quinta-feira, 12 de abril de 2012

Waldeir da Paixão


Postei no facebook para o Waldeir:
"Waldeir, estou rezando e torcendo para que, para além de todas as ordenações, penses e ajas como um bom pastor: há um rebanho sedento de padres que se preocupem com cada uma das ovelhas. Tudo o que temos na Igreja é muito bonito, mas, para além dos nossos muros, há um povo carente de fé, que a religião pode dar, desde que sejamos carinhosos e amáveis em testemunhar Jesus Cristo. Grande e confiante abraço."
Esta é a primeira ordenação que acompanho, depois que retornei a trabalhar no Seminário Arquidiocesano de Pelotas. Na sequência, são duas ordenações de rapazes muito especiais: o próprio Waldeir e também o Domingos (segundo nome, Manoel, consequentemente um abençoado), na Diocese de Bagé.
Do muito que tenho conversado com eles, no Propedêutico, Filosofia e Teologia, tenho ressaltado a importância de repetir um pastor evangélico que dizia: "a pregação se faz tendo a Bíblia numa mão e na outra o jornal do dia".
Jovens com plena consciência do seu tempo, com suas dificuldades, entraves e obstáculos. Mas também com a maravilha de se ter uma gente cheia de fé, que talvez tenha dificuldade de entender e aceitar as diversas religiões, não por elas, em si, mas por seus religiosos, que se valem da simplicidade popular para manipular as massas.
Hoje, não há chances para profissionais da religião. Precisamos de gente com vocação para servir. Não se pode, burocraticamente, pensar em turnos de trabalho, mas, sim, em testemunhar em tempo integral, por todos os becos e recantos das nossas cidades.
Nos jovens que encontro, hoje, no Seminário, vejo a alegria desta vocação. Se, no meu tempo, de 60 rapazes e jovens, dois ou três se ordenariam, hoje, não tenho medo de errar, dos 20 que lá estão, talvez dois ou três não sejam ordenados.
E serão padres maravilhosos. Porque estão se livrando de alguns vícios. Um deles é da mania de que sempre estão muito ocupados. Talvez sim, mas não é preciso reclamar disto. Como dizem os jovens: "faz parte".
A alegria do seu testemunho demonstra que assumem uma vocação que já esteve em alta, hoje nem tanto, mas que exige maturidade e entrega total. Testemunhar a fé é enfrentar toda e qualquer turbulência com alegria e a certeza de que se modifica a História e se planta a esperança no amanhã da Ressurreição.
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