sexta-feira, 20 de abril de 2012

Política e religião: ação ou omissão


Afirmei no artigo “Desperta, cidadão” que “religião e política somente não combinam quando uma quer manipular a outra.” Prato cheio para discussão. Alguns, inclusive, dizendo que uma coisa não combina com a outra e que, realmente, não há como compatibilizar as duas.
Uma das frases que me marcou do Documento de Aparecida (Encontro dos Bispos das Américas) é que o leigo é “a presença da Igreja, no coração do Mundo e a presença do Mundo no Coração da Igreja”. Dizendo de outra forma: rezamos para que ser uma boa influência na vida da sociedade e trazemos suas tristezas e alegrias para serem iluminadas e enriquecidas com o poder da fé, inclusive em questões políticas.
Uma instituição religiosa é exatamente isto: uma instituição religiosa. Mas o que ela representa é que vai para além dela: o Divino, com o nome que lhe quisermos dar: Deus, Alá, Jeová, etc. Uma instituição é plena de acertos e erros, pena que, na maior parte das vezes, salientam-se os erros e esquecem-se os acertos. Os noticiários estão cheios de questões de pedofilia e outras mazelas causadas por religiosos, mas dificilmente dão o devido crédito a todos os trabalhos sociais que as igrejas fazem no tratamento de idosos, crianças em situação de risco, pessoas doentes de corpo e da alma.
“Política”, no seu significado pleno é a relação que estabelecemos com as pessoas, em busca do bem comum. Ora, isto todos queremos, inclusive nas igrejas. O que precisamos é qualificar nossos representantes para que eles também pensem desta forma e não de se valerem deste “emprego” para benefícios pessoais ou daqueles que estão à sua volta.
Não abro mão da frase que iniciou este texto. Até porque, temos que fazer opções, mesmo que, depois, possamos reconhecer que erramos. Afinal, errar por ação é pecado menor do que a omissão. Agir errado com convicção pode levar a que, reconhecendo o erro, mudemos de postura. Omissão é uma ação pensada em deixar de fazer alguma coisa deliberadamente.
Não sou eu quem diz o que Deus estabelece em seus critérios, mas creio que uma alma arrependida que voltou atrás tem mais valor do que alguém que deixou de agir, em muitos casos, porque não quis se incomodar ou deixou as coisas correrem para vê-las se acomodar no trotar da carroça. Isto é inadmissível em política: em tempos de tantas carências, erros e omissões têm que ter data e lugar certo para terem suas rotas redefinidas: urna eletrônica, outubro de 2012.Comece a pensar o que você pretende fazer nas próximas eleições: vai ser um erro se ausentar dela e uma omissão votar em branco ou anular seu voto.
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