domingo, 16 de setembro de 2018

"Abre a boca, mãe!"

Cuidar de pessoas, especialmente as doentes e idosas, é um exercício diário de paciência e aprendizado. Confirma um dos institucionais da organização Médicos Sem Fronteiras: "podemos ser violentos, insensíveis, cruéis, egoístas, indiferentes, mas só quem pode salvar a vida de um ser humano é um outro ser humano".
Verdadade. Quem passou pela rotina de ajudar (e muitas vezes fazer) a higiene pessoal, trocar um curativo, assoar um nariz, levar o alimento à boca, sabe que é preciso não apenas pensar que a pessoa cuidada é alguém que fez parte das nossas histórias, mas que precisa continuar tendo um sentido para viver.
Atos mecânicos são o prenúncio da morte. Para que vivam é preciso que vejam razão e sabor nas coisas mais elementares: mantê-las informadas do que está acontecendo, do que se está fazendo e porque se está fazendo, assim como não se cansar de acariciá-las, beijá-las, sorrir e encontrar em traços cansados uma razão para não partir.
Um dos atos em que se estabelece a cumplicidade entre cuidador e a pessoa cuidada é o da alimentação e da ingestão de medicamentos. Muitas vezes atrapalhados por outras rotinas, é necessário relaxar, postergar compromissos e focar no atendimento: para que um alimento não seja alcançado ainda quente ou que uma medicação não fique parada num canto da boca. Dissolvida é um amargor só.
Vem, então, a clássica frase: "abre a boca, mãe!" A repetição de movimentos cansa o paciente e vai diminuindo a intensidade ou não engolindo o remédio. Não é uma reprimenda, mas um estímulo a consumir o alimento ou a medicação, sempre tão necessário, especialmente quando se alcançou o equilíbrio num tratamento.
O idoso vai ficando "gastinho", como me disse esta semana uma visita. Mas guarda na essência a capacidade de aceitar o carinho e a gratidão. Talvez não saiba, e embora não consiga a retribuição por tudo o que já fez, confirma a sentença de um post feito pela Ilda: "quando um homem planta uma árvore sob cuja sombra sabe que nunca haverá de sentar-se, começou, então, a entender o sentido da vida".
O imediatismo afasta as pessoas dos cuidados com doentes e idosos. São valores egocêntricos: o máximo de prazer no menor espaço de tempo. Nada impede de viver intensamente quando se cuida de quem já foi um ente querido. Ao contrário, compartilhar carências e deficiências é uma boa maneira de se aprender que o tempo passa e, um dia, também vamos desejar que alguém fique ao nosso lado... Nem que seja para, num momento de carinho, apenas dizer sorrindo: "abre a boca, mãe!"

segunda-feira, 10 de setembro de 2018

Deus não está morto...

Não assisti aos filmes "Deus não está morto" 1 e 2. Mas nada impede de ver a sequência, de número 3, com o complemento: "Uma luz na escuridão". As sinopses falam de um embate entre igreja e a comunidade. Mas, a disputa é entre administração da Universidade Estadual, que recebe a cedência de um terreno onde há uma igreja, e o pastor que pretende conservar o templo onde atua e também atuou seu pai.
O fundo - fé e religião - sãos desvendados com a evolução dos personagens e o embate entre quem laiciza todos os espaços e aqueles que acreditam ter o direito de se expressar, também com suas ideias cristãs. Um jovem revoltado com pessoas ditas religiosas provoca incêncio no templo, onde morre um pastor negro eletrocutado.
O pastor Dave pede ajuda ao irmão advogado porque é uma questão de honra manter a "propriedade" da Igreja. Mas há personagens que entram na história extamente para mostrar o quanto o acirramento pode fazer as pessoas perderem o foco: um jovem candidato a pastor discute com o advogado que acredita na "Justiça". Enfático, defende que antes da Justiça, há a Graça. E esta vem de Deus!
São estradas que podem ser percorridas paralelamente por muito tempo e por longa distância sem que se chegue a um denominador comum. Ao contrário, o acirramento dos ânimos, de ambos os lados, faz com que até o pastor se desvie dos valores cristãos. Um outro pregador mostra que é preciso pouco para dividir uma comunidade, mas somente um instante de graça para reencontrar o sentido de viver a fé!
E o seu reencontro com a fé acontece numa cena cheia de dignidade: o pedido do pastor Dave, em meio aos escombros de sua igreja, para que Deus diga o que deve fazer. O que era um amontoado de cinzas, caibros retorcidos, buracos no telhado vai se transformando no entorno de um corpo iluminado por um céu limpo e estrelado!
Ceder é a forma de retormar valores elementares. A Igreja é um lugar, mas Deus está em todos os lugares. Então, outra igreja pode ser construída. É preciso restaurar a fé dos jovens, perdoar o infortunado que começou o incêndio, dar provas de ser possível amar e tornar-se referência para uma comunidade desiludida com as religiões.
O filme mostra uma visão cristã (e porque não?). Para quem duvidou e reencontrou a fé, há um longo caminho. No amadurecer de uma relação, a necessidade do que é maior do que o humano e nem a ciência explica. Deus não está morto. Numa sociedade carente de valores, antes das religiões institucionalizadas, a fé é encontro pessoal, onde explicações lógicas não fazem sentido. Encontrar Deus é um mistério. O mistério do homem que, enfim, se aconchega aos braços do seu Criador!

domingo, 2 de setembro de 2018

Meu pai do coração...

Uma das maiores e mais carinhosas mensagens que recebi da minha sobrinha Vanessa dizia: "tu és meu pai do coração!" A expressão comumente é utilizada por quem adota uma criança ou um jovem que se transforma em "filho do coração", aquele que não nasceu apenas da carne, mas de um sentimento profundo de carinho e de afeto.
Estive na Escola de Formação do Movimento Familiar Cristão - MFC - com a pauta: "Fraternidade e a nova configuração das famílias". Rememorei o que a Igreja Católica pensa a respeito, especialmente, do que é a prática do ser família, a partir de um pensamento do padre Fábio de Mello: "família é o lugar onde aprendemos a amar."
No dia seguinte, o Globo Repórter fez uma matéria sobre irmãos. A parte que me chamou atenção contava um pouco da história de seis - entre 2 e 14 anos - retirados dos cuidados dos pais e entregues para adoção. Foram divididos em dois grupos de três, mas as famílias fizeram questão de que mantivessem os vínculos.
Interessante o fato de ser um menino de 14 anos a referência para os demais. Referi-me no MFC a esta figura como sendo o "agregador", quem, na família, é mais do que o pai ou irmão mais velho: tem a sensibilidade e a autoridade para congregar o grupo, dá sentido ao termo "família", para não ser apenas um ajuntamento de parentes.
As Igrejas cristãs se mostram acolhedoras e respeitosas com relação, por exemplo, à segunda união. Não somente porque este já é um fato, mas também porque a experiência mostrou que, se têm problemas, não é muito diferente de um matrimônio em crise. Nesta discussão poderíamos entrar por outros temas difíceis para os evangélicos mais tradicionais, como a constituição de grupos familiares gays...
A fragilidade da vida só é superada pelo valor da própria vida. Preconceitos travam o sentido do ser família: "lugar onde se aprende a amar", em que se tomam as primeiras lições de relacionamento afetivo, norteadores de comportamentos em todas as etapas seguintes. As preocupações com as formas convencionais de ser família podem ser superadas por ações simples: aprender a ser "avós, tios e irmãos de coração"!
São salutares as relações que fazem bem a crianças e jovens quando a falta de arrimo causa tanto mal para a construção da identidade. Os adultos e idosos também estão precisando ter "filhos e netos do coração". Em tempos em que a solidão se transformou no grande mal do século e há tanta carência de afeto - especialmente familiar - um bom alerta está nas palavras do papa Francisco: "ter um lugar para ir é lar. Ter alguém para amar é família. Ter os dois é uma bênção!"

sábado, 1 de setembro de 2018

Fraternidade e as novas configurações familiares

MFC - Escola de Formação - 30 de agosto de 2018
Manoel Jesus (face: Manoel Jesus - blog: manoeljesus.blogspot.com)

Fraternidade e as novas configurações familiares
Não foi bem aquilo que me pediram para fazer... Mas diante de tantas informações e contra-informações sobre a família, resolvi fazer uma espécie de recapitulação do que pensa a Igreja e, em especial, o papa Francisco a respeito deste tema. As "oito dicas..." foram tiradas do site soumamae.com.br.

Oito dicas para ter uma boa comunicação na família

A crise da família
"A família atravessa uma crise cultural profunda, como todas as comunidades e vínculos sociais. No caso da família, a fragilidade dos vínculos reveste-se de especial gravidade, porque se trata da célula básica da sociedade, o espaço onde se aprende a conviver na diferença e a pertencer aos outros e onde os pais transmitem a fé aos seus filhos. O matrimônio tende a ser visto como mera forma de gratificação afetiva, que se pode constituir de qualquer maneira e modificar-se de acordo com a sensibilidade de cada um. Mas a contribuição indispensável do matrimônio à sociedade supera o nível da afetividade e o das necessidades ocasionais do casal". Papa Francisco.

Pontos-chave para uma boa comunicação na família

1.- Tolerância e a compreensão são o primeiro passo necessário para manter uma comunicação fluida. É necessário criar um espaço de confiança onde todos os membros da família possam desenvolver suas ideias e pensamentos sem medo de serem julgados pelos outros.
“Há três palavras mágicas: “Pedir licença" para não ser invasivo na vida do cônjuge. “Obrigado", agradecer o que o outro fez por mim, a beleza de dizer “obrigado". E a outra, “desculpa", que às vezes é mais difícil, mas é necessário dizê-la". Papa Francisco.

2.- Comunicação não-verbal é tão importante quanto a comunicação verbal. Às vezes, o importante não é o que se diz, mas como se diz. A comunicação verbal deve vir acompanhada por expressões corporais que ratifiquem o que está sendo expressado.
“A verdadeira alegria vem da harmonia profunda entre as pessoas, que todos experimentam no seu coração e que nos faz sentir a beleza de estar juntos, de apoiar-se mutuamente no caminho da vida". Papa Francisco.

3.- Evite críticas. Para que a confiança se desenvolva de forma adequada, é importante evitar as críticas. Especialmente aquelas que são destrutivas. Os conselhos sempre devem ser bem-vindos, mas é importante fazer isso a partir de uma perspectiva que acrescente e que não seja contraproducente para o destinatário.
“Quando nos preocupamos com as nossas famílias e as suas necessidades, quando entendemos os seus problemas e esperanças, (…) quando se apoia a família, os esforços repercutem-se não só em benefício da Igreja; ajudam também a sociedade inteira". Papa Francisco.

4.- Respeito. Ninguém é dono da razão, inclusive se pode aprender com os membros mais novos da família. Respeitar e se interessar pelas ideias dos outros fortalecerá a confiança e a união familiar. Comunicação: o segredo para um bom relacionamento.
“O segredo é que o amor é mais forte do que o momento em que se discute e, por isso, aconselho aos esposos: não acabem o dia em que discutiram sem fazer as pazes, sempre". Papa Francisco.

5.- Honestidade. Quando um dos membros da família admite ter cometido algum erro, além de repreender o fato em si, é importante parabenizá-lo por sua honestidade. É preciso coragem para admitir um erro, especialmente por parte das crianças. Os pais devem tomar as medidas adequadas a este respeito, mas é bom elogiar o fato de serem honestos.
“O matrimônio é uma longa viajem que dura toda a vida, e necessitam da ajuda de Jesus para caminhar juntos, com confiança, para se acolherem, um ao outro todos os dias, e perdoarem-se todos os dias; e isto é importante nas famílias, saberem perdoar-se. Porque todos nós temos defeitos. Todos!". Papa Francisco.

6.- Ouvir ativamente. Nos tempos de hoje, os telefones celulares e outros aparelhos eletrônicos geralmente dificultam a boa comunicação. Se você estiver no meio de uma conversa ou discussão, é importante deixar os telefones de lado. Ouvir ativamente significa prestar atenção e olhar nos olhos da pessoa que está falando.
“Se o amor é uma relação, constrói-se como uma casa. Não a queiram construir sobre a areia dos sentimentos que vão e vêem, mas sobre a rocha do amor verdadeiro, o amor que vem de Deus. A família nasce deste projeto de amor que quer crescer como se constrói uma casa: que seja lugar de afeto, de ajuda, de esperança". Papa Francisco.

7.- Transmitir informações importantes. Uma estratégia simples mas fundamental para melhorar a comunicação é transmitir informações importantes a todos os membros da família ao mesmo tempo. Para anúncios importantes como mudanças, viagens, doenças e outros, é essencial reunir toda a família e transmitir as novidades a todos.
“O verdadeiro vínculo é sempre com o Senhor. Todas as famílias têm necessidade de Deus: todas, todas! Necessidade da Sua ajuda, da Sua força, da Sua bênção, da Sua misericórdia, do Seu perdão. E requer-se simplicidade. Para rezar em família requer-se simplicidade! Quando a família reza unida o vínculo torna-se mais forte". Papa Francisco.

8.- Desenvolver interesse. Todos os membros da família têm algo valioso para contribuir. A partir do momento em que se aceita essa premissa, se consegue desenvolver o interesse pelas ideias e pelos pensamentos dos outros. Embora possa parecer pouco, é fundamental escutar atentamente. Não importa inclusive que o tenha contado várias vezes, já que, se for o caso, é evidente que tem importância para a pessoa envolvida.
“Entre todas as coisas aquilo que mais pesa é a falta de amor. Pesa não receber um sorriso, não ser recebido. Pesam certos silêncios. Por vezes, também em família, entre marido e mulher, entre pais e filhos, entre irmãos. Sem amor, o esforço torna-se mais pesado, intolerável". Papa Francisco

A importância de sonhar
"Não é possível uma família sem o sonho. Numa família, quando se perde a capacidade de sonhar, os filhos não crescem, o amor não cresce; a vida debilita-se e apaga-se. Por isso, recomendo-vos que à noite, ao fazer o exame de consciência, vos ponhais também esta pergunta: Hoje sonhei com o futuro dos meus filhos? Hoje sonhei com o amor do meu esposo, da minha esposa? Hoje sonhei com os meus pais, os meus avós que fizeram a vida avançar até mim? […] Não percais esta capacidade de sonhar. E, na vida dos cônjuges, quantas dificuldades se resolvem, se conservarmos um espaço para o sonho, se nos detivermos a pensar no cônjuge e sonharmos com a bondade, com as coisas boas que tem. Por isso, é muito importante recuperar o amor através do sonho de cada dia. Nunca deixeis de ser namorados!" Papa Francisco.

segunda-feira, 27 de agosto de 2018

Francisco me representa...

O papa Francisco esteve na Irlanda, no Encontro Mundial das Famílias. Num país de forte tradição católica, gastou boa parte do seu tempo num tema delicado: o abuso sexual de menores por parte de elementos do clero. A forma como tem enfrentado o problema acirrou o ânimo de quem deseja ver o circo pegar fogo. Ou seja: acham o papa lerdo num momento em que preferiam ver fogueiras queimando culpados.
Equilibrando-se sobre o fio de uma navalha, Francisco tem feito a Igreja avançar e ganha a simpatia daqueles que ficaram marginalizados na própria Igreja, mas também de quem está fora e procura uma referência para sua fé e religiosidade. Na maior parte das vezes, quem deseja, até, que o papa renuncie está mais preocupado porque perdeu espaço de poder, de dinheiro e de vaidade.
A Igreja Católica Apostólica Romana está em crise. Assim como as demais religiões cristãs tradicionais. Embora carreguem na História a responsabilidade por muitos ganhos nas causas sociais e de relações humanas, vêem ressaltados seus pecados, cometidos, sempre, por aqueles que se aproveitaram de seus espaços para aventuras em busca de poder, prestígio político, financeiro ou fazer carreira.
A religião é a mediação entre o homem e Deus. O homem oferece a sua fé e Deus, a sua graça. Ninguém é obrigado a aceitar uma religião. E as religiões não tem o poder normativo de definir o comportamento das pessoas. Elas argumentam e tentam convencer. As que fazem proselitismo (conversão à força) equivocam-se, porque, mais cedo ou mais tarde, perderão pretensos seguidores.
Na verdade, as religiões estão se depurando. A História vai mostrar que este é um tempo de tomada de decisão. E o baluarte da Igreja Católica se chama Francisco. Que instruiu: "a vida cristã não se limita à hora de rezar, mas requer um compromisso contínuo e corajoso que nasce da oração". Dentro de um tripé lógico: um homem de fé encontra o lugar para se energizar na religião, mas precisa ser presença no meio social.
A religião Católica cometeu erros. Ainda resta quem deseja fazer dos seus redutos espaços de influência política, econômica ou até para atender vaidades (inclusive intelectual). Mas o reconhecimento dos pecados cometidos é um avanço dos tempos em que praticamente tudo era encoberto. Porém, instituições conservadoras - como as igrejas tradicionais - andam devagar... mas andam!
Francisco me representa... Os tempos atuais pedem uma Igreja menos ritualista e mais solidária, retoma o jeito de ser dos primeiros cristãos, que viam na mensagem do jovem Galileu a proposta de uma sociedade de justiça e de paz. Menos gente, mas fortalecida por uma volta às origens vai perder muito de seus anéis, mas, ao partir do pão, ouvirá a voz Daquele que a desafiou: "não temam, Eu venci o Mundo!".

segunda-feira, 20 de agosto de 2018

Família: um lugar para sonhar

No dia 30 de agosto participo da Escola de formação do Movimento Familiar Cristão. Tenho pela frente uma série de atividades na esfera da reflexão de temas necessários à atuação de grupos. Especialmente dentro da Igreja Católica, mas também daqueles que desejam aprofundar a sua fé, religiosidade e inserção social.
A família pode ser o lugar de realização dos sonhos… ou onde se vive os mais difíceis pesadelos. Hoje, fala-se de diversos temas - educação, por exemplo - de tal forma desconectados da realidade que parece cortina de fumaça para que se joguem palavras ao vento, sem nenhum interesse real de que problemas sejam resolvidos.
A família é um deles. Este lugar privilegiado, onde se aprende, desde cedo, valores e referências; a vida empurra para o mundo, não prontos, mas capazes de enfrentar dificuldades; é mais forte o sentimento de que se é capaz de amar... e torna-se um porto seguro para se voltar na esperança de curar feridas e, ainda, ganhar um colo!
Infelizmente, seu tamanho diminuiu e restou um núcleo formado por pais e filhos. As novas formas de convívio não têm lugar para tios, primos e até avós... Sem que se tenha aprendido uma lição: afastar-se das pessoas idosas pode ter muitas explicações, mas nenhuma justifica; um ganho da individualidade, mas uma perda na afetividade!
O mês de agosto, para a Igreja Católica, lembra vocações. A família é o lugar onde, por primeiro, se inicia a formação dos quadros que vão atuar na sociedade. Os pais são, por excelência, os primeiros educadores. Pena que, muitas vezes, ou não saibam disto ou se omitem.
Todas as vezes que vi jovens bem encaminhados no processo educacional havia por trás pais que lhes deram e usufruiram muito amor e carinho. Sem abrir mão de que compartilhavam com os demais educadores - professores inclusive - o dever de estabelecer limites e disciplina. Amigos, mas não "cúmplices". Definiram seus papeis e deles não abriram mão por saber o que representavam para o futuro dos filhos.
As mudanças sociais partem do pressuposto de que se precisa reinventar a educação, com investimento na formação de professores, ambientes escolares, ampliação do atendimento individual e social. Insuficiente se não se pensar, também, na formação dos pais para que não percam de vista a sua missão. É na família que se aprende o que signficia colocar no horizonte a capacidade de dar sentido a uma vida, de nunca, em hipótese alguma, deixar morrer um sonho. Alguém já disse: "os sonhos são como castelos no ar... para os quais levamos a vida inteira tentando construir alicerces!"

sábado, 18 de agosto de 2018

Voto planejado

As pesquisas a fim de tirar a temperatura do voto do brasileiro para as eleições de outubro são, no mínimo, assustadoras. Faltando menos de dois meses para o primeiro turno, mais da metade dos entrevistados ainda não decidiu sequer se vai votar ou - não sei se é pior - votar em branco ou anular seu voto. O quadro demonstra uma indiferença preocupante e a falência do nosso sistema de formação de opinião.
Como os meios de comunicação não podem entrar em detalhes, muitas lideranças, apenas, apelam para generalidades: que é necessário conhecer o candidato, sua história, ficha - inclusive na polícia, projeto político ou se é apenas mais um vaidoso em busca de holofotes. Mas, na prática, como estas coisas podem ser "desenhadas" para aqueles que formam a maioria silenciosa?
Por exemplo: seu candidato já é deputado? Agora, próximo das eleições, fica mais em sua cidade ou região do que em Porto Alegre ou Brasília? Então, não o reeleja! Você não trabalha todas as semanas, todos os dias? Porque seu candidato pode se dar "folga" do trabalho (e existem muitos projetos necessitando ser votados e estão engavetados por falta de quórum)? Então, deixe que fique mesmo em casa!
Você votou em alguém para vereador e agora seu candidato quer uma vaga na assembléia ou câmara dos deputados? Não o eleja. Ele já tem um mandato e um compromisso. Que não quer cumprir com quem votou nele. Foi eleito para quatro anos, não para dois e depois querer galgar degraus do poder. Ou tem um projeto político pessoal e interesses para o futuro, ou do partido, fortalecendo bancadas e, assim, aumentando a aquisição de verbas. Em ambos os casos, traiu sua confiança!
Campanhas de conscientização tem que ter um olho no conjunto da sociedade e outro nas decisões pessoais de cada eleitor. Recentemente, num jantar, o pessoal queria discutir em quem votar. Salutar que se faça isto. Precisamos discutir eleições em todos os ambientes possíveis. Ainda vamos ter muita gente decidindo na última hora. E isto significa, na manhã em que atravessar a rua para chegar à urna.
Incentivar a discussão do voto é planejamento, aprontando a "cola" num cartão para não esquecer dos números. São tantos: deputado estadual, federal, senador, governador, presidente... Ufa... cansa só em pensar! O mais fácil é anotar e não ter vergonha de demorar o tempo necessário para exercer o seu direito... e o seu dever! Afinal, em última instância, a responsabilidade é do eleitor, pois não é a "política que faz o candidato virar ladrão. É o seu voto que faz o ladrão virar político!"