domingo, 5 de abril de 2026

O doce chamado da nostalgia

Crônica Poética:


Para os adultos, a chuva era apenas um incômodo a ser vencido nas atividades do dia a dia. Para mim e as demais crianças, era
o desafio que, num toque de mágica, transformava pequenos lagares do leito da rua em “mares nunca antes navegados…” Com os pés descalços ou chinelos de dedos, chapinhar cada espelho d’água era uma conquista. Não importava se o barro alcançava as pernas ou se a roupa, aos poucos, ficava umedecida pela aventura.

Aquelas águas barrentas eram o campo de batalha dos sonhos de então. Marchar à beira das valetas vencia os perigos que habitavam a imaginação. Ali, o tempo não tinha pressa e o mundo se resumia ao brilho refletido nas poças, por onde os tambores rufavam nas latas que já haviam servido para os jogos de taco.

Fiz-me adulto e perdi o sentido da aventura. Em algum lugar, ficaram as espadas de madeira, as capas feitas de toalhas que roubávamos do varal e os chapéus de comando moldados em dobraduras de jornais. Hoje, da janela, resta mirar as poças que se formam com a chuva, mergulhando num tempo em que a saudade rimava com as batidas de um coração. Um coração que ainda ouve o doce chamado da nostalgia…

(Revisão e imagem: IA Gemini)

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