sábado, 22 de outubro de 2011

Não foi acidente


A cada final de semana, os números impressionam: são dezenas de pessoas que perdem a vida ou que ficam com marcas para o resto de suas vidas por um único motivo: acidente de trânsito. O maior motivo: o excesso de velocidade e o uso da bebida. Voltando da praia ou da serra, em estradas federais ou dentro das cidades, os limites não são respeitados e, aí, surgem as mais esfarrapadas desculpas: aquela rótula não deveria estar ali, a estrada não tem acostamento, o outro é que foi barbeiro.
Durante a semana passada, o programa Mais Você, da Ana Maria Braga, mostrou dois depoimentos assustadores. O primeiro de um pai que teve o filho morto por um motorista de caminhão embriagado. Pouco tempo depois, acompanhando o processo do filho que chamou de “perda de patrimônio afetivo”, foi surpreendido pelo fato de que o motorista matou mais um jovem, novamente embriagado. Antes que fosse liberado, alertou a justiça de que a fiança, no primeiro caso, já era demais, na segunda, seria insuportável. Muito menos, transformar a vida de uma pessoa em bolsas de alimento.
Outro caso foi do rapaz que, também num acidente com alguém alcoolizado, perdeu a mãe e a irmã. Resolveu não se dobrar à dor. Criou um site – www.naofoiacidente.com.br – com o slogan “Os justos não podem pagar pelos irresponsáveis”. Sua proposta: ampla mobilização pela mudança da lei, através de uma petição popular, com o endurecimento das penas para crimes cometidos por pessoas que assumem o volante embriagadas, portanto, também devendo assumir a responsabilidade quando tiram uma vida ou a marcam para todo o sempre.
Nossas leis têm se mostrado excessivamente brandas. Ou pior, as muitas interpretações podem justificar uma série de escapatórias para aqueles que se mostram irresponsáveis. O dever de todos nós em acessar o site e assinar a petição é mostrar às autoridades que ninguém mais quer apenas ver estatísticas dolorosas. Infelizmente, a bebida é a chamada “droga social”, que faz muitos perderem a noção da realidade, mesmo nossos jovens. No entanto, não pode servir para que se aceite a impunidade de um assassinato.
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