segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

A morte, o espetáculo e seus atores


A defesa de Lindemberg Alves Fernandes, acusado de matar a estudante Eloá Cristina Pimentel, 15 anos, está usando como tática culpar o Grupo de Ações Táticas Especiais da Polícia Militar de São Paulo e a imprensa. Tenho pensado nisto há algum tempo: a responsabilidade dos integrantes da área militar e do jornalismo no campo da ética, em coberturas onde a vida está em risco.
Não resta dúvida que muitos destes eventos foram espetacularizados, onde, muitas vezes, os limites são bem mal definidos. Por conta disto, em muitos casos, espetáculo e protagonistas se confundem.
No caso da imprensa, em muitos casos, a pressa em dar a notícia confunde os limites e faz com que parentes e amigos das vítimas também sejam vítimas, pois recebem através dos meios de comunicação a narração de desgraças, como acidentes, envolvimento em seqüestros, etc.
Também os militares não escapam. A falta de preparo acaba transformando-os em fontes que perdem a noção diante das luzes das câmaras e a atração dos microfones. Tornam-se “artistas” por um dia, dizendo impropriedades em horas inadequadas.
No caso citado, as duas coisas se juntaram e foram sendo passadas para vizinhos, parentes e, até, os três que estavam dentro da casa: Lindemberg, Eloá e uma amiga. O passar dos dias transformou a todos os envolvidos em protagonistas de uma grande tragédia com o final plenamente anunciado.
Estes limites, realmente, são muito difíceis. Mas é necessário que retomemos a discussão ética e moral de certas coberturas. Mesmo que se diga que o ridículo e a tragédia têm papel especial na cabeça da maior parte da população, isto também faz parte do papel da comunicação, que é educar um povo para que mude e assuma a sua própria cidadania.
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