quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

O sabor dos próximos 365 dias

2025. Apenas um ano que passou?

O giro inevitável do relógio e do calendário?

2026. Promessas, desejos, anseios?

A sofreguidão do que ainda é pura expectativa?

 

Lembranças de vivências passadas

Aprisionam o olhar que deveria ater-se ao presente.

Definha-se quando a vida escorre

Pela ampulheta do tempo e da saudade…

 

Nas dobras das possibilidades, ancoram-se

Certezas que navegam pela imaginação.

Projeções que roubam a realidade

E o sentido de ser presença.

 

O ano novo deixa marcas

Com a tenacidade do destino.

Tem a força de um recomeço,

O cheiro de oportunidades,

A urgência de ser saboreado, 

Gota por gota,

Pelos próximos 365 dias…


Tim-Tim. Que seja perfeito no sabor que desejares!


domingo, 28 de dezembro de 2025

Ano novo: celebrar a vida

Simplesmente assim:


Há um tempo de voltar ao ano que já partiu?

Sim, o tempo das lembranças,

Filamentos que reúnem instantes em que

Se ansiou pela vida em plenitude.

Os momentos das presenças:

Mais sentidas, envolventes, aquelas

Que foram a razão de não desistir da caminhada…


Um novo ano é sempre a perspectiva

De novos caminhos.

Acalentar outras esperanças,

Olhar para o entorno, na busca

Por rostos e corpos que dão motivo

Ao andar, com o coração aquecido,

Juntando carinhos e carências.


O ano que chega traz a promessa

De uma página em branco, a ser escrita

Com a tinta da coragem e da fé.

Convite à alma a sentir-se feliz

Em cada alvorada dos sentimentos.

Um abraço ao desconhecido

Com a leveza de quem sabe

Que o presente é o único tempo

Em que a vida realmente acontece.


Renova-se o olhar sobre si mesmo.

Acreditar, 

Nas sementes que se jogou ao vento,

Na polinização dos afetos,

Preparar o solo do espírito

Para a colheita de novos sonhos.

Amar é a jornada em que não se 

Precisa vencer o tempo, mas torná-lo aliado.

Quando um novo ciclo torna-se

O momento perfeito para celebrar a vida!


(Revisão e imagens com a IA Gemini. Áudio e vídeo em https://youtu.be/xOFcCvrGmdA)

sábado, 27 de dezembro de 2025

As Crônicas de Artur, de Bernard Cornwell

Leituras e lembranças:

Bernard Cornwell é um dos grandes mestres da ficção histórica. No livro "Excalibur", conclui a jornada épica e sombria de Artur e seus companheiros na Britânia do século V, narrada pelo ponto de vista de Derfel Cadarn, um ex-guerreiro e agora um monge idoso. Concentra-se nos últimos e desesperados esforços de Artur para unir os reinos britânicos e enfrentar a ameaça final e avassaladora dos invasores saxões. A Britânia está cada vez mais fragmentada, não apenas pela guerra, mas também pelos conflitos internos entre os Deuses Antigos (representados por Merlin e Nimue) e o crescente poder do Cristianismo.

A história aborda as consequências das tragédias pessoais e traições que marcaram os livros anteriores, incluindo o rompimento entre Artur e Guinevere e a ascensão de Lancelot como figura ambiciosa e desagregadora. Em meio ao caos, a maior ameaça a Artur não são os saxões, mas a intriga política interna e a ascensão do traiçoeiro Mordred. O livro culmina em batalhas grandiosas e decisivas, onde o destino de Artur e a própria Britânia são selados. A lenda é revisitada de forma realista e brutal, desmistificando a imagem romântica do rei e focando em sua figura como um grande senhor da guerra.

O desfecho mostra o fim da esperança e o começo de uma era de escuridão para os bretões. Prepara o cenário para a ocupação saxã e a transição do mito para a história. Cornwell brilha ao despir a lenda de Artur de seu verniz romântico. A narrativa é crua, as batalhas viscerais e os personagens são humanos, com falhas e motivações complexas. A escrita mantém o ritmo frenético, tendo momentos de ação militar intercalados com drama político e pessoal. Derfel é um historiador que viveu os eventos, o que confere uma profundidade melancólica e uma perspectiva única sobre o que é verdade e o que é lenda.

A figura feminina de Guinevere se destaca, retratada não apenas como a esposa infiel, mas estrategista brilhante e figura de força política, presa às limitações de um mundo dominado por homens. O tom do livro é de despedida. Há uma tristeza palpável no ar, a sensação de que, não importa o quão forte seja Artur, ele não pode lutar contra o destino, nem contra as forças que mudam o mundo (a velhice, o tempo, a religião e a ambição humana). 

A fusão da magia e do histórico, no final, é um toque de mestre que honra a lenda e a abordagem realista de Cornwell. Se você aprecia épicos com personagens complexos, batalhas bem coreografadas e uma visão desmistificada de um mito, "Excalibur" é o livro perfeito. Não só encerra uma saga, mas reflete sobre a natureza da história, da memória e da construção de uma lenda… Temas ideais para o fechamento deste nosso ciclo de "Leituras e Lembranças".

Durante o mês de fevereiro, não publico o Artigo da Semana e o Leitura e Lembranças. Quando voltar à ativa em fevereiro, espero oferecer outras alternativas de textos. Grande abraço! Para quem puder, boas e abençoadas férias!

(Pesquisa e imagens com a IA Gemini. Áudio e vídeo em https://youtu.be/NuWr_HeWTfg) 

sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

Um ano para semear e colher textos

Artigo da semana:

Seja por jornais ou redes sociais, há mais de 30 anos, os leitores e ouvintes têm-me dado a alegria de poder compartilhar o que escrevo ou gravo em áudio e vídeo. Este ano, como retornei às minhas atividades pedagógicas, pontuei meus textos em três vertentes: às sextas-feiras, um “Artigo da semana”, que teve a publicação em jornais e redes sociais; no sábado, “Leituras e lembranças”, espaço em que comentei livros que já havia lido, podendo ser ficção ou conhecimento social; e o “Simplesmente assim”, no domingo, com um poema.

Havia uma nova seara onde era necessário criar as sementes e fazê-las frutificar: o trabalho sistemático com os rapazes que fizeram o Propedêutico da igreja Católica, quando se colocam diante do discernimento sobre a sua vocação. Retornei ao trabalho com os alunos do curso de Filosofia e Teologia no Seminário, propondo temáticas em que se entrelaçassem comunicação e cultura. Uma comunicação mais voltada para o próprio comunicador, como agente, mas também se dando conta de que, efetivamente, se torna um “instrumento” de comunicação.

Comecei a utilizar a inteligência artificial Gemini. No início, desconfiado, precisei me convencer do que já ouvi de escritores mais qualificados do que eu: “instrumentos são instrumentos”, usá-los bem depende de quem se apropria das suas qualidades. Demonizá-los é deixar de qualificar o próprio trabalho. Até agora, tive raros problemas em que o “desconfiômetro” alertava de que a IA estava mal informada. Fazendo pesquisas e revisão, além de análises e boas sugestões de roteiros, tornou-se ferramenta capaz de ampliar os meus próprios horizontes.

Semear textos se torna, com o tempo, um “vício”. Não escrevo mais para ocupar espaços ou para o retorno dos leitores (embora isto seja fundamental). Escrevo por necessidade. O ato de compartilhar o que se pensa e sente é um exercício de liberdade e, ao mesmo tempo, um diálogo ininterrupto. A escrita, nesse sentido, nunca é um ponto final, mas sempre uma vírgula que convida ao próximo pensamento, à próxima leitura, ao próximo encontro… É assim que o ciclo de semear e colher se perpetua, alimentado pela incessante busca por sentidos e sentimentos!

(Com revisão e imagens da IA Gemini. Áudio e vídeo em https://youtu.be/6D1jtDhhz40?si=pgdXeTNl7M_BrbiJ)

Em janeiro, dou uma parada… Volto em fevereiro. Grande abraço!

quarta-feira, 24 de dezembro de 2025

“Menino Jesus”: amor inesperado

Conto de Natal:

Era quase meia-noite quando alguém bateu à porta. Muito estranho: a luz da rua estava acesa e havia uma campainha bem ao alcance da mão. Quando conseguiu fazer a chave funcionar e enfrentar o rangido da dobradiça,  que pedia por um desengripante, não viu mais ninguém. Correu os olhos ao redor, também não existia viva alma. Quando desceu o olhar, ouviu ao longe um sino que anunciava a passagem da véspera para o dia de Natal. E ali estava: uma caixa de papelão com o que parecia ser um amontoadinho de gente…

Fechou e abriu os olhos diversas vezes. Parecia um clichê de novela. Antes que o sino repicasse as 12 badaladas da meia-noite, abaixou-se para examinar a “entrega”. Na primeira dobra de uma fralda, encontrou uma mãozinha que se agitava. Na seguinte, um rostinho de criança, com os olhos arregalados… Em seguida, sentiu o cheiro, que não era de “incenso”, mas da necessidade de banho e trocar os panos. Com medo de que a caixa se desmanchasse, tomou cuidado em trazê-lo para sobre a mesa da sala.

Passaram-se doze anos e, numa outra véspera de Natal, esperava que o seu “presente” daquela noite inesquecível voltasse da rua. Mirava a porta enquanto as lembranças iam se acumulando e insistindo em retornar. Como a necessidade, mesmo após tanto tempo, de acreditar no que foi preciso para readequar a sua vida e a da família para, já idosa, enfrentar a tarefa de criar alguém. Em nenhum momento pensou em desistir. Mas sentia o coração contraído ao pensar que, possivelmente, não conseguisse ver a sua idade adulta. Ainda na calçada, ouviu chamá-la de “mãe” e invadir a casa como um furacão.

O menino, agora pré-adolescente, tinha marcas de doce pelo rosto e um sorriso brincalhão. Correra pela vizinhança, ajudando a montar presépios e iluminar as árvores. Para ela, a confusão alegre que causava ao entrar era um bálsamo contra a solidão que a idade insistia em impor. Ele jogou a mochila num canto e, antes de ser repreendido, correu para a beirada da mesa, onde um prato de rabanadas o aguardava. O doce, o frito e polvilhado de canela e açúcar era uma das muitas “cumplicidades” que haviam construído juntos.

Sorriu, sentindo que, de alguma forma inexplicável, aquela noite de doze anos atrás não tinha sido um clichê, mas uma dádiva. A incerteza da velhice era suavizada pela certeza de um amor inesperado. Enquanto ele mastigava apressadamente, contando sobre os fogos de artifício que veria mais tarde, ela agradeceu silenciosamente pela campainha ter tocado, pela “música de fundo” que foi o rangido da porta e, principalmente, pela caixa de papelão, que ainda guardava. Aquele era o seu Natal. Completo. Pois fora presenteada com o seu próprio “Menino Jesus”!

Que tu recebas o Menino Jesus em teu coração. Meu carinhoso abraço. Deus te abençoe sempre!

(Imagens e revisão pela IA Gemini. Áudio e vídeo em https://youtu.be/Jjj2S4lfF2c)

domingo, 21 de dezembro de 2025

O lugar para aconchegar um abraço

Simplesmente assim:


Você já encontrou um sentido para o Natal?

As imagens são bem feitas;

Os vídeos, encantadores;

As luzes aconchegam sonhos.

É aí que reside a essência

Do Deus Menino,

Ao abdicar da Divindade

Para viver a sua humanidade?

 

Qual o sentido do amor?

Sem encontrar um sentido para o Natal,

Não há como significar o amor.

As palavras se envergonham

Ao tentarem uma definição.

E os homens navegam pelos

Prazeres do corpo para

Lhe prostituir o que é a sua essência...

 

A resposta não está em teorias…

Um recém-nascido

É incapaz de teorizar sobre

A vida e as relações.

Um Deus Criança não cabe

Na definição dos pensadores

E dos homens que tramam as decisões políticas.

 

Crer no Menino Deus

Foge da seara da concretude para

Navegar pelos caminhos da fé.

Na manjedoura,

Insiste em brotar, todos os anos, 

A maltratada esperança…

Onde nasce o Menino Deus é o lugar 

Privilegiado para aconchegar um abraço!


(Revisão e imagens com a IA Gemini. Áudio e vídeo em https://youtu.be/97UITGW9i28)

sábado, 20 de dezembro de 2025

O Discurso do Rei, de Mark Logue

Leituras e lembranças:

Uma boa dica de leitura para quem entra em férias em janeiro ou fevereiro é o livro O Discurso do Rei, de Mark Logue. Explora a história real do relacionamento entre o Príncipe Albert, Duque de York (que se tornaria o Rei George VI) e o terapeuta da fala autodidata australiano, Lionel Logue. O protagonista, Bertie (como o Príncipe Albert era conhecido), sofria de uma gagueira severa desde a infância, o que o tornava incapaz de discursar em público com fluidez. 

Essa dificuldade era especialmente problemática considerando sua posição na família real e a crescente importância do rádio na comunicação com o povo. Após tentar vários tratamentos tradicionais sem sucesso, Bertie é apresentado a Lionel Logue, um terapeuta com métodos pouco convencionais e uma abordagem muito mais informal e pessoal do que a corte estava acostumada. O livro detalha a evolução dessa relação, que começa com a desconfiança do Duque e se transforma numa profunda amizade e parceria.

A narrativa é ambientada nas primeiras décadas do século XX, com o pano de fundo da iminente Segunda Guerra Mundial. A necessidade de comunicação efetiva atinge seu ápice quando o irmão mais velho de Bertie, Edward VIII, abdica do trono em 1936,  tornando-se o Rei George VI. Precisa fazer um discurso vital para a nação, declarando guerra à Alemanha. Com a ajuda de Logue, supera a gagueira o suficiente para transmitir firmeza e esperança ao povo britânico em um dos momentos mais sombrios da história.

O livro é baseado nos diários e arquivos de Lionel Logue que ficaram guardados pela família por muitos anos, oferecendo um olhar íntimo sobre os bastidores dessa relação. Muito mais do que a história de um tratamento de fonoaudiologia, é um estudo fascinante sobre liderança, humanidade e o poder da conexão pessoal. A maior força da obra reside na forma como ela humaniza o Rei George VI, mostrando suas inseguranças e vulnerabilidades, e enfatiza a relação de confiança que constrói com Logue. 

O terapeuta não só trata a gagueira, mas também as questões emocionais e psicológicas por trás dela. Logue foca na empatia, acolhimento e dignidade do paciente. O livro insere a luta pessoal do Rei num contexto de crise global. A voz do monarca era, literalmente, a voz da nação. A superação de Bertie é fator-chave para a moral britânica durante a guerra, justificando o subtítulo Como Um Homem Salvou a Monarquia Britânica. 

A narrativa permite uma visão única dos bastidores da corte, incluindo o relacionamento de Bertie com sua esposa, a Rainha Elizabeth (mãe da Rainha Elizabeth II). É uma leitura comovente, inspiradora e rica em detalhes históricos. O livro oferece uma perspectiva diferenciada sobre a história britânica e o impacto que a determinação pessoal e o apoio de um amigo (e terapeuta) podem ter no destino de um indivíduo e de uma nação.

(Pesquisa e revisão com a IA Gemini. Áudio e vídeo em https://youtu.be/XqDkm0G4DN4)


sexta-feira, 19 de dezembro de 2025

Natal: viver na família e em família

Artigo da semana:

A melhor definição de comunicação com a qual já trabalhei é ser “interação entre pessoas que desejam se aproximar”. Elas são muitas e há muito tempo deixaram de ser apenas “um comunicador, uma mensagem e um destinatário passivo”. Assim como muitas outras palavras da nossa amada língua portuguesa, não há um sentido único, mas a necessidade de se entender o momento em que é utilizada e o seu contexto. Exatamente, em tempos em que se descuidou de valores básicos nas relações, um dos mais propícios para realimentar significados e significância é aquele que se vive nas festividades do Natal e sua proximidade, o Ano Novo.

A engrenagem comercial que praticamente lhe retirou o sentido religioso não consegue apagar a sua essência: uma celebração para se viver na família e em família. Quando existe um agregador familiar, se quotiza para fazer uma festa em que as presenças podem ter variados pensamentos, matizes ideológicas ou religiosas, sem impedir de se viver “na família”. Por outro lado, quando se perde a presença daqueles que um dia constituíram o grupo familiar é que se entende o quanto as desavenças não deveriam ter impedido de se viver este momento “em família”.

As mudanças nos costumes sociais, especialmente quando o grupo familiar precisou se distanciar geograficamente, leva a que se procure por “novos” integrantes para conviver com o mesmo sentido dos tempos passados na raiz do núcleo de parentesco. É quando se agregam os amigos mais próximos, ganhando sentido a máxima de que, muitas vezes, granjear “amigos” de verdade é continuar a família não mais com aqueles que têm laços biológicos, mas quando se estabelecem as relações de “coração”, em que se adotam novos “irmãos” de caminhada.

O Natal e Ano Novo se estabelecem como um tempo fértil para que o sentido original da comunicação – a aproximação – seja resgatado. É o período em que, mesmo que por força da tradição ou de um calendário que impõe uma pausa, a comunicação retoma o sentido de estabelecer pontes, diminuir distâncias – geográficas ou emocionais – e reafirmar vínculos. A troca de presentes, a mesa farta, os abraços calorosos, são rituais que expressam a busca por essa interação genuína, que se contrapõe à superficialidade das relações cotidianas.

A efemeridade das festas não deve limitar a redescoberta desse valor. Se a comunicação é o desejo de aproximação, o espírito das festividades inspira para se prolongar essa atitude ao longo do ano. Não apenas com quem já faz parte do círculo íntimo, mas estendendo a mão ao vizinho, colega de trabalho, o desconhecido que cruza o caminho. O Natal, mesmo despojado da roupagem religiosa, para muitos, oferece uma lição sobre a importância da presença, da escuta e, sobretudo, da interação que busca aproximar. Viver "em família" e "na família" é, no final das contas, um exercício contínuo da boa comunicação!

domingo, 14 de dezembro de 2025

A receita perfeita para que sejas feliz

Simplesmente assim:

Abre as portas e janelas

Quando caírem os primeiros pingos da chuva.

Esquece dos cuidados com a saúde e

Transgride as normas da velhice!

Não perde o cheiro que emana da terra,

Diferente, profundo, envolvente:

Carícia e libertação.


Onde o teu olhar alcança,

a cena vai roubar um sorriso,

Ao encontrares crianças que brincam,

Dançam e se libertam. 

As águas correm pelas calçadas,

Dão novo vigor à grama e às plantas,

Transformam valetas em rios de imaginação…


A tua paz, que o alarido machuca,

É o convite à vida que escorre

Como lágrimas capazes de aspergir

O perdão e a regeneração.

A Natureza te dá a oportunidade

De receberes um batismo de humanidade.


Aceita o convite das ruas.

Trôpego, dançarás desajeitadamente.

Será necessário um tempo

Para sincronizares teu corpo

Com a batida dos pingos no rosto

E o riso das crianças:

A receita perfeita para que sejas feliz!


(Com a IA Gemini. Áudio e vídeo em https://youtu.be/tyiccmM0_Hs)

sábado, 13 de dezembro de 2025

A Batalha de Moscou, de Andrew Nagorski

Leituras e Lembranças: 

O livro "A Batalha de Moscou", de Andrew Nagorski, é um dos pilares da linha de História Militar da Editora Contexto. A obra se insere em um vasto catálogo focado nos grandes confrontos e figuras-chave da Frente Oriental, oferecendo uma visão aprofundada. Seu grande diferencial é a utilização de fontes soviéticas, muitas vezes obscuras e pouco acessíveis, que desvendam os bastidores do conflito para o público ocidental.

Nagorski lança luz sobre um dos confrontos mais sangrentos e subestimados da Segunda Guerra Mundial, que se estendeu de setembro de 1941 a abril de 1942. O autor argumenta que, apesar de ofuscada por Stalingrado, a Batalha de Moscou foi decisiva. Ela marcou o primeiro fracasso da tática de guerra relâmpago (Blitzkrieg) de Hitler e comprovou que a invencibilidade do poderoso exército nazista era, afinal, falível.

Um ponto forte da narrativa é como traça paralelo entre biografias e estilos de liderança dos dois tiranos: Adolf Hitler e Joseph Stalin. Detalha as decisões desastrosas de Stalin, que ignorou os avisos de invasão alemã, mas também como o ditador soviético transformou uma debandada inicial em uma vitória defensiva. Essa virada só foi possível devido à resiliência do povo russo, ao rigor do inverno e à mobilização total pela defesa da Pátria.

Nagorski, um premiado jornalista e ex-correspondente da Newsweek em Moscou, se destaca pelo uso de documentos e relatos guardados nos registros russos. Essa pesquisa minuciosa permite que ele apresente os bastidores da tentativa de ocupação alemã com crueza e precisão. O resultado é um retrato impressionante do altíssimo preço humano da vitória soviética, com baixas estarrecedoras que, estima-se, ultrapassaram os 2,5 milhões de soldados mortos, feridos ou feitos prisioneiros em ambos os lados.

Além de Nagorski, a Contexto consolidou sua reputação com títulos indispensáveis na mesma linha editorial. Destacam-se "Stalingrado 1942", "O Cerco de Leningrado", "A Conquista de Berlim - 1945" e, abordando outros temas do teatro das operações, "O Dia D" e "A Nossa Segunda Guerra – Os Brasileiros em Combate". A editora foca em um catálogo que desafia mitos e aprofunda a compreensão estratégica dos eventos.

Em suma, a Editora Contexto não apenas narra os eventos, mas busca aprofundar a compreensão sobre as estratégias, a liderança e o custo humano dos conflitos. O livro de Andrew Nagorski é um pilar dessa coleção, ao focar em uma batalha que foi crucial para definir os rumos da guerra, e consequentemente, da própria história do século XX.

(Imagens e pesquisa com a IA Gemini. Este e outros textos em manoeljesus.blogspot.com. Áudio e vídeo em https://youtu.be/2E6OPRWLsSg?si=YPGzH5epf8tj_fNf)

sexta-feira, 12 de dezembro de 2025

Fim de ano: entre presentes e presenças

Artigo da semana:

Uma das imagens mais bonitas que vi, recentemente, foi a do menino que ainda chupava o bico e os pais tentavam o desapego. Esta “separação”, talvez seja uma das primeiras vezes em que se precisa virar uma página da vida. É o momento em que muitos dos passos que precisam ser dados dependem de decisões próprias e do carinho de quem nos acompanha. As bengalas existenciais. 

Neste caso, foi um belo ato pedagógico. Os pais colocaram um conjunto de balões num barbante e o bico na outra ponta. Na boca que ainda teimava em permanecer com o que, muitas vezes, se torna um vício. Quando os balões foram soltos, aos poucos, puxaram o bico que se desprendeu e alçou voo. A surpresa, o semblante aflito e, por fim, o direito a uma das muitas despedidas. 

Recentemente, uma amiga, em tratamento e debilitada fisicamente, pediu emprestada a bengala que comprei, dizendo que era minha e para o uso próprio. Nunca me neguei a emprestá-la. Foi assim com meu pai e depois com minha mãe. Quando sentados, em muitos momentos, servia de brinquedo para as crianças. No entanto, sempre retornou e fica pendurada à vista, lembrando da minha própria finitude. 

Ao longo da vida, muitos são os “bicos” (ou bengalas) dos quais se precisa o “desmame”. Alguns são calmos e serenos, outros, doloridos e marcantes. Nas festas de fim de ano, para quem já pode fugir do agito, é um bom tempo para tomar consciência de tudo o que deveríamos ter desapegado e ficou grudado sem necessidade. Presentes são ótimos, presenças são melhores ainda…

É preciso reconhecer que todos eles foram bengalas que deram arrimo durante uma etapa da vida. Entender que, passada a carência, é necessário desapegar e seguir adiante, o que exige confiança pessoal e social. Diante do que são medos e arrependimentos, amadurecer é reconhecer que embora não se tenha todas as respostas, a existência oferece instrumentos capazes de dar perspectiva ao que é o simples fato de viver!

Revisão e imagens com a IA Gemini. Áudio e vídeo em https://youtu.be/VKshOpNKv00)


domingo, 7 de dezembro de 2025

O mapa das minhas dores

Simplesmente assim:

As feridas passadas

Traçam um mapa

Sobre a pele.

Quando o tempo avança,

Sente-se, mais do que se vê,

Que as marcas que ficam, são 

Memórias balizando destinos.


Não se esquecem as feridas

Que o amor causou:

Os acidentes e incidentes que se

Dissolvem nas brumas

Da passagem dos dias, meses e anos.


As que envolvem quem se acarinhou

Têm, nas estações da vida,

Uma presença marcante,

Que nos deixam mais lentos,

Menos impetuosos,

Carregando as dores.

Marcas de mãos que não se esquece. 


Feridas não penetram no corpo pelos olhos:

Destilam-se em meio às partículas, 

Mirando a própria alma.

Nunca foi um descuido,

Mas o traçado de um caminho.

Onde a cumplicidade se viu traída

E o desencontro de corações 

Colocou de joelhos sentimentos e afetos…


(Imagens produzidas pela IA Gemini. Áudio e vídeo em https://youtu.be/qRoDe_ggO4M)

sábado, 6 de dezembro de 2025

O Círculo dos Dias, de Ken Follet

Leituras e lembranças:

O último romance de Ken Follet, "O Círculo dos Dias", repete a fórmula que já deu certo em outras obras, como Os Pilares da Terra: É um mergulho ficcional num período histórico fascinante. Desta vez, a aventura explora o mistério por trás da construção de um dos monumentos mais enigmáticos da história: Stonehenge, uma estrutura composta por círculos concêntricos de pedras, que chegam a 5 metros de altura e pesam quase 50 toneladas, localizada na Inglaterra, condado de Wiltshire, planície de Salisbury. 

A história se passa por volta de 2500 a.C. A narrativa é construída em torno de um talentoso mineiro (Seft) que busca uma vida melhor e se apaixona por Neen, uma jovem de uma comunidade de pastores. Seu conhecimento em pedras e mineração será fundamental para a realização do grande projeto. E uma sacerdotisa (Joia), irmã de Neen, que deseja construir um gigantesco círculo de pedras, com as maiores rochas do mundo, como um símbolo de união e para marcar a passagem do tempo e das estações.

A visão de Joia inspira Seft e se torna a missão central de suas vidas. O livro acompanha a épica e complexa logística da busca, transporte e ereção dessas rochas maciças, um feito de engenharia monumental para a época. O sonho da união é ameaçado por tensões crescentes. Uma seca devastadora atinge a Grande Planície, aumentando a desconfiança e os conflitos por recursos entre pastores, agricultores e habitantes das florestas. Um ato de violência brutal catalisa a discórdia em uma guerra tribal, forçando os protagonistas a lutar pela sobrevivência, pelo amor e pela concretização do monumento que deveria marcar a paz.

O livro tem a digital de Follett: uma ficção histórica envolvente e detalhada que equilibra fatos históricos conhecidos (a existência e a estrutura de Stonehenge) com personagens fictícios complexos e tramas de tirar o fôlego. O leitor acompanha pessoas comuns (o mineiro, a sacerdotisa, a comunidade de pastores) lidando com desafios extraordinários. Follet consegue tornar a logística primitiva de mover pedras que pesam toneladas em uma narrativa viciante, repleta de coragem, persistência e criatividade.

Os personagens são bem identificados, com motivações claras. A história explora temas atemporais como fé, poder, ambição, destino, amor e a urgência da paz em meio ao conflito e à desigualdade. A luta entre a visão de união de Joia e o egoísmo e a violência de líderes tribais é um motor poderoso para a trama. "O Círculo dos Dias" é um retrato épico e arrebatador da vida na Idade da Pedra, uma leitura envolvente para quem aprecia romances históricos longos e detalhados. Especialmente para os admiradores do trabalho de Ken Follett em desvendar grandes mistérios da história através da ficção.

Eu disse para vocês que iria ser uma boa leitura para as férias!

(Pesquisa e imagens geradas pela IA Gemini. Áudio e vídeo em https://youtu.be/hBnEig6LtTc)

sexta-feira, 5 de dezembro de 2025

Os potes que continuam as festas…

Artigo da semana:

Durante um bom tempo, fui consumidor voraz de sorvetes. Havia parado de beber e transferi um pouco da minha dependência para o açúcar. Tinha a preferência por determinada marca que, além da qualidade inquestionável, acondicionava em potes mais resistentes. Quando pensei em descartá-los, meu pai pediu que não o fizesse. Entregasse a ele, que daria um destino.

Já contei que o seu Manoel - meu pai, o primeiro, e não eu - era um agregador. Aumentamos a casa pela necessidade que tinha de, aos fins de semana, reunir filhos e netos que estivessem na cidade. Tendo o costume, após o churrasco, de repartir as sobras da carne, com acompanhamentos, e a explicação de que, assim, ninguém precisaria se preocupar com a janta.

Foi então que apareceram os potes. Vazios, claro, bem lavados, eram os recipientes perfeitos para fazer a separação dos alimentos, já que, de um encontro ao outro, sempre desapareciam os potes da nossa cozinha. Fui espiar onde haviam parado e, numa portinhola junto da churrasqueira, estavam as vasilhas que havia descartado e foram “recicladas” pelo pai.

Uma boa e bela lembrança de momentos felizes passados em família, especialmente nesta época de final de ano, que se apresenta, com o início de dezembro. Propício para reencontros com quem, por algum motivo, se afastou. No frigir dos ovos, a gente passa a contar o tempo em que se está longe de quem se amou, com o desejo de que não seja muito longo…

Dezembro chegou. Um mês de preparação para o Natal e Ano Novo. Tempo de encontrar os potes que continuam as festas, pois, até mesmo na janta requentada, o alimento tem sabor de lembranças. As vozes que se afastam não se apagam. Ressurgem, virando instrumentos de saudades, gatilhos para sorrisos perdidos e olhares agradecidos por ainda se viver num tempo em que se compartilha uma refeição que tem gosto de carinho…