quarta-feira, 23 de maio de 2018

O tempo não passa, voa

Revisitando meus textos:

O meu bairro tinha dois cinemas: o mais antigo, “Principal”; e o mais recente, “Tupy”. Nas décadas de 60 e 70, suas cornetas difundiam filmes, shows, notas e músicas. Aos domingos, um deles transmitia, a partir do meio-dia, a “grande parada de sucessos” de uma emissora de rádio. Era o máximo para quem queria dar uma namorada na frente de casa, enquanto os pais sesteavam; jogar bolinhas de gude ou trocar gibis.
Foi um tempo sem pressa em que, nas paradas, as músicas ficavam até um ano na primeira colocação e as letras gravadas em nossas memórias. Hoje, ouço com muita freqüência que “o tempo não passa, voa”. Num piscar de olhos, foi-se o final de ano; em seguida, o Carnaval e a Páscoa; passa julho e já estamos vivendo um novo final de ano. Na Escola, dizíamos que o primeiro semestre era devagar, mas o segundo, se não cuidássemos, iria a jato. Ultimamente, se descuidarmos, passa também o primeiro, sem perceber em que foi gasto!
Atualmente, muito se fala em “qualificar” o tempo, definindo prioridades profissionais e pessoais. No segundo caso, é preciso cuidar para não ficarmos reféns da espera pelo outro, pois facilmente nos acomodamos às pequenas rotinas, que não temos vontade de mudar (um amigo fez um ato de fé de que antes do Natal nos visitaria e marcaria um jantar. Estou esperando por ele, sentado).
O que mudou? O ritmo como enfrentamos a vida. Temos muitas oportunidades, especialmente na área da comunicação, que suprem as necessidades de ocupação do tempo, mesmo que atrofie um lado fundamental do ser humano: a convivência, mais difícil, pois exige atenção especial por não termos um controle remoto do outro, que pode surpreender, positiva ou negativamente.
Hoje, não se pode fazer uma “parada de sucessos” pela rapidez com que as músicas são produzidas, consumidas e descartadas, mas podemos repensar a forma como gastamos nosso tempo. Para os saudosistas, infelizmente, não volta o convívio das matinés barulhentas onde a perseguição aos bandidos era acompanhada de batidas com os pés no assoalho, obrigando a parar a fita e restabelecer “a ordem”.
Para além dos recursos de informática que nos cercam, temos necessidade do convívio humano. Não tenho receitas, mas um amigo disse que ao invés de ser atendido por uma máquina, no banco, entra na fila e para diante de alguém que possa olhar nos olhos e dizer: “olá, tudo bem?” O importante é ser criativo e qualificar o “hoje” para que o tempo não passe em vão, mas tenha sentido e sabor muito especial.  

"Eu não recebi nada do que pedi..."

Pedro viaja pelo Mundo. Em seus programas, faz um apanhado da cultura e curiosidades dos lugares por onde passa. Recentemente, esteve em Beirute. Uma das pautas, a visita a um restaurante que não tinha um chefe de cozinha... Na verdade, chefas de cozinha! O mais interessante: vindas do interior trazendo para a mesa comidas tradicionais, com temperos da região - um toque de saudade e nostalgia.
Num encontro, uma conhecida deu uma receita sobre envelhecimento: no necessário, era capaz de tirar a roupa do corpo para dar a um familiar. Mas... se a pessoa pudesse esperar e ela se dar um pequeno prazer, a opção era por ela mesma. Em outra situação, contou que filha e genro discutiam. Discretamente, levantou e foi embora. Encontrou a filha enraivecida porque a mãe não lhe dera razão. Disse que não. Qualquer coisa que dissesse, depois, quando os dois se acertassem, seria usado contra ela.
Circula na Internet a história de um homem que observava o desenvolvimento de uma lagarta em seu casulo, esperando que se transformasse em borboleta. Ao ver que o processo demorava, resolveu cortar o casulo para apressar o desenvolvimento. A lagarta não virou borboleta. Pois o esforço e o tempo que levava para se fortalecer era o que a faria bela, única e capaz de voar.
De autor desconhecido encerra com uma prece que, para mim, é um mantra: "Eu pedi forças e Deus me deu dificuldades para me fazer forte. Eu pedi sabedoria e Deus me deu problemas para resolver. Eu pedi amor e Deus me deu pessoas com problemas para ajudar. Eu pedi favores e Deus me deu oportunidades. Eu não recebi nada do que pedi, mas recebi tudo o que precisava..."
A vida é simples. Passamos tentando reencontrar nossas origens. E isto é bom. O que não se pode é viver com fixação naquilo que "já não se faz mais como antigamente". A senhora que se dava pequenos prazeres e não entrava em dividida, gostava de abençoar filhos e netos. Nada pedia a Deus, mas que entendesse Seus desígnios. A pessoa que me lembrou a história da lagarta passou por dura experiência tentando proteger a filha e a havia sufocado, não impedindo de chegar ao consumo de drogas.
A receita para amadurecer está em viver o final do mantra: "Eu não recebi nada do que pedi, mas tudo o que precisava..." Um jeito simples de viver pode ser o reencontro com o passado, encontrar espaços de sanidade mental, sabendo que há momentos para falar, mas muitos mais para silenciar. Pois, embora sejamos agentes protagonistas, é o tempo que fortalece, torna belo, único e, quem sabe, faz alguém "capaz de voar"!

quarta-feira, 16 de maio de 2018

Filhos do coração

Revisitando meus textos (2008):

Tem ocasiões em que a realidade toma contornos ou até supera a ficção. Foi o caso de uma reportagem em que se traçou o paralelo entre duas famílias que optaram pela adoção. Mesmo em situação de pobreza, quiseram ter, além dos filhos biológicos, “filhos do coração”. O gesto já era significativo: embora com poucos recursos têm o sentido da superação em que não basta apenas fazer o possível. E, em ambos os casos, até mesmo este limite foi superado quando resolveram adotar além de crianças “sadias” também, em cada caso, uma delas com lesão no cérebro.
O encontro foi emocionante. Em um dos momentos, depois de escolher duas crianças “normais”, a mãe viu que ficava uma. Foi advertida de que esta tinha “problemas” e que já teria muito trabalho com aquelas que adotou. Bastou, no entanto, a criança deixar de chorar e sorrir quando ela se aproximou para buscar o marido, disposta a também adotar a terceira. Contrariado, o esposo foi até o berçário e, novamente, o choro estancou. Tudo mudou quando, já no colo, o homem disse ou pensou ter ouviu claramente a palavra “pai”!
Depois, vão sendo mostradas as dificuldades: a complicação de adaptar a casa, os exercícios feitos em família, a preocupação com o futuro, a romaria em busca da fisioterapia e cuidados especiais. Veio, então, o segundo milagre: enquanto aguardavam pelo atendimento, duas mães conversam, na antessala, com crianças muito parecidas, embora com idades diferentes, ambas buscando aproximar-se, brincar e acariciarem-se. Conversa vai, conversa vem e a descoberta: filhos da mesma mãe e abandonadas exatamente por suas deficiências!
Conter as lágrimas, impossível. Mesmo os médicos e pessoal técnico, acostumados com revezes e situações dramáticas, emocionaram-se. Aconteceu um reencontro e a aproximação entre famílias que passaram a conviver por crianças consideradas “incapazes de ter algo a dar”. Uma cena forte é repetida ao finalizar a matéria quando uma das crianças, que ainda não consegue manter a cabeça erguida por muito tempo, aproxima-se do irmão e descansa em seu ombro. O outro acaricia sua cabeça e a beija!
Não há o que dizer, mas refletir: eu não teria a coragem daqueles pais, pois temos todas as teses do mundo para explicar como devem ser as relações sociais, mas apenas um gesto põe nossa teoria no bolso, mostrando que a vida tem variáveis imprevisíveis e desafiadoras. Fica claro que viver é uma aventura e um grande desafio, onde, conscientes das nossas carências, nunca estamos sozinhos e, apesar das dificuldades, mesmo não sendo filhos biológicos, ainda se pode ser filho do coração!

domingo, 13 de maio de 2018

Paulo: a jornada de um convertido

Paulo e Lucas viveram os primórdios do Cristianismo. Depois de cair, literalmente, do cavalo, Paulo passou a evangelizar o mundo fora da Judéia. Transformou-se no estrategista que levaria a "Seita do Caminho" até Roma, percorrendo as estradas conhecidas. E, no caminho, encontrou Lucas, convertido pelo testemunho do apóstolo. De descendência grega, homem de cultura, que, pelo interesse da medicina, também tinha feito suas andanças pelo Mediterrâneo.
O filme "Paulo, o Apóstolo" vai encontrá-los em Roma - anos 67 - quando Nero incendeia parte da cidade e faz dos cristãos (religião exótica para eles) bode expiatório necessário para desencadear as cenas de perseguição, tortura e martírio. Paulo está preso e tem em Lucas um companheiro fiel que o acompanha em seus últimos momentos. Recordam suas jornadas - o anúncio da Boa Nova - enquanto andarilhos e registravam o que seriam o Evangelho de Lucas e os Atos dos Apóstolos.
Quando as mortes começam a acontecer, evidencia-se o dilema: como amar a quem os persegue? Como rezar em meio a tanto sofrimento? uma das belas cenas é quando, em diversas situações, reza-se o Pai Nosso: o prisioneiro fazendo o ritual da Eucaristia; os condenados a caminho da arena para enfrentar as feras e os libertos que deixam Roma em busca da sobrevivência. A tensão se mostra quando Paulo anuncia que a decisão tem que ser pessoal, baseada no amor, que desencadeia a solidariedade.
Paulo purga seus pecados sabendo que seus crimes foram medonhos. Seus sonhos são atormentados pelo martírio de Estêvão, que morreu à sua frente e com o seu consentimento; passando por aldeias onde matou homens, mulheres e crianças. Com um único crime: acreditaram na pregação do Homem de Nazaré e dos seus seguidores.
Ao longo da História e ainda hoje, a cada instante, há alguém que reza o Pai Nosso. A energia mística que faz de uma prece a capacidade de dar forças em momentos difíceis, estimular a que não se desista, mostrar todo o carinho de Deus para com o ser humano. Paulo sentiu isto. Na sua morte, reencontra todos aqueles que vitimou. Não há mais perseguidos e perseguidores, mas a certeza de que também pode ser perdoado.
Faz a jornada de um convertido. Uma alma que se liberta de seus tormentos. Descobre que a pedagogia do amor trabalha com as fraquezas e omissões. A abertura para o Infinito é que pode fazer o homem reencontrar a sua própria humanidade. E a certeza de que, apesar de todas as agruras, percorrendo caminhos incertos e doloridos, ainda guarda - na saudade da morada eterna - uma fagulha de Deus!

domingo, 6 de maio de 2018

Sonho e compromisso

Noite de temperatura amena. A janta terminou e se ficou ao redor da mesa. O Agostinho fez a pergunta: o que os manteve juntos por 40 anos? Um olhou para o outro. Não responderam em coro, mas confirmaram o que já se sabia: a capacidade de manter a cumplicidade - sem perder a identidade - fizera deles um casal exemplar.
José Inácio e Sandra têm uma longa história. Ela disse que aquilo que os manteve unidos foi um sonho. Ainda estava nos bancos escolares quando conheceu um grupo de jovens - ele estava no meio - que se apresentou falando a respeito de vivência comunitária. Estavam nascendo as Comunidades Eclesiais de Base, nos fundos do Areal e depois migrando para Monte Bonito, onde ainda hoje residem e atuam.
O José Inácio é mais tranquilo. Olhar sereno procurando quase que falar com cada um em particular, e tinha a receita: o compromisso. O sonho se fazia concretude no compromisso que um estabeleceu com o outro e os dois fizeram com a comunidade e, mais tarde, com a família. O jeito de ser de cada um - diferente e complementar - ajudou no engajamento social e a cuidar dos seus.
Foi o Paulo Sérgio que insistiu em jantarmos juntos. O que foi uma bênção. Não os via há muito tempo e tive a graça de encontrá-los numa fase em que já se pode avaliar a caminhada porque, embora não pareça que o tempo tenha passado, há uma estrada percorrida. Ele diácono da igreja, ela lidando com educação, sabem que participaram da história de muitos moradores daquela região e também da diocese católica.
Falou-se de família e do que leva, muitas vezes, a relação de um casal a dar certo - ou não. Que é fundamental estabelecer a cumplicidade sem perder a autonomia de cada um. Quando isto desaparece, não há mais sentido em permanecer juntos. Mas há um outro elemento que ainda pode fazer com que tenham atividades conjuntas: os filhos.
Naquela noite fiquei com esta impressão: juntos ou não, encontrei casais que souberam educar filhos e, especialmente, ajudaram-nos a criar a própria identidade e buscar o seu lugar social. A referência continua sendo a família - do jeito que for - com a tranquilidade de saber que ali encontram um porto seguro.
No interior de Monte Bonito, à beira de um fogão à lenha, um casal alimenta o seu sonho: uma família amadurecida e que a humanidade ainda tem jeito. Em suas atividades continua com o entusiasmo que os encontrou quando jovens e que não perderam ao longo de sua história. Um mistério? É possível, um mistério que somente o compromisso de viver a fé, a sua religião e o serviço de busca por uma sociedade mais justa conseguiu manter ao longo de 40 anos!

quinta-feira, 3 de maio de 2018

Cuidar de gente




No dia 22 de outubro de 2015, estive na Catedral São Francisco de Paula, na preparação da Romaria de Nossa Senhora de Guadalupe. O tema era "o leigo e Maria", experiência com relação a Nossa Senhora, mas também com a Família de Nazaré. Não sou teólogo, portanto, quando converso com grupos, falo como leigo, com vivência de Igreja, e considero José e Maria os primeiros leigos e uma das grandes inspirações para os que são consagrados pelo batismo a pertencerem à fé cristã, sem nenhuma ordem.

Em qualquer grupo, a discussão incendeia quando se tenta descobrir porque Deus resolveu encarnar na realidade do Mundo, através de Jesus. Tenho uma tese: Deus queria aprender a cuidar de gente! Uma das histórias mais bonitas a respeito de "mãe" é aquela em que uma criança vai nascer e diz a Deus que não sabe falar, não sabe se cuidar, não sabe tomar iniciativas. Deus diz que alguém tomará conta dela. A criança, encantada com as maravilhas ditas sobre quem a cuidaria, quis saber o nome deste "Anjo". Na despedida do Céu, Deus sorriu e balbuciou: "Mãe"!

É exatamente o que se aprende em família. Pai e mãe devem exercer este papel sagrado e, depois, acontece o mesmo entre os irmãos: eu até posso brigar com meus irmãos. Mas pobre daquele que resolver de alguma forma brigar com eles! Nem sempre nossos gênios são compatíveis, muitas vezes estamos à distância, mas fica para sempre o laço da família que nos gerou e apresentou ao Mundo.

Santa Helena, a mãe do imperador Constantino, viveu no tempo em que seu filho reconheceu, pela primeira vez, o Cristianismo como religião. Sua conversão se deu quando uma empregada ficou doente e, como era o costume, foi colocada na rua. Depois de alguns dias, discretamente, Helena saiu em busca da moça e a encontrou numa igreja, sendo cuidada por religiosos. O impacto foi tanto que se tornou voluntária cuidando de outros doentes e entendeu a diferença das propostas da Religião Romana, individualista, e do Cristianismo, de atenção ao social e às necessidades mais elementares das pessoas.

Quando alguns dizem que perderam a fé na Humanidade porque ela é violenta e o que vemos no dia a dia é exatamente o contrário do que pregam as religiões, não consigo entender. Todas as religiões falam de paz e solidariedade. Fundamentalistas existem em todas elas, mas somente se tornam influentes pela omissão daqueles que poderiam redirecionar o sentido de suas práticas religiosas.

Falar do "leigo e Maria", hoje, é lembrar que uma família, em Nazaré, há mais de dois mil anos, entregou um filho ao Mundo exatamente porque sabia que Ele seria, tendo aprendido da melhor de todas as fontes, capaz de cuidar de gente!

domingo, 29 de abril de 2018

"Eu sou teu grude"


Semana passada, o papa Francisco visitou um hospital que trata crianças com câncer. Naquele seu jeito "avô bonachão" percorreu corredores cumprimentando médicos, enfermeiros, atendentes, pais, crianças, para as quais dedicou especial atenção, abraçando e beijando. Óbvio que, nesta hora, não faltam os que pedem autógrafos: fazia os votos de recuperação e assinava: Francisco. Simplesmente, Francisco!
Tenho falado seguidamente da preocupação com aqueles que desejam o título de "pessoa simples", ou, num outro grau, de "pessoa humilde". Diante de um Francisco, confirma-se que não basta apenas querer, mas é necessário viver. E a explicação é clara: é um estilo de vida em que se abre mão de ambições para dar valor àquilo que é mais elementar - fazer o bem, alcançar o coração a quem precisa.
Muitas histórias mostram isto. A menina/mãe em depressão encontrou nos momentos que o filho ficava com ela o seu espaço de sanidade mental. Em cada despedida, um alento: "mãe, tu fica bem. Eu sou teu grude!". Além do tratamento, da medicação, dos familiares e amigos havia um pequeno ser que lhe norteava a esperança. Precisava superar todos os entraves porque tinha um motivo para viver e a certeza de que em breve não seriam apenas finais de semana, mas todos os dias com ele ao seu lado.
Depois do diagnóstico de depressão, mãe e filha que não se davam bem reescreveram suas histórias. Dona Lívia foi chamada pela médica: a filha não sairia daquele quadro sozinha. Morava numa casa, a filha em apartamento. A médica contou que a paciente gostava de plantar chás. Nem isto sabia. Convidou para ocuparem a horta juntas: ela com as flores e a outra com os chás. De início, cada uma pelo seu lado, mas passaram a se ajudar. Decidiram almoçar juntas: à mesa, as flores da mãe e os chás da filha.
Tudo o que se diz, o que se faz, o carinho dispensado, a terapia envolvida, a medicação necessária chega até um determinado ponto. Depois, a estrada afunila e é por onde apenas uma pessoa pode passar. Na maior parte das vezes, mais do que profissionais, familiares e amigos convencer-se da mudança está na pessoa. Especialmente quando encontra alguém que lhe dê motivo para refazer a própria vida.
O papa não era um príncipe desfilando pelos corredores. A menina repetiu diversas vezes o que o filho lhe havia dito. Dona Lívia descobriu no abraço da filha um sentido para envelhecer. A receita sempre esteve ao alcance: valorizar pequenas coisas, estender a mão para quem chegou perigosamente à beira do abismo. Na busca pela felicidade, viver, apenas, viver. O que qualquer um precisa é simples e pode ser dito - e se quer ouvir - carregado de carinho: "fica bem. Eu sou teu grude"!