quinta-feira, 5 de julho de 2012

O vazio da palavra

Depois do período de aulas convencionais, vem o tempo das palestras. Fazer quatro palestras na corrida, em dois dias, não é exatamente um problema. Na verdade, a adrenalina corre solta, porque as palestras são pedidas por públicos específicos e interessados. Então, a energia que vem dos diversos grupos alimenta quem teve que preparar, aceita o desafio de apresentar temas e busca a avaliação.
Eu, confesso, depois que termino uma palestra, levo algum tempo para baixar meus batimentos cardíacos. Fico a mil! Mas, depois, a sensação do dever cumprido, também leva a uma sensação de que faltou algo. De fato, o que as palavras disseram não corresponde àquilo que os corações procuraram. Somos eternamente insaciáveis. Então, é deixar que o tempo faça o seu trabalho.
E o que o tempo pode fazer? Os retornos são, quase sempre, pequenas experiências feitas nos ambientes domésticos ou de trabalho, em que as pessoas dizem que passaram a ter um olhar diferente sobre uma mesma realidade. Esta é a transformação. Da qual, quem palestra, é apenas um instrumento. Pois, quem faz a mudança, é a própria pessoa, que deseja mudar. O toque das mudanças sociais não são as grandes mobilizações políticas, mas sim, a consciência de cada um que se deu conta de que precisa mudar.
Quando isto acontece, as palavras ficam vazias. Os sentimentos se expressam na alegria de olhos marejados que abraçam causas e sabem que, na perspectiva do horizonte, está a sofreguidão de buscar no outro o meu sentido de ser completo. A sensação de que o Universos conspira para nos fazer felizes, mas que, seguidamente, para alcançar a própria felicidade, batemos em porta errada.
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