quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Tolerância zero

A expressão não é nova, caracterizou um período dos mais difíceis em Nova Iorque, quando seu governo decidiu que era hora de dar um basta à bandidagem que tomava conta das suas ruas: tolerância zero. Significava: nem os pequenos erros - muito menos os grandes - eram tolerados, sem ter a sua consequência.
Recentemente, ouvi um comentarista falando a respeito da questão de álcool e direção, na Espanha, onde qualquer transgressão é punida com cadeia. Quando a ficha caiu, os motoristas viram-se obrigados a se conscientizar e não misturar as duas coisas, baixando, impressionantemente, o número de autuações.
Pois esta semana, a Justiça Esportiva julgou o jogador Bolivar, do Internacional, e resolveu, além da pena convencional, ainda mantê-lo suspenso de jogar enquanto o jogador do Bahia que foi atingido em uma jogada intempestiva, não voltar a jogar.
Alguém chegou a comparar com a Lei de Talião, isto é, "olho por olho, dente por dente". A comparação, embora tenha sido feita de forma depreciativa, tem um quê de verdade. O que assistimos, em muitos casos, não são atitudes esportivas, mas autênticos atos de bandidagem, seguidos pelo erguer de braços, como se dissesse: "não tive nada com isto".
Muitos vão dizer que é exagero, mas se não for criada uma cultura do respeito pela integridade física do outro, muitas desculpas esfarrapadas serão dadas para aqueles que terão suas atividades profissionais suspensas por um ato impensado.
A tolerância zero tem que valer para a área política, esportiva e, mesmo, familiar: achar que um jovem pode fazer tudo o que quer porque está em fase de experimentação, está plantando um caminho quase irreversível. Então, que ao menos se tenha claro as regras, que, se forem afrontadas, reste pagar pelo que foi feito, independente do seu salário, posição social, ou proximidade familiar.
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