terça-feira, 24 de setembro de 2013

No ar, o espírito de Primavera e natalino.

Confissão em um dia de chuva: a partir de agora, o jeito Primavera de ser anda junto com o espírito natalino. E isto me agrada muito. Mas não gosto do tempo de Natal e Ano Novo. Calma, posso explicar esta aparente contradição. A estação mais colorida do ano anda junto com um tempo em que se tira do baú muitas boas ações, acentua-se a solidariedade e há nos olhos das pessoas um sentimento de esperança, um arfar do peito em que o suspiro quer superar o amargor dos dias frios em que estamos encolhidos e "meditabundos".
O espírito natalino começa a acontecer, apesar de toda a parafernália de anúncios consumistas de final de ano. Para a economia e a mídia, esta é a festa mais importante do ano. Mas não é a festa cristã mais importante. Para os crentes, a morte e ressurreição de Cristo (Páscoa) é a festa que supera todas as demais, porque somente ela dá sentido à fé cristã.
Mas há um espírito de boa-vontade nas músicas que se ouve, nas lembranças e contatos que se renovam, numa caminhada que leva a duas datas importantes. Mas, para mim, tristes. Lembro, em versos livres, o poetinha Mario Quintana quando diz: "caminho de lado, mancando pelo lado esquerdo, porque já são muitos os amigos e familiares que carrego no peito".
Por este motivo, não tenho o costume de esperar a meia-noite, no Natal. Aliás, não consigo entender porque se espera por este horário, já que não há uma hora historicamente estabelecida para o nascimento do menino Jesus. Também não espero a hora da virada, pois tenho a impressão de que este tempo de passagem propicia mais a introspecção do que os foguetórios, o excesso de bebidas e comidas e a loucura de enfrentar o trânsito para chegar à uma lagoa, ao mar, na única coisa com sentido: buscar energia positiva na natureza para seguir com a vida.
Mas, então, é aproveitar este momento. A energia que se renova dá sentido a pequenos gestos, que podem ser de gentileza, envolvidos em carinho. As pequenas lembranças de encontrar à mesa algo que se gosta, poder trocar duas ou três palavras na lembrança de um jogo de futebol, um bate papo com um grupo que se aventurou pelos estudos depois de se encontrar em idade avançada, mas bebe cada informação como se fosse o mais puro vinho, aproveitar o final do dia e tomar um chimarrão vendo o por de sol. Este é o espírito natalino: ele não precisa ser estabelecido apenas em um estação, mas pode ser saboreado ao longo de cada um dos 365 dias do ano.
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