domingo, 29 de maio de 2011

Mais um pouco de sorriso


Nas muitas discussões que tenho a respeito de educação, religião e família, fica apenas uma certeza: crianças não vêm com manual de instrução. Então, é preciso lidar com cada situação de uma forma diferente, tentando entender o que a família conseguiu passar para ela, que influência tem de alguma religião, de que forma se estabeleceram suas relações e o que espera da escola.
Aí começa a dificuldade: a família sente-se desafiada diante de tantos problemas – como conversar com um garoto que tem mais informações que os próprios pais? Como estabelecer limites para o uso da mídia e da internet? Como saber que relação estabelece com grupos da sua idade ou próxima?
O mesmo vai acontecer com a religião, que tem um processo de educação próximo ao da escola e uma capacidade de sedução próxima do zero para repassar uma mensagem com um conteúdo difícil de ser apreendido e uma linguagem longe da sua realidade.
Chega a escola. Educadores sentem-se angustiados e, ao mesmo tempo, desafiados, pois não têm estruturas adequadas, nem formação que vá além do livro, do giz e do quadro. Precisam, antes de ir ao encontro do aluno, confrontar-se consigo mesmo, num questionamento: qual é o meu papel diante de uma geração que enfrentou mudanças bruscas e significativas, como em nenhum outro momento da história?
As experiências que apontam para solução passam pela interação pessoa a pessoa. Alguém que se resolve enquanto pessoa e encontra outra que deseja ajudar a descobrir-se, aperfeiçoar-se e realizar-se. Conversar - olhar e ouvido atentos, posicionar-se ao lado, saber dar e receber carinho. Para o casal, era não abrir mão de que, a cada saída do filho da escola, a reaproximação se desse com um beijo, antes de qualquer outra informação. Para a professora de ensino religioso, a descoberta foi de que precisava falar mais de valores e referências – até de religião - para estabelecer cumplicidade com seus alunos. Mas, que aumentou a empatia em sala de aula foi, além de tentar atender às necessidades das crianças, utilizar um pouco mais de sorriso.
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