sexta-feira, 27 de julho de 2012

Aposentados, mas não mortos 2


Os principais jornais do país publicaram esta semana que as mudanças na legislação da aposentadoria – incluindo o fim do fator previdenciário – que poderia ser votado antes da eleição é um engodo eleitoral, que a presidente Dilma quer levar “com a barriga”, para que não se resolva de imediato. O presidente da Câmara dos Deputados, o gaúcho Marco Maia, foi seduzido por jantares no Planalto e pelo convite para integrar a comitiva que vai à Inglaterra assistir aos Jogos Olímpicos.
A discussão se alonga e a estratégia do governo é não resolvê-la apontando problemas que seriam criados, para os quais os já aposentados e futuros em nada contribuíram. Mas que teriam que pagar a conta, em vista de desmandos cometidos em passadas administrações, todas sob o comando do mesmo partido, que não pode atirar pedra sobre os administradores anteriores, pois as atirariam sobre seu próprio telhado.
Três questões, hoje, angustiam: a forma como a saúde é tratada, o sentimento de que estamos num país onde impera a insegurança, e a sensação de que, pensar em aposentadoria, é definhar longe de garantias e retribuição que este tempo deveria ter.
Algumas profissões, entre elas a de professor, que hoje exerço, são de alto desgaste, fazendo com que, relativamente cedo, recorra-se a medicações, especialmente para a pressão arterial, colesterol, ansiedade e depressão. Nada mais justo do que, passado o tempo em que foi cumprido o que o governo pediu – 35 anos de atividade comprovada – se possa “descansar em paz”. Infelizmente, a expressão tem se concretizado para um bom número que, não contando com retribuição adequada, morre cedo.
Aposentado vota, tem tempo para ficar atento àqueles que agem contra seus interesses e pode fazer campanha. Da presidente, que manobra por interesses não esclarecidos, passando pelo candidato a prefeito e chegando ao vereador que apóia estas ações, é hora de dar um basta. Aposentado, mas não morto: tem direito à dignidade de viver a terceira idade com o fruto de seu trabalho e não com propostas assistencialistas que rendem votos dos incautos, mas não daqueles que, hoje, sentem na pele a insensibilidade de governos que pensam em cifrões, mas não em saúde, segurança, educação e.... aposentadoria.

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