segunda-feira, 14 de agosto de 2017

O entardecer de nossos dias

Envelhecer leva a ter mais paciência com os jovens... e com os mais velhos! Seguidamente, saudosistas elencam o que era bom no passado. O sinal mais evidente é acharem as músicas da sua mocidade as melhores. Juventude é, também, um estado de espírito e, sem contrariar o físico, presentificam-se velhos e bons tempos.
Tomar consciência que, exatamente por se viver hoje, com os avanços tecnológicos, é que se recupera material - musicais, por exemplo - das diferentes décadas. É, então, que apresento a sugestão para quem já se aposentou e busca ocupação: kit básico - um bom par de tênis e um tablet.
Não sei se esta é a receita ideal. É a minha receita. Leva em consideração que um dos maiores pecados da atualidade é o sedentarismo e, caminhando (o par de tênis) pratica-se exercícios e, ao mesmo tempo, faz-se uma higiene mental ao sair para a rua, em busca de ar e interação.
Hoje diminuiu a vida em família - embora se mantenha muitos parentes. Então, aprende-se que ficar sozinho não é, obrigatoriamente, sinônimo de solidão. O convívio não se dá da mesma forma. A interação é planejada pelas redes. O tablet mantém viva relações sociais e recolhe músicas, filmes, livros...
Claro, nas conversas tem sempre aquele que diz preferir o cheiro e a textura das páginas do livro impresso para um poema, uma crônica, uma boa história. Para estes lembro que ao Gutemberg inventar os tipos móveis saudosistas torceram o nariz porque ainda preferiam fazer suas leituras em pergaminho e papiro...
O importante quando se busca instrumentos que levem as pessoas a circularem pelas ruas, sindicatos, associações, igrejas, é que tenham consciência de que novos tempos geram novas formas de convivência. Um conhecido dizia: "não tenho medo de ficar sozinho, o que me assusta é a possibilidade de ser abandonado".
Não são somente as famílias que estão diminuindo. As relações também estão se diferenciando e, em muitos casos, aqueles que saem das casas dos pais não querem casar ou manter uma relação estável. Há uma reengenharia da convivência e, especialmente, do jeito como as pessoas estão encarando a si mesmas.
Envelhecer não precisa ser a certeza de dependência. Sem procurar culpados, é preferível ser feliz sozinho do que amargurar que toda a experiência de uma vida não ficou como bênção. Na "inutilidade" encontrar um porto seguro que, silenciosamente, alcance a mão e o coração para dar dignidade ao entardecer de nossos dias.

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Educação: as razões para viver

Quando se fala em educação, uma das imagens apresentadas diz que as crianças chegam faltando um instrumento: o manual técnico de montagem e uso. Seguindo o mesmo raciocínio, um palestrante brincava não ser este o problema, já que, como na vida real, dificilmente lemos os manuais antes de manusear um eletrônico e somente recorremos a ele quando temos problemas, muitas vezes causados por mau uso!
Lembrei da imagem ao participar de encontros com educadores. Num deles, a professora falava de atitudes das crianças sendo algumas toleradas e até incentivadas quando pequenas, mas recebiam a repressão dos pais depois de uma certa idade. Caso típico das danças eróticas em moda.
Uma avó contou o caso do neto que aprontava todas quando tinha "plateia" e, ficando apenas com os pais, mantinha-se calmo. Em ambos, parece-me que a preocupação da criança não é dar show, mas pedir a atenção. Em tempos difíceis de ter em torno pais, avós, tios... envolvidos, a criança apenas repete aquilo que chama para si a atenção do adulto - sem distinção de certo ou errado.
No encontro de escritores com professores na Academia Pelotense de Letras novamente foi apresentada questão semelhante, por outro ângulo: crianças tranquilas para brincar, desenhar, representar - enfim - serem crianças, ao chegar à pré-adolescência ficam inibidas de tudo que chame a atenção sobre elas.
Encontraram na produção de textos motivação para todas as idades. A literatura é um instrumento do qual a pedagogia pode - e deve - se valer. A criação de histórias - textos e ilustrações - sua leitura e representação, incendeia a imaginação de crianças e jovens, nas páginas do papel ou telas de computadores.
Os aspectos lúdicos, culturais e esportivos também ajudam professores na compreensão dos conteúdos diários. Tanto para homens e mulheres que escrevem - quanto para as demais áreas - é importante a humildade diante do conhecimento. Não "transmitimos ensinamentos", propiciamos instrumentos para que a criança e o jovem façam o seu próprio processo de descobertas e aprendizado.
Uma criança é um ser chegando ao mundo com o olhar encantado com o que vê, ouve, sente. O adulto perdeu este encantamento. Os professores que fazem esta nova cruzada - da mesma forma que Rubem Alves - têm razão: "sem a educação das sensibilidades, todas as habilidades são tolas e sem sentido". Porque "são as crianças, que, sem falar, nos ensinam as razões para viver". Simples assim. O problema continuam sendo os manuais...