domingo, 19 de abril de 2026

Crônica poética: ​O voo da alma no ocaso do corpo

 

    A suavidade do tempo, esse artesão silencioso, encarquilha a pele e desenha sulcos pelo corpo, passando ao largo do espírito, incapaz de domá-lo. Tornei-me, é verdade, mais lento; os passos perderam a impetuosidade das urgências inúteis. Contudo, há uma chama que arde, teimosa e clara, bem no centro da alma…


    É uma luz que não resiste ao deboche - um riso leve e travesso - diante de quem aceita envelhecer sem preservar o sentimento de liberdade. Aqueles que entregaram as folhas e as flores antes mesmo do outono chegar.

    Reivindico todos os dias:

  • O direito de caminhar as distâncias possíveis, sem a pressa de chegar, mas com o prazer de ainda estar na estrada;

  • O convívio com os olhos de quem preserva a pureza, não carrega o peso do preconceito e enxerga na velhice a continuidade natural do tempo, não o brete estreito que anuncia o fim;

  • A doçura de conversar e sorrir sozinho, em um monólogo que é, na verdade, um banquete de memórias.

    Sigo, assim, arrastando lembranças como quem carrega tesouros, e muito bem acompanhado. Pois há quem deixou a caminhada do meu dia a dia, sem jamais se ausentar da minha vida. Estão aqui, nas entrelinhas das minhas saudades e no silêncio do que sinto, provando que o espírito, que ainda respira liberdade, desconhece o que seja a despedida!

(Revisão e imagem: IA Gemini)

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