segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Traçando o próprio destino


A imagem era patética e, com certeza, não iria dar em boa coisa: primeiro os adolescentes encontraram um sulco na pedra onde colocaram gasolina e fogo, passando de skate por cima. Cansaram e resolveram encharcar também as pernas de um deles com combustível e acender fogo sobre a pedra. Não deu outra, o fogo subiu pelas calças e embora o garoto tentasse de tudo e gritasse “meu Deus, meu Deus”, somente quando caiu e os outros destroçaram a calça foi que conseguiu se safar, com as pernas queimadas.
As igrejas cristãs não acreditam em destino, ao menos não neste que se lêem nas cartas ou se anuncia em horóscopos ou mapas astrais. Acreditam que o próprio homem faz o seu destino, com uma série de fatores que poderiam ser elencados desde a busca por qualidade de vida – alimentação, exercícios físicos e mentais, bons relacionamentos, mas também de encaminhamento da vida, pois o que plantamos em nossa juventude e como adultos, vamos colher em nossa velhice.
Claro que, muitas vezes, temos consciência que estamos plantando o pior – especialmente nos vícios socialmente aceitos, como álcool e fumo – mas há uma dificuldade grande em reverter este caminho. Então, olhamos para o destino que traçamos com a certeza de que, mais cedo ou mais tarde, acabaremos pagando um preço.
O garoto que procurava adrenalina colocando combustível no chão e nas próprias calças sabia que o acidente era possível. Correu o risco e perdeu. Tomara que a ardência de alguns dias e as marcas que possivelmente ficarão para toda a vida sirvam ao menos de lição. Sempre acreditei que para se aprender não basta ouvir conselhos, em uma ou outra ocasião é preciso bater com a própria cabeça para aprender. Certamente isto também dói na gente quando acompanhamos o processo, porque também aprendemos da forma mais difícil. Este garoto não está apenas aprendendo que não se chama por Deus irresponsavelmente, mas, de alguma forma, está traçando o próprio destino.
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