quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Depois das Olimpíadas: a vida continua

Passadas as Olimpíadas - embora também tenhamos que prestar atenção nas Paraolimpíadas - é hora de voltar a atenção para as questões internas do Brasil. Em especial, as eleições municipais, já no início de outubro. Mudanças no governo federal, com o afastamento da presidente Dilma. E a preocupante situação econômica que levou o Brasil ao número assustador de 12 milhões de pessoas desempregadas.
Num período em que a política está em baixa, vai se ouvir muita coisa, inclusive o que nada tem a ver com as funções que entram no seu voto. É o caso do vereador. Qual é a sua função? legislar, fiscalizar a Prefeitura, promover debates públicos, medir os interesses da população perante o Executivo. Não é função: distribuir cesta básica; pagar churrasco; festas; oferecer emprego ou vagas; tapar buracos e prometer obras.
As mudanças no governo deveriam servir para um processo de conscientização. Há, no Congresso, uma proposta para que se moralizem as relações em todos os níveis. Seu debate nos últimos dias mostrou que os políticos tentam fazer modificações para que, ao fim, mude a forma, mas não a essência dos problemas éticos e morais.
A saída da presidente Dilma trouxe o presidente Temer, que vociferou mais do que fez. Patina em relações que, se não são promíscuas, estão na fronteira de relacionamentos escusos e oportunistas. Quando se achava que o presidente teria coragem para fazer mudanças, a possibilidade de uma nova eleição o deixou refém dos mesmos grupos que dominam o governo federal e o Congresso. Houve uma leve melhoria, mas manteve os agentes econômicos em estado de alerta, sem a volta da geração de empregos.
Mesmo que a agenda seja pesada, não perca as Paraolimpíada. Ainda há muita emoção pela frente. Nas Olimpíadas, vimos situações em que a superação e a garra falaram mais alto por desempenho de atletas e suas equipes. Com todos os nossos problemas, sentimos orgulho de congregar os povos num evento esportivo.
Mas as Paraolimpíadas são especial: desde que os soldados saídos da 2ª Guerra Mundial resolveram se encontrar para mostrar seus avanços em recuperação de traumas físicos e psicológicos este evento traz uma mensagem singela e carregada de empatia. Um tempo para demonstrar a capacidade de superação, afinal, é dos embates que nascem as vitórias.
E quando olharmos para os esforços destes atletas pode-se pensar que superação é pouco para tudo o que fizeram e passaram para conquistar o direito de estar no Rio de Janeiro diante dos olhos do Mundo. Que reluzam e nos ensinem a valorizar cada um por aquilo que são. Foi feliz um anônimo quando postou na Internet: "até os planetas se chocam... E do caos, nascem as estrelas".
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