando conseguiram um quarto.
Com tanto tempo à disposição para não fazer nada - o que é uma coisa horrível em meio a todos os males e tormentos - passamos a tentar um atendimento domiciliar, que a Unimed chama de "Home care", já que o processo de cicatrização tem sido difícil e dona Francinha praticamente não auxilia em nenhum movimento físico. As respostas eram evasivas, passando pela dificuldade de incluir no programa que, segundo diziam, sempre estava cheio, além de que sua atuação era relativamente restrita.
Ao médico que fechou o processo, tive que constatar que, então, era melhor estar em tratamento no SUS e pensar no Programa de Internação Domiciliar que, em Pelotas, vem sendo ampliado, assim como qualificado. Sorriu e disse que não poderiam competir com a Universidade Federal.
Minha irmã veio de Canela, onde recentemente precisou de tratamento para detectar e cuidar de um tumor benigno. Ficou surpresa em como tudo aconteceu com agilidade, desde o clínico geral, passando pelo especialista, até os exames necessários. Foi o mesmo que nos disse minha sobrinha que veio de Florianópolis, onde diz que o sistema de postinhos funciona, assim como as Unidades de Pronto Atendimento e o Pronto Socorro.
Se isto funciona em outros centros, porque sofremos tanto aqui em Pelotas? O atendimento a um idoso ou alguém com algum problema mais sério, deveria ser uma prioridade. Mas não é o que vemos na saúde pública e sequer na privada. Infelizmente, parece que a segunda se espelha na primeira para - guardando as devidas proporções - ter as mesmas mazelas, no que se refere à inoperância e à incompetência.
Para nós, este capítulo ainda não está encerrado. Tenho certeza que vamos precisar novamente destes serviços, então é necessário se munir de muita paciência e lutar para que se faça justiça, cumprindo o que diz a nossa lei maior de que "a saúde é um direito universal do cidadão".

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Cardeal Martini: Igreja Católica está 200 anos atrasada

Algumas coisas eu já disse, outras, nem eu mesmo tive coragem de dizer. Enviado pela Beatriz Ferreira.

Última entrevista do ex-arcebispo de Milão foi publicada neste sábado pelo ‘Corriere della Sera’, 01-09-2012.
O jornal italiano “Corriere della Sera” publicou, neste sábado (1), a última entrevista do cardeal Carlo Martini, ex-arcebispo de Milão que morreu nesta sexta-feira, aos 85 anos. Na conversa, gravada em agosto , o religioso disse que “a Igreja Católica está cansada” e “200 anos atrasada”.
Destaque entre os católicos progressistas, Martini defendia um posicionamento mais liberal da Igreja Católica, pois acreditava que só assim a instituição iria se aproximar novamente das pessoas. Entre as medidas pregadas pelo ex-arcebispo para conter o afastamento dos fiéis estavam o reconhecimento dos erros do passado e a implantação de mudanças radicais na instituição, começando pelo próprio Papa.
“A nossa cultura envelheceu, as nossas igrejas são grandes e estão vazias e a burocracia aumenta, os nossos ritos religiosos e as vestes que usamos são pomposos”, disse na entrevista, concedida a um padre jesuíta. “Sei que não podemos nos livrar disso facilmente, mas pelo menos poderíamos tentar ser como os homens livres e mais próximos dos fieis”.
O cardeal sofria de Mal de Parkinson há dez anos. Seu corpo será enterrado na segunda-feira, em Milão. Confira a entrevista:
Como o senhor vê a situação da Igreja?
A Igreja está cansada na Europa do bem-estar e na América. A nossa cultura envelheceu, as nossas igrejas são grandes, as nossas casas religiosas estão vazias, e o aparato burocrático da Igreja aumenta, os nossos ritos e os nossos hábitos são pomposos. Essas coisas expressam o que nós somos hoje? (...)
O bem-estar pesa. Nós nos encontramos como o jovem rico que, triste, foi embora quando Jesus o chamou para fazer com que ele se tornasse seu discípulo. Eu sei que não podemos deixar tudo com facilidade. Menos ainda, porém, poderemos buscar pessoas que sejam livres e mais próximas do próximo, como foram o bispo Romero e os mártires jesuítas de El Salvador. Onde estão entre nós os nossos heróis para nos inspirar? Por nenhuma razão devemos limitá-los com os vínculos da instituição.
Quem pode ajudar a Igreja hoje?
O padre Karl Rahner usava de bom grado a imagem das brasas que se escondem sob as cinzas. Eu vejo na Igreja de hoje tantas cinzas sobre as brasas que muitas vezes me assola uma sensação de impotência. Como se pode livrar as brasas das cinzas de modo a revigorar a chama do amor? Em primeiro lugar, devemos procurar essas brasas. Onde estão as pessoas individuais cheias de generosidade como o bom samaritano? Que têm fé como o centurião romano? Que são entusiastas como João Batista? Que ousam o novo como Paulo? Que são fiéis como Maria de Mágdala? Eu aconselho o papa e os bispos a procurar 12 pessoas fora da linha para os postos de direção. Pessoas que estejam perto dos pobres e que estejam cercadas por jovens e que experimentam coisas novas. Precisamos do confronto com pessoas que ardem, de modo que o espírito pode se difundir por toda parte.
Que instrumentos o senhor aconselha contra o cansaço da Igreja?
Eu aconselho três instrumentos muito fortes. O primeiro é a conversão: a Igreja deve reconhecer os próprios erros e deve percorrer um caminho radical de mudança, começando pelo papa e pelos bispos. Os escândalos da pedofilia nos levam a tomar um caminho de conversão. As questões sobre a sexualidade e sobre todos os temas que envolvem o corpo são um exemplo disso. Estes são importantes para todos e, às vezes, talvez, são até importantes demais. Devemos nos perguntar se as pessoas ainda ouvem os conselhos da Igreja em matéria sexual. A Igreja ainda é uma autoridade de referência nesse campo ou somente uma caricatura na mídia?
O segundo é a Palavra de Deus. O Concílio Vaticano II restituiu a Bíblia aos católicos. (...) Somente quem percebe no seu coração essa Palavra pode fazer parte daqueles que ajudarão a renovação da Igreja e saberão responder às perguntas pessoais com uma escolha justa. A Palavra de Deus é simples e busca como companheiro um coração que escute (...). Nem o clero nem o Direito eclesial podem substituir a interioridade do ser humano. Todas as regras externas, as leis, os dogmas nos foram dados para esclarecer a voz interior e para o discernimento dos espíritos.
Para quem são os sacramentos? Estes são o terceiro instrumento de cura. Os sacramentos não são uma ferramenta para a disciplina, mas sim uma ajuda para as pessoas nos momentos do caminho e nas fraquezas da vida. Levamos os sacramentos às pessoas que precisam de uma nova força? Eu penso em todos os divorciados e nos casais em segunda união, nas famílias ampliadas. Eles precisam de uma proteção especial. A Igreja sustenta a indissolubilidade do matrimônio. É uma graça quando um casamento e uma família conseguem isso (...).
A atitude que temos com relação às famílias ampliadas irá determinar a aproximação à Igreja da geração dos filhos. Uma mulher foi abandonada pelo marido e encontra um novo companheiro que cuida dela e dos seus três filhos. O segundo amor prospera. Se essa família for discriminada, não só a mãe é cortada fora, mas também os seus filhos. Se os pais se sentem fora da Igreja, ou não sentem o seu apoio, a Igreja perderá a geração futura. Antes da Comunhão, nós rezamos: "Senhor, eu não sou digno...". Nós sabemos que não somos dignos (...). O amor é graça. O amor é um dom. A questão sobre se os divorciados podem comungar deve ser invertida. Como a Igreja pode ajudar com a força dos sacramentos aqueles que têm situações familiares complexas?
O que o senhor faz pessoalmente?
A Igreja ficou 200 anos para trás. Como é possível que ela não se sacuda? Temos medo? Medo ao invés de coragem? No entanto, a fé é o fundamento da Igreja. A fé, a confiança, a coragem. Eu sou velho e doente e dependo da ajuda dos outros. As pessoas boas ao meu redor me fazem sentir o amor. Esse amor é mais forte do que o sentimento de desconfiança que às vezes eu percebo com relação à Igreja na Europa. Só o amor vence o cansaço. Deus é Amor. Eu ainda tenho uma pergunta para você: o que você pode fazer pela Igreja?
Fonte: http://www.domtotal.com/noticias/detalhes.php?notId=498280

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Uma criança na escada

O olhar de uma criança.
O olhar de uma criança que tenta subir uma escada.
O olhar de uma criança que tenta subir uma escada,
sorrindo e pedindo cumplicidade.

Não é apenas uma sorriso.
É um desafio:
Para quem acompanha: "quer ver como eu vou?"
Para si própria: "o degrau é maior do que eu mesma!"

Entre o colo, engatinhar, dar os primeiros passos,
há momentos que são únicos.
A inocência nas provocações,
As sonoras risadas,
A convulsão pelas cócegas,
A ternura da "tartaruguinha" que se arqueia
ao dormir.

Classificar? Porquê?
Apenas curtir e viver.
Depois, há muito tempo para lembrar.
E lembrar faz parte do tempo em que se vive
alimentado por cada minuto daquele tempo gasto
em apenas estar junto, acolher, amar e ser amado.
(Caro leitor, isto é poesia?)

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Esperança sem fronteiras

Semana passada, alguém postou no Facebook a foto de uma criança negra. Seu olhar era tristonho e sem vida. De alguma forma, a sociedade – não importa se pais, vizinhos, comunidade, governo – roubou-lhe a alma, tirou a alegria que somente os olhos podem expressar.
Lembrei-me, de imediato, de um vídeo numa televisão a cabo – a Globo News – onde a organização Médicos Sem Fronteiras mostra o atendimento que faz a crianças em países pobres das Américas, África e Ásia. A luta é desigual. As forças do poder econômico que sugam a vida em seus elementos matérias – especialmente o extrativismo de recursos minerais - vão deixando para trás um contingente de famintos e rejeitados.
São mais de 28 mil voluntários que aguentam, no osso do peito, lidar com crianças que – mestiças, negras, asiáticas – olham para eles como se fossem o último fio de esperança que encontram entre os homens.
Algumas cenas são chocantes: os mutilados de guerra, os deprimidos pela fome, os que sofrem com a violência. Em alguns casos, o olhar dos médicos é carregado pela dor e sofrimento solidário. A dor própria que extravasam quando estão sozinhos. No entanto, de um lado ao outro do Mundo, há aqueles que transmitem mensagens e procuram dar ânimo e coragem com uma frase lapidar: “aguente firme”!


Confesso que, há muito tempo, não me emocionava com algo tão tocante: jovens vindos do primeiro Mundo imergem na realidade daquilo que seus países causaram ou, ao menos, não foram capazes de minimizar. Sentem que, entre seus grandes centros de tratamentos com todos os recursos e o que enfrentam, na precariedade e improviso, há um oceano de distanciamento.
Converso com jovens e falo das empresas que procuram pessoas já envolvidas em trabalhos voluntários, pois, enquanto houver jovens capazes de devolver a alegria ao olhar de uma criança, também se pode ter uma perspectiva positiva. Afinal, o que alimenta nossa esperança é que o sonho armazena uma semente de realidade.

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Terapia do elogio

Recebido da amiga Raquel Bierhals, tendo como autoria Arthur Nogueira - Psicólogo.

Renomados terapeutas que trabalham com famílias, divulgaram uma recente pesquisa onde se nota que os membros das famílias brasileiras estão cada vez mais frios: não existe mais carinho, não valorizam mais as qualidades, só se ouvem críticas.
As pessoas estão cada vez mais intolerantes e se desgastam valorizando os defeitos dos outros. Por isso, os relacionamentos de hoje não duram.
A ausência de elogio está cada vez mais presente nas famílias de média e alta renda.
Não vemos mais homens elogiando suas mulheres ou vice-versa, não vemos chefes elogiando o trabalho de seus subordinados... Não vemos mais pais e filhos se elogiando, amigos...etc.
Só vemos pessoas fúteis valorizando artistas, cantores... Pessoas que usam a imagem para ganhar dinheiro e que, por consequência, são pessoas que tem a obrigação de cuidar do corpo, do rosto.
Essa ausência de elogio tem afetado muito as famílias. A falta de diálogo em seus lares, o excesso de orgulho impede que as pessoas digam o que sentem e levam essa carência para dentro dos consultórios.
Vamos começar a valorizar nossas famílias, amigos, alunos, subordinados. Vamos elogiar o bom profissional, a boa atitude, a ética, a beleza de nossos parceiros ou nossas parceiras, o comportamento de nossos filhos.
Vamos observar o que as pessoas gostam. O bom profissional gosta de ser reconhecido, o bom filho gosta de ser reconhecido, o bom pai ou a boa mãe gostam de ser reconhecidos, o bom amigo quer se sentir querido, a boa dona de casa valorizada, a mulher que se cuida, o homem que se cuida, enfim vivemos numa sociedade em que um precisa do outro.
É impossível um homem viver sozinho, e os elogios são a motivação na vida de qualquer pessoa. Quantas pessoas você poderá fazer felizes hoje elogiando de alguma forma?


terça-feira, 28 de agosto de 2012

A síndrome da Avenca

Quem pôde passear pela encosta de um morro, por caminhos ou estradas de chão, em direção a uma sanga, sabe o quanto é prazeroso andar por sobre as pedras, ou com a água pelas canelas, sentar numa encosta e aproveitar o verde da mata e o canto de pássaros que se perdem na distância. Neste clima privilegiado pela luminosidade difusa e a umidade ideal desenvolvem-se samambaias e surgem, também, as Avencas.
Depois de viverem em paz na natureza, foram transformadas em plantas ornamentais, transferindo-se para jardins e interiores das casas. Certamente, uma das frases mais populares entre aqueles que lidam com este vegetal é: “frágil como uma Avenca”. Nem vento demais, nem ar de menos; nem sol demais, também nada de escuridão absoluta; nem excesso de água, ou a aridez do seu abandono.
No conhecimento popular, é uma espécie de “afastadora de maus olhados”. Dizem até, a boca pequena, é capaz de absorver energia negativa, podendo murchar se houver alguém invejoso na área. Pois é aí que inicia minha história: uma amiga contou que, ao ganhar uma muda, também recebeu a recomendação de que, se passasse por algum momento difícil, não se preocupasse com os transtornos que causaria à planta.
Descrente, plantou-a com todas as recomendações de jardinagem, mas esqueceu dos avisos. Algum tempo depois, quando passou por um processo de investigação de câncer, veio a comprovação: a planta passou a sofrer com ela. Primeiro, as folhas secaram. Ao recebeu a comprovação de que era benigno, sujeito a tratamento, começou a refazer sua própria vida, assim como a encontrar os novos brotos na Avenca!


Tenho duas mudas: ganhei uma e a outra nasceu num vaso de flor. Hoje, vejo-me na dúvida, pois uma está em seu apogeu, exalando vitalidade, com muitos brotos novos. A outra, no entanto, desfaleceu e está completamente podada. Um pouco é este tempo maluco em que tivemos uma Primavera antecipada em pleno Inverno. Se não for assim, vou ter que consultar um especialista em Avencas para saber como tratar dos seus e meus humores: quem sabe está nascendo aí a síndrome da Avenca.

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

BR 116, novos caminhos, novos rumos

Esta segunda-feira - 20 de agosto - é um dia importante e há muito sonhado pela Região Sul do Estado: foi assinada a autorização para que seja iniciada a duplicação da BR 116 e o contorno de Pelotas. Pelotas é o entroncamento de cinco BRs: 116, vindo de Porto Alegre e Jaguarão; 392, vinda de Canguçu e Rio Grande; 293, vinda de Bagé.
A duplicação da 392 em direção a Rio Grande já não era nem mais um sonho, mas um pesadelo: o alto tráfego do que chegava de todas as regiões em direção ao Super Porto, formava um gargalo em Pelotas e, a partir daqui, era um Deus nos acuda.
Possivelmente pronta até o ano que vem, já minimiza os problemas enfrentados por caminhoneiros, prestadores de serviços ou aqueles que querem circular pela região. Acredita-se que as cruzes que marcam os inúmeros acidentes à beira da estrada diminuam.
A ligação com Porto Alegre começa a ajudar na solução de um problema que exige mais audácia das autoridades públicas: a utilização de ferrovias e hidrovias.
Na verdade, este é o momento para que a região se una. Puxar a brasa para o assado de cada município é pequenez de inteligência. Pelotas depende de Rio Grande e vice-versa, assim como os demais municípios dependem destes dois para se fortalecerem na produção industrial e prestação de serviços.
Bons ares, novos momentos. Agora, precisamos, também renovar nossos empresários e políticos para que tenham coragem de deixar a pobreza por uma mudança estrutural que somente poderá ser atrasada por mentalidades retrógradas e acomodadas.

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Pai meu, que estás nos céus...

Quando se aproxima o Dia dos Pais - próximo domingo - não há como esquecer do seu Manoel, meu pai - assim como da Leonice, do Cláudio e da Loci. Hoje, ele convive com o Cláudio e a Loci, que também já partiram. Deixou-nos saudades.
Durante o tempo em que viveu com um câncer, não perdia o bom humor e, mesmo que estivéssemos cansados - assim como ele - não perdia o momento para uma frase engraçada, uma brincadeira, ou um olhar carinhoso para a esposa, dona França, seus filhos e netos.
Completou a terceira série primária, mas tinha por missão que gostaria de "dar estudo" para os filhos. Entendia que o agricultor que veio do interior de Canguçu, praticamente corrido pela fome, e que se transformou em dono de armazém na periferia de Pelotas, não tinha como deixar bens ou grandes recursos para os filhos. Mas queria deixar algo que fosse maior ainda: uma formação profissional.
Hoje, quando ouço tantos pais que se omitem, ou outros que querem apenas ser "amigos" dos filhos, acho que faltam parâmetros, porque também isto é ser pai. Mas é preciso mais: um pai se transforma em educador, aquele que repassa valores, e uma referência, aquele que vive estes mesmos valores.
Claro que ninguém é perfeito e pode-se errar, até tentando acertar. Mas, o importante, é que se tenha um rumo, uma meta, um destino. Sabendo que se quer fazer do filho um ser humano capaz de sonhar, conviver em sociedade e buscar um mundo novo. Gostei da frase que partilhei no Facebook: "o mundo que deixaremos para nossos filhos, depende dos filhos que deixaremos para nesse mundo".

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Dia do pedestre

Um dia para lembrar de todos nós. Porque todos somos pedestres, antes, mesmo de sermos motoristas, por exemplo. Pena é que estejamos esquecendo disto. A preferência passou a ser pelos veículos de locomoção, transformando estradas intermunicipais e mesmo as ruas da malha urbana em autêntico caos.
Pelotas, por exemplo, é uma cidade plana. Esta fator deveria fazer com que se desse valor aos passeios públicos para pedestres e bicicletas. Não é o que acontece: o leito das ruas é alargado e, cada vez mais, pedestres e ciclistas tem que lutar pela própria sobrevivência.
Para quem acha que é exagero, tente atravessar uma das grandes avenidas, mesmo onde há faixa para pedestre, acreditando no respeito aos seus direitos. Possivelmente, não chegará ao outro lado, porque se uns param, outros ainda ficam incomodados pela "impertinência" de quem se atravessou em sua frente.
Dia destes, na rua General Osório, via um senhor que mostrava aos motoristas que, ali onde ele estava, havia uma faixa para pedestres. Nenhum parou.
Gosto muito da expressão "mobilidade urbana". Mas, creio, ela ficou restrita à máquina e não ao ser humano. No dia do pedestre, um alerta e a necessidade de conscientização: valorizar quem anda pelas ruas - ou pedala - é dar maior qualidade de vida à própria sociedade.