quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

A paz e o silêncio dos bons

Quando os Anjos anunciaram: "paz na Terra aos homens de boa vontade!" não esperavam que, dois mil anos depois, a humanidade estivesse tão dividida entre aqueles que renegam a paz e os que lutam pela utopia da convivência pacífica. Próximo ao Natal, são muitos os elementos que demandam uma reflexão, nos sinais que vêm da comunidade internacional, mas também de nosso país.
Quando as bombas e os tiroteios pipocaram em Paris, a repercussão internacional foi imediata. Em muitos casos, as pessoas ficaram solidárias por questões humanitárias - somos todos parte daqueles que foram atacados e, em muitos casos, mortos. As 130 pessoas mortas e as centenas de feridos constituíram uma ferida na paz. E um triste sinal: era o que faltava para que diversos países acionassem suas máquinas de guerra e de morte para atacar o Estado Islâmico, colocando no horizonte o que não gostaríamos de ver nunca mais: um conflito de proporções mundiais.
Agora, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama usou da sua prerrogativa para, num domingo à noite (tradicionalmente um momento de mensagens pacíficas e de boas notícias para os norte-americanos e o Mundo), comunicar sua intenção de exterminar o Estado Islâmico. Era só o que faltava. Depois do 11 de setembro, quando terroristas atacaram pontos centrais americanos, os EUA agiram no Oriente e cometeram um dos maiores atentados contra o direito internacional: a Prisão de Guantánamo, numa das pontas da Ilha de Cuba, controlada pelo Exército Americano, mas longe da influência da Justiça do seu próprio país, para onde levaram todos os que consideravam suspeitos.
Para não dizer que não falei de flores, podemos pousar no território nacional e olhar as estatísticas sobre violência. Até o final do ano, chegaremos a 50 mil mortes, incluindo o crime e o trânsito. Como matamos aos poucos - um pouco a cada dia, especialmente, a cada final de semana - ficamos anestesiados e não nos damos conta de que já temos o nosso terrorismo interno, com a nossa própria guerra civil!
Pode parecer impróprio comentar a respeito na preparação de Natal, quando se fala d'Aquele que pregava a paz. Mas de que adianta uma falsa paz, ao estilo "túmulos caiados - brancos por fora e putrefatos por dentro"? A paz é uma construção utópica. Não no sentido de impossível de ser conseguida, mas de que sempre há o que fazer para que ela se concretize. A beligerância pode até ser própria do ser humano. Mas sempre é bom lembrar de Martin Luther King: "O que me preocupa não é nem o grito dos corruptos, dos violentos, dos desonestos, dos sem caráter, dos sem ética... O que me preocupa é o silêncio dos bons."
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