terça-feira, 10 de abril de 2012

Aprendendo dos dois lados do Atlântico


Angola ficou mais próxima, na medida em que um intercâmbio de formação universitária trouxe a Pelotas os padres Quintino, Martinho e, agora, Augusto. Foram e são fontes de conhecimento sobre o continente africano, que tem problemas muito semelhantes à América do Sul, destacando-se a pobreza de um grande contingente, assim como uma praga que crassa dos dois lados do Atlântico: a corrupção pública.
O convencimento de que é preciso colocar sobre as estruturas populares e locais uma representatividade democrática traz, junto, a estrutura de poder como conhecemos, hoje, tanto aqui, quanto lá: executivo, legislativo e judiciário. O problema começa quando esta máquina se torna insaciável e consome o que arrecada na sua própria manutenção.
Eles estão recém saindo de uma guerra civil. Contam o que é perder pessoas próximas, como familiares, ou até colegas de seminário, por barreiras ou mesmo as minas que explodindo além de ceifar vidas, também são responsáveis por um bom número de pessoas sem algum de seus membros. Esta experiência nós não tivemos. Mas temos, sim, guerra não declarada, nas periferias das grandes cidades, com “leis” também não declaradas, pelo tráfico de drogas e a satisfação das necessidades do crime organizado.
Da organização tribal, começam a recuperar valores perdidos na ocidentalização: a organização onde quem coordena está a serviço e não para se servir; o valor dos laços familiares e o respeito pela vida alheia, na própria tribo e com os quais se relacionam.
Outro problema comum diz respeito às riquezas naturais: o Brasil é olhado com cobiça pelo potencial na produção de petróleo. O mesmo acontece com Angola. Aqui, os Estados Unidos tramam relações que coloquem suas empresas no meio de um negócio com lucro certo. Por lá, Portugal, na origem da colonização e que fugiu daquelas terras, volta e quer “ajudar” a “administrarem” estas riquezas. Como esta gente é boazinha!
A troca de experiência faz uma grande diferença. Reaprender hábitos tribais pode refazer relações sociais. Se há riqueza nos solos, também há uma riqueza cultural e espiritual clamando por ser incentivada. Este é o maior intercâmbio: aprender com valores que, embora sufocados, teimam em renascer no encontro entre dois povos.
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