quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Natal: quando Deus precisa de uma mãe

O evangelho de São Lucas serve de base para a maior parte das reflexões em Missas neste próximo Ano Litúrgico. Também é aquele que trata com mais elementos a celebração deste 25 de dezembro: o nascimento de Jesus. Dos quatro evangelistas, apenas São Mateus também narra a saga do anúncio, concepção e nascimento do Menino Deus.
Os teólogos podem até torcer o nariz, mas da forma como se apresentam as narrativas a impressão que se tem é de que Mateus conta os fatos pela ótica de José (o homem) e Lucas tem o enfoque de Maria (a mulher, a mãe). Mateus era judeu e conviveu com Nossa Senhora durante os três anos da vida pública de Jesus. Lucas foi procurá-la alguns anos depois, precisando de uma boa e confiável fonte para escrever o Evangelho pedido por são Paulo. Era sírio - portanto, gentio, como os israelitas chamavam os não-judeus.
Lucas era medico, com experiência de atender pacientes em sua terra, na Grécia - de onde eram seus pais - mas também de Roma e da costa do Mediterrâneo. Encontrar Maria depois de convertido e passar longas horas conversando sobre Jesus foi um bálsamo para seu espirito conturbado. Não queria apenas uma testemunha da Historia, estava diante da mulher que, na maior parte das vezes de forma silenciosa, soube ser protagonista.
A conversa fluiu para detalhes que passaram batidos para os outros evangelistas. No coração de mãe havia dois momentos que ficaram cinzelados: o motivo da riqueza de detalhes e palavras que a fariam lembrada "de geração em geração", do anúncio do Anjo aos 12 anos de Jesus. Também o fim - esperado, mas não desejado - quando a despedida gravou nas retinas de Maria o carinho pelo filho que sussurrava a palavra "mãe".
Em muitas tardes, depois das lides da casa, Maria sentou um tempo para organizar suas lembranças. Preciosista, Lucas pediu que repetisse detalhes, tornando a conversa metódica, mas cansativa.
Quando chegaram ao fim, Maria encostou-se na parede e semicerrou os olhos. Quanto mais as lembranças iam ficando longe dos olhos, também ficavam nas brumas do coração. Havia uma doçura indescritível em pensar no Menino que nascera desengonçado e recebeu como primeiro berço uma manjedoura, na falta de jeito em lhe dar de mamar pela primeira vez, na forma como colocava o dedo na boca enquanto dormia. Tudo agora eram boas e doces lembranças. Um dia o Mundo ainda iria lembrar do seu nascimento. Para ela, bastava ter ouvido seu primeiro choro, as primeiras palavras e sido companheira fiel por toda uma vida. Afinal, foi para isto que Deus quis precisar de uma mãe!
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