A suavidade do tempo, esse artesão silencioso, encarquilha a pele e desenha sulcos pelo corpo, passando ao largo do espírito, incapaz de domá-lo. Tornei-me, é verdade, mais lento; os passos perderam a impetuosidade das urgências inúteis. Contudo, há uma chama que arde, teimosa e clara, bem no centro da alma…
É uma luz que não resiste ao deboche - um riso leve e travesso - diante de quem aceita envelhecer sem preservar o sentimento de liberdade. Aqueles que entregaram as folhas e as flores antes mesmo do outono chegar.
Reivindico todos os dias:
O direito de caminhar as distâncias possíveis, sem a pressa de chegar, mas com o prazer de ainda estar na estrada;
O convívio com os olhos de quem preserva a pureza, não carrega o peso do preconceito e enxerga na velhice a continuidade natural do tempo, não o brete estreito que anuncia o fim;
A doçura de conversar e sorrir sozinho, em um monólogo que é, na verdade, um banquete de memórias.
Sigo, assim, arrastando lembranças como quem carrega tesouros, e muito bem acompanhado. Pois há quem deixou a caminhada do meu dia a dia, sem jamais se ausentar da minha vida. Estão aqui, nas entrelinhas das minhas saudades e no silêncio do que sinto, provando que o espírito, que ainda respira liberdade, desconhece o que seja a despedida!
(Revisão e imagem: IA Gemini)
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