terça-feira, 22 de novembro de 2011

O arrogante discurso da simplicidade


A revista Isto É desta semana traz a entrevista do acupunturista Gu Hanghu, que já tratou de diversas figuras da República, em Brasília, entre eles o ex-presidente Lula, assim como a presidente Dilma Rousseff. Simples, falou a respeito do que faz, do que não pode fazer e dos seus sonhos com a profissão que reverencia como se religião fosse.
Em diversos momentos, o entrevistador queria colocar um “pega ratão” (gíria para aquelas perguntas maliciosas que fogem ao assunto focado), mas, com toda a “finesse”, voltava ao tema para o qual tinha concedido a entrevista.
Um homem profundamente conhecedor do seu “metier”, que revelou não cobrar nada da presidente e do ex-presidente, inclusive se deslocando até o Palácio por conta própria, porque achava que era uma contribuição que dava ao país: se a sua liderança maior pudesse relaxar e atuar de forma menos estressada, também estaria contribuído, num tributo à cidadania.
Depois disto, fui até um centro que atende pessoas carentes. Fiquei preocupado com a forma de atuação de algumas pessoas: desatentas, mal informadas, sonegando informações, tratando as pessoas como se estivessem fazendo um imenso favor. Pena, embora falem de simplicidade nos seus discursos, não sabem atender aos simples com o direito que têm.
Confesso que me preocupa quando figuras religiosas se caracterizam como simples e humildes. Um marketing perigoso que, nem sempre, corresponde à realidade: o discurso é vazio e não diz aquilo que é a realidade.
A simplicidade não é uma espécie de vestimenta, mas um estilo de vida. Não significa maior ou menor gasto de dinheiro, mas um comportamento que esquece os primeiros lugares para estar com aqueles que são considerados marginalizados: não se faz diferente, vivendo com eles, mas sabe que este é um caminho a trilhar, com muitos tropeços, mas que exige, sempre, coerência. A não ser assim, esqueça de todo o resto, porque vai parecer que é, apenas, um arrogante discurso da simplicidade.
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