segunda-feira, 18 de abril de 2011

Reinventar a própria vida


Semana Santa. Para os cristãos, é óbvio, tempo de refletir sobre a vida, paixão, morte e ressurreição de Jesus. Parada obrigatória para rever atitudes, atividades, até mesmo (porque não?) linhas de pensamento e de reflexão. Mas, também, para quem não é cristão, um tempo em que se respeita mais o silêncio, a introspecção, a busca de espaços de sanidade mental, um tempo de reinvenção.
A palavra está na moda, significando a capacidade de se desinstalar das nossas acomodações e lançar, em perspectiva, desafios e metas. Quem tem esta visão olha as rotinas do dia a dia de outra forma: não é apenas fazer comida, limpar a casa, preparar uma aula, fazer compras, ir para o trabalho. É fazer a comida e limpar a casa para alguém; preparar a aula para uma turma de alunos; fazer compra com uma pretensão; ir ao trabalho como um contínuo e novo desafio.
Fácil? Claro que não. Vão me dizer que, em muitos casos, fazer comida é apenas uma necessidade física; limpar a casa, um hábito de higiene; preparar a aula, uma prática profissional; fazer compras, um costume consumista; ir ao trabalho, a necessidade de manter a subsistência.
Que pena, realmente, quem pensa assim, vai sofrer mais e ter mais dificuldade de viver a sua Páscoa. No significado da morte de Jesus, estão as nossas muitas “mortes”, que acontecem nas perdas de pessoas que amamos, ou na incapacidade de dar real sentido aos diversos atos do existir.
Pois a Páscoa retempera estes elementos e oferece uma nova chance: deixar que as perdas se curem, embora deixando cicatrizes com suas marcas na nossa lembrança e no nosso agir, mas olhando no horizonte o dia da Ressurreição. Jesus chegou à ressurreição porque teve coragem de assumir a sua vida. Sabia que o Pai esperava dele mais do que viver o quotidiano, a vidinha simples da Palestina: precisava ser provocador e indicar caminhos, especialmente para aqueles que, hoje, têm uma chance – e precisam - reinventar a própria vida.
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