quinta-feira, 10 de maio de 2012

Minha aldeia, minha Silveira

Nos últimos dias tenho falado - e escrito - bastante a respeito da Vila Silveira (rua João Jacob Bainy e adjacências, em Pelotas/RS). Quando conversávamos a respeito na Escola de Comunicação da Universidade Católica, onde trabalho, alguém lembrou de Liev Tolstói: "se queres ser universal, começa por pintar a tua aldeia".
Uma grande verdade. Da estrada que apenas levava até duas olarias (quando chegamos a Pelotas apenas uma ainda estava em funcionamento - dos Carúcios), ao núcleo residencial cercado por cinco condomínios, foram longos 50 anos em que vimos o "progresso" chegar sem, para muitos, perdermos o sentido de "vileiros".
Antigamente, dizíamos que a Silveira era um condomínio aberto, pois era uma rua sem saída. Evoluiu para ser um dos principais corredores de ligação entre dois bairros - Três Vendas e Fragata.
No entanto, isto não foi o suficiente para tirar aquele sentimento de vizinhança que, ainda hoje, impera. Na maior parte dos casos, ainda nos conhecemos pelos nomes e temos notícias da vidinha de cada um.
As boas lembranças do tempo em que não se tinha luz e os "fantasmas" eram comuns em muitas histórias e em nossos imaginários. Contavam os mais antigos que um coqueiro frondoso no meio da rua (meio, mesmo), era assombrado e que, a partir do por de sol ali eles se manifestavam. Numa noite, o Bernardo (negrinho já idoso que morava no final da rua) tinha tomado uns tragos e precisava ir para casa. Ninguém explica até hoje se quem levava a bicicleta era o Bernardo, ou se a bicicleta levava o Bernardo.
Só que os mais maldosos tinham amarrado um fio de arame no coqueiro e na cerca em frente. Dito e feito, alguns minutos depois o Bernardo retornava "branco" e dizendo que tinha sido atacado pelos fantasmas!
Os fantasmas se foram, o tempo se foi, o Bernardo - assim como muitos outros - hoje, é apenas uma boa lembrança. Mas a Silveira continua. Como diz o meu amigo Hélio: "quem viver, verá".
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