No mesmo dia, recebo duas notícias interessantes: por um programa agrícola na televisão, da Argentina, um sistema de irrigação controlado pelo governo, que aproveita não a água das chuvas – pois são poucas, mas a que derrete dos Andes e alimenta sistemas que produzem de tudo, com um uso sistemático e ordenado. Por outro lado, a volta de meu cunhado Roberto e sobrinho Renan, depois de estarem dois meses transportando as safras do interior de Goiás, encantados pela capacidade de produção que já nos tirou, há um bom tempo, o título de “celeiro do Brasil”.
Recentemente, passamos por estiagens na região de produção – especialmente no Cento e Oeste do Estado – e as promessas foram repetidas: a solução está em programas de irrigação que permitam o plantio e a colheita com qualquer tempo! Não é difícil recorrer aos jornais e ver que elas já foram feitas há dois anos, cinco anos, dez anos... E, de resultados práticos, absolutamente nada. Enquanto isto, na Argentina, aqueles que controlam e fiscalizam o uso alternado das comportas entre os produtores agrícolas dizem que estão na atividade há duas, três décadas e que este já é um trabalho tradicional na família, passando de geração em geração.
Meu sobrinho veio impressionado com o ciclo de chuvas: trabalhavam ao longo de todo o dia e, à noite, as natureza fazia a sua parte, num imenso sistema de irrigação, que fazia com que as plantas, no dia seguinte, estivessem prontas para a colheita, viçosas e na certeza de que o resultado, na lavoura, seria muito bom.
Pois é aí que começa o nosso problema: hoje já há um deslocamento sistemático de caminhoneiros que iniciam com as safras do centro-oeste, depois vão descendo, passando por Paraná, Santa Catarina, até chegar ao Rio Grande do Sul e a imagem que vemos é a de que falta estrada para tanto caminhão. Além de estradas, falta uma logística adequada que permita o escoamento em curto espaço de tempo, não permitindo o cancelamento de compras vultosas, como já aconteceu recentemente.
Infelizmente, começando pela presidente Dilma, passando pelo governador Tarso e por políticos de todos os partidos, há muita bravata e pouca ação: dizer que a duplicação de estradas e os novos projetos ferroviários, marítimos e aéreos solucionam é uma parte da resposta. Atrasada, como sempre. O que o governo deixou de fazer nos últimos tempos pode nos dar uma grande produção no campo, sem que isto se transforme em riqueza e alimento para a população. Como alguém, sabiamente, sentenciou: “somos, eternamente, a nação do futuro”...
domingo, 31 de março de 2013
domingo, 24 de março de 2013
Que as chamas não se extingam em vão.
Na sexta-feira passada (22 de março), assistimos esperançosos a entrega por parte dos investigadores do processo que foi desenvolvido a partir do incêndio da boate Kiss, em Santa Maria. Embora seja apenas o início, já que a partir de agora quem tem que se manifestar é a Justiça, havia o receio de que protagonistas diretos ou indiretos daquela malfadada tragédia não fossem indiciados. Pois foram. Estão lá tanto os proprietários, os músicos, os técnicos, mas também a Prefeitura e o Corpo de Bombeiros.
A repercussão que tomou em nível mundial – o próprio papa citou em conversa com a presidente Dilma – obrigou a que o levantamento de provas tivesse sua entrega adiado em diversas vezes, tentando chegar ao mais próximo da realidade de um incêndio criminoso e anunciado que vitimou diretamente 241 jovens, mas que deixou marcas que irão perdurar por toda a vida daqueles que sobreviveram.
“Porta arrombada, tranca de ferro” é o ditado para quando nos deparamos com um grande problema, uma tragédia e, depois, queremos arrumar a casa para que não aconteça mais. Foi o que aconteceu no Estado e no País. Na onda que se seguiu, viu-se Corpo de Bombeiro e Prefeituras correndo atrás do prejuízo e lacrando boates, clubes de recreação e outras áreas onde há a aglomeração de público.
Também os legisladores – na onda da mídia – perceberam o quanto as legislações que tratam do assunto são atrasadas ou, até, omissas. Quando não há choque de interesses e a legislação deixa brechas para interpretações em que o poder público se põe a serviço da iniciativa privada e, então, no açodamento para que os espaços deem lucro, fecham-se os olhos e estendem-se as mãos...
A tendência é que o noticiário diminua de intensidade, depois que, na próxima semana, a Justiça diga qual vai ser o trâmite do processo e de que forma os diversos indiciados serão julgados. Como existem figuras públicas envolvidas, a coisa é mais difícil e o julgamento pode se dar em instâncias diferentes.
No entanto, há uma certeza por parte da sociedade que enxugou muitas lágrimas enquanto via os corpos serem amontoados na rua, em frente da boate: que as chamas não se extingam em vão! Que a vitalidade que pulsava em cada um daqueles que foram assassinados naquele dia cobrem justiça e o desejo de que tragédias deste porte tenham dificuldade em se repetir!
A repercussão que tomou em nível mundial – o próprio papa citou em conversa com a presidente Dilma – obrigou a que o levantamento de provas tivesse sua entrega adiado em diversas vezes, tentando chegar ao mais próximo da realidade de um incêndio criminoso e anunciado que vitimou diretamente 241 jovens, mas que deixou marcas que irão perdurar por toda a vida daqueles que sobreviveram.
“Porta arrombada, tranca de ferro” é o ditado para quando nos deparamos com um grande problema, uma tragédia e, depois, queremos arrumar a casa para que não aconteça mais. Foi o que aconteceu no Estado e no País. Na onda que se seguiu, viu-se Corpo de Bombeiro e Prefeituras correndo atrás do prejuízo e lacrando boates, clubes de recreação e outras áreas onde há a aglomeração de público.
Também os legisladores – na onda da mídia – perceberam o quanto as legislações que tratam do assunto são atrasadas ou, até, omissas. Quando não há choque de interesses e a legislação deixa brechas para interpretações em que o poder público se põe a serviço da iniciativa privada e, então, no açodamento para que os espaços deem lucro, fecham-se os olhos e estendem-se as mãos...
A tendência é que o noticiário diminua de intensidade, depois que, na próxima semana, a Justiça diga qual vai ser o trâmite do processo e de que forma os diversos indiciados serão julgados. Como existem figuras públicas envolvidas, a coisa é mais difícil e o julgamento pode se dar em instâncias diferentes.
No entanto, há uma certeza por parte da sociedade que enxugou muitas lágrimas enquanto via os corpos serem amontoados na rua, em frente da boate: que as chamas não se extingam em vão! Que a vitalidade que pulsava em cada um daqueles que foram assassinados naquele dia cobrem justiça e o desejo de que tragédias deste porte tenham dificuldade em se repetir!
quinta-feira, 14 de março de 2013
Francisco: Um papa reformador
De tudo o que vi, ouvi e li sobre o novo papa Francisco, ficou-me a impressão de que pode ser um papa reformador. Seu perfil de pastor, com formação jesuítica, aponta para um homem que tem, além de uma vasta formação cultural, também uma disciplina que está faltando ao Vaticano e a seus quadros diretivos.
Não confundir reformador com inovador. Tudo indica que as mudanças se darão para que a Igreja retome seus caminhos, desafiando alguns carreiristas que veem nos quadros da cúpula da instituição apenas a chance de galgarem postos e obter poder.
Comedido nos gestos, sua primeira aparição mostrou simpatia, humildade e que é frugal nas palavras, mas capaz de dizer pontualmente o que todos ansiávamos por ouvir. Um papa que cuida da própria casa, cozinha seu alimento, anda de ônibus e metrô se contrapõe àqueles que gostam do excesso de regalias e de vestes que não aproximam do povo, mas que colocam estas figuras em “patamares superiores”.
Sorriso inseguro na primeira aparição foi enganador com referência aos dias posteriores onde sorriu com fartura, abriu mão de tudo o que era acessório nos rituais e manteve a cruz de prata (símbolo dos bispos), afirmando ser “bispo de Roma”!
Não acreditem que Francisco aceitará a discussão a respeito de casamento gay, aborto e outras questões que a dita sociedade organizada deseja colocar como pauta para a Igreja. Segue a tradição da Igreja em levar algum tempo para “aceitar” os novos padrões sociais. Veja-se a discussão sobre o segundo matrimônio que, hoje, se não é aceito, ao menos é tolerado.
Um grupo de cardeais descontentes com os atuais rumos do Vaticano – aí incluído o próprio Bento XVI, que não teve forças para fazer as mudanças e por isto renunciou – apostou num papa idoso, mas com formação e índole para iniciar, ao menos, a transparência nas questões internas da Igreja. A transparência com a sociedade é consequência da primeira. Eu, confesso, fiquei com esperança: creio que vale a pena acreditar em novos tempos para a Igreja Católica, Apostólica, Romana!
Não confundir reformador com inovador. Tudo indica que as mudanças se darão para que a Igreja retome seus caminhos, desafiando alguns carreiristas que veem nos quadros da cúpula da instituição apenas a chance de galgarem postos e obter poder.
Comedido nos gestos, sua primeira aparição mostrou simpatia, humildade e que é frugal nas palavras, mas capaz de dizer pontualmente o que todos ansiávamos por ouvir. Um papa que cuida da própria casa, cozinha seu alimento, anda de ônibus e metrô se contrapõe àqueles que gostam do excesso de regalias e de vestes que não aproximam do povo, mas que colocam estas figuras em “patamares superiores”.
Sorriso inseguro na primeira aparição foi enganador com referência aos dias posteriores onde sorriu com fartura, abriu mão de tudo o que era acessório nos rituais e manteve a cruz de prata (símbolo dos bispos), afirmando ser “bispo de Roma”!
Não acreditem que Francisco aceitará a discussão a respeito de casamento gay, aborto e outras questões que a dita sociedade organizada deseja colocar como pauta para a Igreja. Segue a tradição da Igreja em levar algum tempo para “aceitar” os novos padrões sociais. Veja-se a discussão sobre o segundo matrimônio que, hoje, se não é aceito, ao menos é tolerado.
Um grupo de cardeais descontentes com os atuais rumos do Vaticano – aí incluído o próprio Bento XVI, que não teve forças para fazer as mudanças e por isto renunciou – apostou num papa idoso, mas com formação e índole para iniciar, ao menos, a transparência nas questões internas da Igreja. A transparência com a sociedade é consequência da primeira. Eu, confesso, fiquei com esperança: creio que vale a pena acreditar em novos tempos para a Igreja Católica, Apostólica, Romana!
terça-feira, 12 de março de 2013
“Não sou dono do Mundo...”
A única certeza que tínhamos quando do início do conclave que escolheu o sucessor de Bento XVI como novo papa da Igreja Católica Apostólica Romana é de que seria um integrante da Terceira Idade, pós 60 anos. Lembrei-me disto ao preparar uma oficina para um grupo que trabalha com espiritualidade no Centro de Extensão em Atenção à Terceira Idade da UCPel, porque poderia traçar os caminhos que percorrem a fé, a espiritualidade e a religião.
Nossa primeira oficina tinha este tema: “não sou dono do Mundo, mas sou filho do Dono!”. Interessante que muitos manifestaram interesse exatamente por este motivo: não temos intensão de fazer proselitismo (convencer de que uma religião é melhor), mas trabalhar para que cada um possa viver bem a sua religião, com honestidade, sabedores que filhos do mesmo Deus!
Foi uma tarde que passou muito rápido! Trabalhamos um texto do Luís Fernando Veríssimo que, depois de problemas com a saúde, recuperado, escreveu o texto “dez coisas que levei anos para aprender”. Fala da qualidade das pessoas, das fofocas, do viver com intensidade, das amizades e de que, mesmo com idade avançada, é preciso não ter medo de inovar, fazer novas experiências.
A reflexão fluiu, pois nos sentimos, diante da espiritualidade, como pessoas carentes – deficientes – que buscam alternativas não apenas para aprender conceitos de religião. Mas, diante das mensagens do dia a dia, viver diferentemente em sociedade, fazer a diferença – silenciosa e atuante – mesmo para aqueles que, muitas vezes, foram magoados não pelas religiões, mas por alguns religiosos.
Nossas oficinas serão sempre às segundas-feiras. De cada uma delas, os participantes sairão com uma tarefa (brincadeirinha: um tema) para cumprir durante a semana. Na primeira, receberam um cartão com uma frase positiva e provocativa. Devem fazer um novo cartão, copiar a frase ou outra, entregar a um amigo ou vizinho, e dizerem que faz parte da atividade que praticam em espiritualidade. Podem pensar que não é muito, mas eles já se sentem vivendo algo diferente que, mais do que lhes dar satisfação, os leva a serem agentes positivos nos ambientes onde vivem.
Nossa primeira oficina tinha este tema: “não sou dono do Mundo, mas sou filho do Dono!”. Interessante que muitos manifestaram interesse exatamente por este motivo: não temos intensão de fazer proselitismo (convencer de que uma religião é melhor), mas trabalhar para que cada um possa viver bem a sua religião, com honestidade, sabedores que filhos do mesmo Deus!
Foi uma tarde que passou muito rápido! Trabalhamos um texto do Luís Fernando Veríssimo que, depois de problemas com a saúde, recuperado, escreveu o texto “dez coisas que levei anos para aprender”. Fala da qualidade das pessoas, das fofocas, do viver com intensidade, das amizades e de que, mesmo com idade avançada, é preciso não ter medo de inovar, fazer novas experiências.
A reflexão fluiu, pois nos sentimos, diante da espiritualidade, como pessoas carentes – deficientes – que buscam alternativas não apenas para aprender conceitos de religião. Mas, diante das mensagens do dia a dia, viver diferentemente em sociedade, fazer a diferença – silenciosa e atuante – mesmo para aqueles que, muitas vezes, foram magoados não pelas religiões, mas por alguns religiosos.
Nossas oficinas serão sempre às segundas-feiras. De cada uma delas, os participantes sairão com uma tarefa (brincadeirinha: um tema) para cumprir durante a semana. Na primeira, receberam um cartão com uma frase positiva e provocativa. Devem fazer um novo cartão, copiar a frase ou outra, entregar a um amigo ou vizinho, e dizerem que faz parte da atividade que praticam em espiritualidade. Podem pensar que não é muito, mas eles já se sentem vivendo algo diferente que, mais do que lhes dar satisfação, os leva a serem agentes positivos nos ambientes onde vivem.
terça-feira, 5 de março de 2013
Dinheiro “carimbado”
Há mais dias, corre nas redes sociais, uma campanha para que o dinheiro arrecadado com os royalties arrecadados com a exploração do petróleo tenha destino pré-determinado: num primeiro momento, a educação e, possivelmente, também a saúde. Esta é uma parte do veto da presidente Dilma, apreciado esta semana no Congresso, mas que ainda deverá ter consequências no Judiciário.
Os congressistas querem rever toda a destinação do que for arrecadado e não querem que uma legislação federal defina o seu destino. As prefeituras e os estados receberiam um cheque em branco. E bem gordo. A presidente afirma – e eu concordo – que as fontes de onde já se faz a arrecadação não podem ser mexidas, mas que deveria dar um novo destino para as novas, com a participação não só dos chamados estados produtores – especialmente, Rio, Espírito Santo e São Paulo – mas de toda a federação.
A experiência vivida por diversos países foi que, para vencer o problema da educação, não basta apenas discursos, mas recursos – e de monta – para melhorar as condições físicas, investir em preparação dos educadores e pagar melhores salários. Como se sabe, a máquina administrativa federal e estadual está, praticamente, num processo autofágico – consome aquilo que arrecada.
Parece que o “milagre”, então, vem das fontes de petróleo – especialmente as novas, com o pré-sal, de onde poderia sair o suficiente para programas educacionais a médio e longo prazo mais do que suficientes para resolvermos esta que é uma mazela da sociedade brasileira. Mas, mais: da mesma fonte poderia sair a solução para os problemas da saúde, um autêntico câncer social, que nos entristece todos os dias, quando vemos as situações vividas por quem vai em busca de uma ficha na madrugada; encontra equipamentos obsoletos, ou precisa entrar na justiça para usufruir de um benefício que lhe é de direito.
Dinheiro “carimbado” é para dizer que tem um destino antecipado. A presidente Dilma deu o destino da educação e o Brasil começa a se dar conta de que é mais do que justa a causa. Dar uma perspectiva de cidadania para nossas crianças e jovens aponta para um futuro muitas vezes cantado, mas, na maior parte, feito de decepções e frustrações.
Os congressistas querem rever toda a destinação do que for arrecadado e não querem que uma legislação federal defina o seu destino. As prefeituras e os estados receberiam um cheque em branco. E bem gordo. A presidente afirma – e eu concordo – que as fontes de onde já se faz a arrecadação não podem ser mexidas, mas que deveria dar um novo destino para as novas, com a participação não só dos chamados estados produtores – especialmente, Rio, Espírito Santo e São Paulo – mas de toda a federação.
A experiência vivida por diversos países foi que, para vencer o problema da educação, não basta apenas discursos, mas recursos – e de monta – para melhorar as condições físicas, investir em preparação dos educadores e pagar melhores salários. Como se sabe, a máquina administrativa federal e estadual está, praticamente, num processo autofágico – consome aquilo que arrecada.
Parece que o “milagre”, então, vem das fontes de petróleo – especialmente as novas, com o pré-sal, de onde poderia sair o suficiente para programas educacionais a médio e longo prazo mais do que suficientes para resolvermos esta que é uma mazela da sociedade brasileira. Mas, mais: da mesma fonte poderia sair a solução para os problemas da saúde, um autêntico câncer social, que nos entristece todos os dias, quando vemos as situações vividas por quem vai em busca de uma ficha na madrugada; encontra equipamentos obsoletos, ou precisa entrar na justiça para usufruir de um benefício que lhe é de direito.
Dinheiro “carimbado” é para dizer que tem um destino antecipado. A presidente Dilma deu o destino da educação e o Brasil começa a se dar conta de que é mais do que justa a causa. Dar uma perspectiva de cidadania para nossas crianças e jovens aponta para um futuro muitas vezes cantado, mas, na maior parte, feito de decepções e frustrações.
terça-feira, 26 de fevereiro de 2013
Hora do Ângelus
Início da década de 60, tempo em que cursava o primário pela manhã, brincava na estrada da Silveira à tarde (bolinha de gude, taco, empinar pandorga...) e voltava para casa, antes do sol se por, de preferência sem aprontar nenhuma e ter o direito de ouvir o Ângelus, quando o locutor dizia: “Seis horas da tarde, momento de reflexão... Ave Maria, cheia de graça...” Ao redor do rádio, minha mãe, meus irmãos e uma espiritualidade serena, de quem tinha na fé uma motivação vinda da catequese, quando uma professora vinha de casa em casa recolhendo as crianças, para as aulinhas de sábado; ou o padre Roberto, de batina, levando a turma para o campo, jogar futebol.
Foi do que me lembrei quando, no último domingo, Bento XVI fez sua última aparição para o Ângelus, na Praça de São Pedro. Todos aqueles que tiveram o privilégio de estar em Roma num domingo e conseguiram estar na praça, acompanhando a oração com o papa, dizem que é um momento mágico! Este foi mais especial, ainda! O papa fazia a sua despedida e afirmava que iria “subir ao Monte”! Simbolicamente, despojava-se de sua condição majestática, para assumir o homem que precisa se reencontrar com Deus, longe de tudo e de todos, no silêncio em que somente o vento do Espírito Santo assopra.
Depois do dia 28, os olhares em nível internacional, estarão atentos para o conclave que vai escolher seu sucessor. Examinando a história, embora se diga que os cardeais ficam longe da influência externa, sabe-se que, na prática, isto não é verdade. Em muitos momentos, governos dos países que dominam os eixos econômicos tentaram “consagrar” um candidato, sabedores de que a Igreja Católica, se não tem poder pela força ou pela economia, ainda lida com a política internacional, podendo ser uma forte aliada, ou uma adversária a ser temida.
Talvez seja exatamente isto o que a Igreja precisa: no final da tarde, no horário do Ângelus, quando o Anjo passa em silêncio e surpreende Nossa Senhora com a notícia de que vai gerar Jesus, também gere um novo tempo, um novo jeito de ver as populações mais simples que têm na instituição, em muitos casos, o único jeito de se ver defendida. Não volto mais aos meus tenros anos de vida, mas tenho esperança de que – tendo sobre si o olhar esperançoso de um povo que teima em buscar a felicidade – a Igreja renasça das cinzas, não mais como uma representação política, mas apenas aquela que quer ver viva a palavra de Jesus Cristo!
Foi do que me lembrei quando, no último domingo, Bento XVI fez sua última aparição para o Ângelus, na Praça de São Pedro. Todos aqueles que tiveram o privilégio de estar em Roma num domingo e conseguiram estar na praça, acompanhando a oração com o papa, dizem que é um momento mágico! Este foi mais especial, ainda! O papa fazia a sua despedida e afirmava que iria “subir ao Monte”! Simbolicamente, despojava-se de sua condição majestática, para assumir o homem que precisa se reencontrar com Deus, longe de tudo e de todos, no silêncio em que somente o vento do Espírito Santo assopra.
Depois do dia 28, os olhares em nível internacional, estarão atentos para o conclave que vai escolher seu sucessor. Examinando a história, embora se diga que os cardeais ficam longe da influência externa, sabe-se que, na prática, isto não é verdade. Em muitos momentos, governos dos países que dominam os eixos econômicos tentaram “consagrar” um candidato, sabedores de que a Igreja Católica, se não tem poder pela força ou pela economia, ainda lida com a política internacional, podendo ser uma forte aliada, ou uma adversária a ser temida.
Talvez seja exatamente isto o que a Igreja precisa: no final da tarde, no horário do Ângelus, quando o Anjo passa em silêncio e surpreende Nossa Senhora com a notícia de que vai gerar Jesus, também gere um novo tempo, um novo jeito de ver as populações mais simples que têm na instituição, em muitos casos, o único jeito de se ver defendida. Não volto mais aos meus tenros anos de vida, mas tenho esperança de que – tendo sobre si o olhar esperançoso de um povo que teima em buscar a felicidade – a Igreja renasça das cinzas, não mais como uma representação política, mas apenas aquela que quer ver viva a palavra de Jesus Cristo!
quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013
Santos com pés de barro
Os noticiários recentes têm sido pródigos em histórias envolvendo atletas que se envolveram com violência, consumo de drogas ou maracutaias financeiras: o paraolímpico Oscar Pistorius assassinou a namorada, ao que tudo indica, numa crise de ciúmes; o ex-ciclista Lance Armstrong confessou que somente venceu os principais torneios dos quais participou porque usou drogas; o ex-campeão olímpico Aurélio Miguel teve seu sigilo bancário quebrado por estar sendo acusado de mau uso do dinheiro público.
Num tempo em que está difícil se respeitar princípios – numa época de pleno relativismo, onde cada qual se acha no direito de dar um jeitinho para se dar bem, tanto em política, esportes, mas também na educação, religião etc. , vemos, também, que as referências estão em crise. Especialmente, crianças e jovens olham para seus ídolos como pessoas que estão acima de qualquer suspeita. Nos casos citados, a reação é muito clara: surpresa e indignação!
Pistorius vive na África do Sul, um dos países onde a violência é ainda maior que no Brasil. Ganhou destaque internacional porque perdeu as duas pernas e passou a correr com o auxílio de dois suportes metálicos. Isto ajuda alguns comentaristas de plantão a tentar explicar que, havendo se excedido, o atleta usou de mais força do que deveria até matar a sua parceira. Por favor, não é explicação. Tirar a vida de alguém, apenas porque não soube contar até dez, cem ou mil, é um crime. E como tal merece ser tratado.
Armstrong foi a um dos mais célebres programas de televisão – Oprah Winfrey – fazer a sua confissão: passou por um câncer e, quando retornou, achou que precisava de um “aditivo” para melhorar seu desempenho nas pistas de ciclismo. Por seu desempenho esportivo, tornou-se referência internacional, especialmente para crianças e jovens que sentem prazer em participar desta modalidade.
Aurélio Miguel, depois que deixou o ringue, optou pela política e, ao invés de oxigenar com sua experiência este espaço de vivência pública, assumiu o que havia de pior e se envolveu em situações onde o dinheiro público foi mal utilizado.
Nos três casos, existem os crimes cometidos diretamente e outro que, para o meu gosto, é pior ainda: são santos com pés de barro! Tornaram-se durante bom tempo modelos para os mais jovens e, quando vivenciaram uma situação mais difícil não souberam superar suas dificuldades, optando pelo pior caminho. Hoje, um mau exemplo, um triste fim para quem sonhou com a fama e pagou o preço de não conseguir manter a sua integridade pessoal.
Num tempo em que está difícil se respeitar princípios – numa época de pleno relativismo, onde cada qual se acha no direito de dar um jeitinho para se dar bem, tanto em política, esportes, mas também na educação, religião etc. , vemos, também, que as referências estão em crise. Especialmente, crianças e jovens olham para seus ídolos como pessoas que estão acima de qualquer suspeita. Nos casos citados, a reação é muito clara: surpresa e indignação!
Pistorius vive na África do Sul, um dos países onde a violência é ainda maior que no Brasil. Ganhou destaque internacional porque perdeu as duas pernas e passou a correr com o auxílio de dois suportes metálicos. Isto ajuda alguns comentaristas de plantão a tentar explicar que, havendo se excedido, o atleta usou de mais força do que deveria até matar a sua parceira. Por favor, não é explicação. Tirar a vida de alguém, apenas porque não soube contar até dez, cem ou mil, é um crime. E como tal merece ser tratado.
Armstrong foi a um dos mais célebres programas de televisão – Oprah Winfrey – fazer a sua confissão: passou por um câncer e, quando retornou, achou que precisava de um “aditivo” para melhorar seu desempenho nas pistas de ciclismo. Por seu desempenho esportivo, tornou-se referência internacional, especialmente para crianças e jovens que sentem prazer em participar desta modalidade.
Aurélio Miguel, depois que deixou o ringue, optou pela política e, ao invés de oxigenar com sua experiência este espaço de vivência pública, assumiu o que havia de pior e se envolveu em situações onde o dinheiro público foi mal utilizado.
Nos três casos, existem os crimes cometidos diretamente e outro que, para o meu gosto, é pior ainda: são santos com pés de barro! Tornaram-se durante bom tempo modelos para os mais jovens e, quando vivenciaram uma situação mais difícil não souberam superar suas dificuldades, optando pelo pior caminho. Hoje, um mau exemplo, um triste fim para quem sonhou com a fama e pagou o preço de não conseguir manter a sua integridade pessoal.
Assinar:
Postagens (Atom)