quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Eleições: a justiça pelo voto

Uma charge irreverente: Jesus está pregado na cruz e, à sua frente, um religioso paramentado acusa-o com o dedo em riste: "viu, se não tivesse se metido em política não estaria nesta situação". Desde que começou a se consolidar a Doutrina Social, a Igreja vive este dilema: um grupo busca um maior envolvimento com as causas sociais, enquanto outro opta por mais cautela.
Diversos documentos da Igreja Católica recomendam que os cristãos se posicionem nas eleições. Mesmo que o clima não seja dos melhores pois os diversos escândalos que envolveram políticos em tempos recentes deixou um gosto amargo de que "não tem jeito" e que "nada pode mudar".
Esta é uma forma acomodada de ver as coisas. O documento de Aparecida já dizia que o leigo "é a presença da Igreja no coração do Mundo. E a presença do Mundo no coração da Igreja". Isto vale para a política - de forma mais ampla como o melhor jeito de administrar a "polis" (cidade) - como para a política partidária, que deveria executar o plano daqueles que pensam diferente a respeito do jeito de conduzir os recursos públicos.
O voto parte da formação do pensamento de forma individual: até se pode ouvir, mas quem tem que fazer uma opção é o eleitor. Infelizmente, algumas pessoas, mal informadas (ou até mal intencionadas) estão sugerindo que se anule o voto. Esquecem que já se viu este tipo de ação e foi desastrosa. A omissão premia o que de pior existe nos quadros da política partidária.
Jesus soube atuar politicamente. A política aconteceu - no Seu caso - quando defendeu pobres, preocupou-se com a saúde, criticou religiosos e homens da lei. No entanto, a história dos últimos anos mostra o distanciamento de Seu seguidores da esfera política. Vê-se a ascensão de governos afastados dos valores cristãos e, em muitos casos, contrários ao Seu espírito.
Madre Tereza de Calcutá tornou-se santa em setembro depois de ouvir uma voz que lhe dizia no tumulto das ruas da periferia: "tenho sede". A partir daí, começou a se questionar a respeito da vida religiosa que levava e perguntava às suas irmãs: "Deus não quer o bem de todos?"
Encontrar formas de saciar a sede e de concretizar uma sociedade inclusiva é diferente de tornar a população apenas um degrau para atender a ânsia de poder. Está aí um critério para escolher candidatos nas próximas eleições. O outro está na máxima de Aristóteles: "a politica não deveria ser a arte de dominar, mas sim a arte de fazer justiça".
Postar um comentário