terça-feira, 24 de julho de 2012

Hospital, segundo dia.

A dona França está boa de cama: dorme durante todo o tempo. Precisamos acordá-la para as coisas mais simples: café da tarde, janta, gelatina, pequenas conversas e visitas. No mais, é aprender que pequenas coisas auxiliam na vida funcional de alguém que precisa de cuidados.
Para alguém deitado, dar água, café ou chá é um dos grandes tormentos. "Pois seus problemas acabaram". Um copo com um canudo sanfonado permite que não se derrame nenhum líquido e, ainda, é higiênico, porque o mesmo orifício que permite a entrada de ar, depois de usado, é tampado pelo próprio canudo.
Nos últimos anos, tenho sido usuário/acompanhante em diversos hospitais e fui vendo a evolução em pequenos detalhes que acabam fazendo a diferença: para a mobilidade, além de diversos tipos de bengalas, os andadores, cadeiras (comum e de banho); os recursos para alimentação, que tornam passada a expressão "comida de hospital", como algo sem sabor e sem graça; os recursos de higiene, começando pelas próprias fraldas, que hoje já não são apenas geriátricas ou infantis, mas, em alguns casos, de uso em qualquer pessoa.
Por outro lado, o efeito bomba que se tornou cada hospital: o receio por vírus de todos os tipos e transmitidos de diversas formas. Em cada roda de conversa entre visitantes, sempre há uma história cabeluda para contar de alguém que contraiu alguma enfermidade cuidando de paciente, ou de paciente que, ao voltar para casa, trouxe junto algo mais do que levou.
Como diz a Neida (nossa secretária do lar), é um tempo que não passa. Plantão por uma pessoa doente exige paciência e, quando se está para perdê-la, renovar a esperança de que mais dia menos dia a gente volta pra casa, pra vidinha pacata de quem quer apenas receber os amigos, colocar água nas plantas ou fazer e partilhar um bom e generoso almoço.
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