quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Primavera brasileira

  Quando países do Oriente e da África começaram a ver a tempestade política que se formava em seu horizonte político, ninguém acreditava que aquele movimento, nascido de aspirações populares - e em alguns lugares, incentivados por forças ocidentais - haveriam de ultrapassar seus continentes para chegar, primeiro, à Europa, com movimentos espontâneos em países como a Itália, Espanha, Portugal e Alemanha, mas também ao coração do capitalismo - Wall Street, em Nova Iorque, Estados Unidos.
No feriado de 12 de novembro - e no último final de semana - movimento apartidário pela moralidade nas relações políticas também chegou ao Brasil, como o nome de Agora Chega! Em pauta, uma mudança nas relações daqueles que são "profissionais da política", começando pelo Ficha Limpa, definir a corrupção como crime inafiançável, passando pela proibição de votações secretas em temas de interesse público.
Há dois elementos que me parecem de suma importância. O primeiro, que nasce da desilusão causada por aqueles que vivem da política e que, mesmo falando tudo o que deve ser feito, não o fazem. Portanto, um movimento apartidário, mas que aceita todas as forças vivas da sociedade. O segundo que, de onde os políticos acreditam que têm o controle, podem manipular, pode vir uma surpresa que desestabiliza as relações que temos.
Muitos vão dizer que isto será perigoso, pois pode por em cheque as nossas estruturas. Não se dão conta de que a forma como nos fizeram entender democracia não tem dado respostas aos anseios de uma boa parte da sociedade. Portanto, este é o momento para reinventarmos, até, a democracia.
O que era para ser a desestabilização de regimes despóticos - a Primavera Árabe - ultrapassou fronteiras e sopra novos ares sobre as relações ocidentais. As passeatas vão continuar. Os políticos estão em alerta. A hora é de fazer barulho e mostrar inquietude, indignação e a certeza de que, passado este momento da cena nacional, nada mais será como antes, pode estar surgindo a “Primavera brasileira”.
Postar um comentário