segunda-feira, 6 de maio de 2013

As coxilhas de Bagé

Nos últimos tempos, a maior parte das solicitações de conversa com jovens vem da Pastoral da Juventude da Igreja Católica, em diversas paróquias e, mesmo, dioceses, assim como no regional da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. No final de semana dos dias 4 e 5 de maio, fui convidado para assessorar o encontro dos jovens da Diocese de Bagé, reunidos em Pinheiro Machado.
Acho que o número de jovens é significativo – mais de 70 – mas não é o mais importante. Manter um grupo assim confinado durante dois dias, com reflexões religiosas, é uma tarefa muito grande que exige dinâmica dos palestrantes e muitas ações para que percebam ser, este momento, um encontro de onde levam elementos importantes para se tornarem protagonistas, ocupando um lugar seu por direito na Igreja e, também, na sociedade.
No primeiro dia, falamos sobre comunicação, redes sociais e atuação em cada comunidade. Mas foi ao final da tarde que eles tiveram dois momentos importantes: antes da janta, um autêntico ”carnaval”, eletrizado por corpos jovens que precisam gastar sua energia! Depois da janta, já na penumbra, uma vigília, confessado por alguns, como tendo “balançado” tudo o que tinham refletido.
Praticamente à luz de velas, receberam uma que passou de mão em mão, quando podiam expressar em oração tudo o que pensavam a respeito de suas vidas, suas relações, família, religiosidade. “Sobraram”. Alguns com vozes embargadas, outros com lágrimas nos olhos, foram derramando seus corações e compartilhando sentimentos, na expressão do que era íntimo e se fazia autêntica irmandade!
Já no domingo, puderam acompanhar oficinas de como se prepara uma celebração. Foi a vez de entender que uma Missa, uma Celebração da Palavra, não é apenas um evento em si: é a hora de trazer para o contato com Deus, aquilo que eles vivem no Mundo. Nestas idas e vindas, repete-se o que disse o encontro dos Bispos em Aparecida: “o leigo é a presença da Igreja no coração do Mundo e a presença do Mundo, no coração da Igreja”.
Quando voltei a Pelotas, no domingo à tarde, a estrada quase vazia, com toda a calma possível, pude aproveitar para contemplar as coxilhas de Bagé. Por ali passaram guerreiros que fizeram muitas revoluções; religiosos em lombo de cavalos, oferecendo consolo em tempos difíceis; e famílias que procuravam uma nova forma de existência.
O retumbar do passado me dizia que naquelas ondulações tranquilas passavam novos tempos, mas que o jovem (o homem) continuava ansioso por se reencontrar com Deus. No sol aconchegante do Outono, desci do carro e olhei para aqueles vales que se abriam à minha frente. Por um instante, minha imaginação foi longe e viu, no alto da coxilha, um cavaleiro que saciava a sede de sua fé com as cores do infinito, enquanto o absoluto realizava o humano onde a colina encontra o horizonte do céu!
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