terça-feira, 26 de abril de 2011

Antes prevenir do que remediar

Políticos são especialistas em criar factóides. Não é diferente com o senhor governador. No último final de semana, visitando as áreas atingidas pelas cheias, cheio de preocupação, manifestou-se dizendo que as autoridades estaduais e municipais deveriam prestar mais atenção às áreas de risco.
Elementar, meu caro Watson. Até eu, com 52 anos de cidade, sei que permitir que famílias se instalem à beira dos córregos está se colocando em risco os poucos bens que possuem, assim como as próprias vidas.
Infelizmente, a mesma motivação política que leva à visita, também autoriza - ou ao menos não inibe - quando as pessoas, na maior parte das vezes, por absoluta falta de alternativa, vão morar em área de deslizamento ou de enchentes.
O exemplo clássico é Pelotas, situada a 7 metros acima do nível do mar (em média). O desaparecimento dos grandes canais, assim como a ocupação dos banhados, leva a uma situação preocupante, pois, embora todos os recursos existentes hoje, como é o caso das bombas para retirada de água, a natureza tem sido pródiga quando quer derramar autênticos dilúvios. Sem usar dos recursos naturais, resta o estrago e a perda de patrimônio.
Mapear as zonas de risco é uma medida elementar. Conscientizar a população que ali busca se instalar é mais difícil, mas não impossível. No entanto, mesmo com o direito de ir e vir, um policiamento forte também é necessário. Afinal, as cenas em que se deploram perdas com lágrimas nos olhos estão se tornando tão costumeiras que não dão mais espetáculo. Quem sabe possa valer o velho ditado: antes prevenir do que remediar.
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