sábado, 20 de fevereiro de 2016

Gosto de bolo de aipim com coco

Você já provou o bolo de aipim com coco? Eu encontro ali na padaria Modelo, daqueles redondinhos, tipo feito em forma de pudim, onde, confesso, o gosto do aipim e do coco eu não encontrei. Mas ele é tenro, daqueles que se desmancham na boca, dando a sensação de que "isto não é bom..." (para o regime, claro), mas "é muito bom!" para quem está com vontade de tomar um bom café da tarde sorvendo pequenos prazeres em suaves prestações.
Bolo de aipim com coco é a sensação dos finais de semana. Aliás, é exatamente assim: precisa-se cumprir determinados ritos. Aqui em casa, compro um que deveria durar o final de semana, mas todos querem tirar uma lasquinha e, portanto, já fico contente se durar o café da tarde e sobrar uma amostra para a janta da dona França.
Gostos e cheiros marcam nossa vida: lembro dos tempo de criança de que, na segunda-feira, a mãe fazia pão em casa e cozinhava uma panela de feijão, que deveria durar toda a semana. Aquela mistura de pão assando, com os temperos que davam sabor especial ao feijão, faziam do primeiro dia da semana um dia pra lá de especial.
Especial mesmo era quando, no "fristique" das 10 horas, éramos agraciados com uma fatia de pão assado a pouco com pedacinhos de torresmo recém fritos e que iriam fazer parte do cozimento do feijão. Refeição em que até os santos se ajoelhariam para degustar!
Lembro, também, do cheiro do café recém passado, embora, hoje, não faça grande distinção entre o café que é passado do solúvel. Sou prático: o que cair na xícara, morre! Para aqueles que têm gosto mais definido, dizer isto soa como heresia. Torcem o nariz. Mas, desculpem, ataques de pobreza também tem destas recaídas!
Gostos e cheiros nos marcam por toda a vida. Trazemos da infância e da adolescência aqueles que eram comuns em nossas casas: comida, roupa, limpeza da casa, de corpos suados ou do sabonete e do shampoo que nossos pais usavam... Dá uma certa nostalgia andar pelas ruas e sentir, dobrando uma esquina, algo próximo despertando nossas memórias. Não há explicação para o sentimento que se tem quando isto acontece, mas a sensação de que se viveu algo de bom, marcadamente humano numa trajetória de recordações.
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