segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Olhai os lírios dos campos...

A reflexão da Igreja Católica, no último final de semana, foi a respeito da afirmativa: “não podeis servir a dois senhores; servir a Deus, ou ao dinheiro”. Fiquei pensando que esta afirmação poderia ser ampliada, pois, hoje, mais do que o dinheiro em moeda soante, se vê uma disputa acirrada por poder. E aí não escapa nenhum nível, partindo do mais comum, o da política, passando pelo esportivo, religioso e educacional.
O da política é o que, em tese, deveria estar mais claro. Isto se mostra na eleição em todos os níveis, onde os investimentos para se eleger não têm comparação com os salários que vão ganhar. O que resta, então, é a certeza de que, eleito, passa a controlar instâncias administrativas que também vão render, de alguma forma, nem sempre diretamente com dinheiro, mas indicação de pessoas próximas para cargos públicos, destinação de recursos para obras paroquiais ou tráfico de influência.
Mas, infelizmente, outros setores também não escapam. O que vemos, hoje, no esporte, especialmente nos grandes centros, é uma orgia de recursos em obras superfaturadas que impressionam e escandalizam. Em tempos de copa do mundo, o governo federal podou investimentos por ser público que o ministério dos esportes se transformou em fonte de lucro para especuladores nacionais e internacionais.
Em educação, uma professora disse sentir saudades dos tempos em que discutia o processo pedagógico. Hoje, a discussão é administrativa, sobre recursos que são destinados, ou, mesmo, como ocupar instâncias de poder – como as direções de escolas – por partidos ou facções. Além, da sempre presente discussão sobre as perdas salariais.
Nem as igrejas escapam. A luta, que nem sempre é explícita, é por formas de controlar áreas estratégicas, num processo que torna conservador e engessada uma caminhada que deveria ser diferente. Talvez a solução esteja no mesmo Evangelho: “Olhai os lírios do campo....” Trocar o olhar e um pouco de poesia ajuda a vermos, como dizem os mais antigos, “que não levamos nada desta vida”, mas o que deixamos são as marcas de carinho e de bondade que somos capazes de viver e repartir.
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