quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Ética na política e no futebol

Duas matérias mereceram atenção por parte da imprensa e precisam ser pensadas no seu contexto maior para que possam ser plenamente compreendidas: por ordem cronológica, no sábado, jogo do Inter contra o Palmeiras, segundo gol do visitante, com o atacante usando o braço, sendo que o juiz, de frente para o lance, não viu e também seus auxiliares imediatos, até chegar ao quarto árbitro, que flagrou a irregularidade, mas que teve a fúria do jogador e da direção de seu time, porque teria se utilizado de informação vinda da televisão.
Na manhã desta quarta, a imprensa começou a repercutir a compra de votos feitas em Jaquirana, pequeno município gaúcho, onde filho do prefeito reeleito, vereador e coordenador de campanha foram presos depois de pagar com lanche, rancho, equipamentos domésticos ou pneus usados de Corcel II!
Em ambos os casos, continua pesando nas costas do brasileiro uma assertiva negada por quem ficou popularizado em tempos idos, mostrando um maço de cigarros e afirmando: "é preciso levar vantagem em tudo, certo?" A chamada Lei de Gerson, um dos principais jogadores da seleção brasileira de 1970, mas que se notabilizou por expor as manhas do famigerado "jeitinho brasileiro de ser".
Infelizmente, o que mais dói, no primeiro caso, é constatar que se defende a ilegalidade, mesmo com cenas explícitas, se elas não forem flagradas "legalmente". Jogadores e diretores querem levar vantagem do jeito que for possível. Mas, também, não se veja inocência no adversário, o Inter, porque se o mesmo acontecesse, a reação não seria diferente!
No caso das gravações telefônicas de Jaquirana, a certeza da impunidade com as pessoas pedindo explicitamente, vantagens que poderiam ter com seu voto, um determinado número de votantes, ou a possibilidade de ampliar o número daqueles que votariam em determinado candidato.
Quando era criança, marcou minha memória uma mãe que dizia ao garoto companheiro de brincadeiras: "se o fulano bater em ti, bate nele!". Valendo esta regra é o mesmo que a Lei de Talião: "olho por olho, dente por dente". Desaparecem princípios éticos e morais para que se estabeleça a lei do mais forte ou daquele que é mais esperto e capaz de passar a perna nos incautos.
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