quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Os dramas da saúde pública e privada

Na manhã de segunda, combinei com uma equipe de remoção da Unimed Pelotas o transporte - pelo custo de 60 reais - da dona Francinha - minha mãe - para o Pronto Atendimento, a fim de tentar fechar feridas - algumas já em fase de escaras - necessitando de remoção de tecidos necrosados e raspagem das feridas. Na terça, aconteceu o deslocamento sendo prontamente atendida por um clínico geral que, nos disse, ser necessária a atuação de um cirurgião para o procedimento.
Nossa agonia se estendeu desde as 14 horas até quase 20 horas, quando houve o atendimento cirúrgico e a surpresa: além das feridas, aparecia, muito fortemente, um processo infeccioso, sendo, portanto, necessário internação. Como já era quase 21 horas, não havia quem se responsabilizasse, portanto, ficou no pronto atendimento até esta quarta, quando conseguiram um quarto.
Com tanto tempo à disposição para não fazer nada - o que é uma coisa horrível em meio a todos os males e tormentos - passamos a tentar um atendimento domiciliar, que a Unimed chama de "Home care", já que o processo de cicatrização tem sido difícil e dona Francinha praticamente não auxilia em nenhum movimento físico. As respostas eram evasivas, passando pela dificuldade de incluir no programa que, segundo diziam, sempre estava cheio, além de que sua atuação era relativamente restrita.
Ao médico que fechou o processo, tive que constatar que, então, era melhor estar em tratamento no SUS e pensar no Programa de Internação Domiciliar que, em Pelotas, vem sendo ampliado, assim como qualificado. Sorriu e disse que não poderiam competir com a Universidade Federal.
Minha irmã veio de Canela, onde recentemente precisou de tratamento para detectar e cuidar de um tumor benigno. Ficou surpresa em como tudo aconteceu com agilidade, desde o clínico geral, passando pelo especialista, até os exames necessários. Foi o mesmo que nos disse minha sobrinha que veio de Florianópolis, onde diz que o sistema de postinhos funciona, assim como as Unidades de Pronto Atendimento e o Pronto Socorro.
Se isto funciona em outros centros, porque sofremos tanto aqui em Pelotas? O atendimento a um idoso ou alguém com algum problema mais sério, deveria ser uma prioridade. Mas não é o que vemos na saúde pública e sequer na privada. Infelizmente, parece que a segunda se espelha na primeira para - guardando as devidas proporções - ter as mesmas mazelas, no que se refere à inoperância e à incompetência.
Para nós, este capítulo ainda não está encerrado. Tenho certeza que vamos precisar novamente destes serviços, então é necessário se munir de muita paciência e lutar para que se faça justiça, cumprindo o que diz a nossa lei maior de que "a saúde é um direito universal do cidadão".
Postar um comentário