sábado, 7 de setembro de 2013

Ele não é Nobel da Paz

Ele não é um Nobel da Paz, no entanto, o pastor Carlos Miguel da Silva é um homem de boa vontade, um lutador pela paz. Quando soube que um membro do seu rebanho havia perdido tudo na enchente dos últimos dias na grande Porto Alegre, conseguiu um lugar para abrigar a família Monteiro e tomou a si o trabalho de fazer uma campanha para arrecadar recursos e doações para reconstruir aquele lar dado por perdido.
Durante uma semana, abrigados na casa de amigos, a família pensou que tinha havido perda total dos bens e não se animava a retornar ao lugar. Neste meio tempo, cerca de 30 pessoas faziam o trabalho de formiguinha: limparam e restauraram a estrutura, repuseram os azulejos, as cerâmicas, os móveis, pintaram e, enfim, havia uma casa para ser devolvida aos seus autênticos donos.
A cena não poderia deixar de ser emocionante. Pois são a estes homens de boa vontade que o papa Francisco tem se dirigido nos últimos dias: diante da ânsia dos senhores da guerra, capitaneados por um prêmio Nobel da Paz, presidente americano Barack Obama, a lutar para desarmar uma guerra que não vai trazer benefícios para a população da Síria, como também àquela região do Oriente. Quem vai sofrer, como sempre, são mulheres, idosos e crianças, numa sociedade em que os homens morrem primeiro, vítimas da voracidade da guerra. E quem ganha com isto?
Sempre achei que, em muitos casos, infelizmente, também estes reconhecimentos são mais econômicos e políticos do que na realidade a certeza de que são homens que fizeram alguma coisa pela humanidade. Como registrei nas redes sociais, tive uma desilusão com o senhor Obama, já que, em seu governo, os crimes contra a humanidade e os direitos humanos foram praticados sem que nada tivesse sido feito pelo democrata em contrário.
No século passado, a sociedade internacional se envolveu em duas guerras mundiais: 14 a 18 e de 39 a 45. De nenhuma delas pode-se dizer que o Mundo saiu melhor, alguém foi vitorioso e alguém perdeu. Nas relações internacionais, quase sempre, custa mais construir um clima de cooperação, mas quando ele se consolida, trocam-se bombas por tratores; militares por educadores ou médicos; hostilidades por intercâmbio. Na feliz expressão de João Chagas Leite, quem sabe “se os senhores da guerra mateassem ao pé do fogo, deixando o ódio pra trás, antes de lavar a erva, o mundo estaria em paz!”.
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