segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Entre a vida e o fundo do poço

Em Pelotas, uma segunda nublada, úmida, típica da chamada "segunda Londres". Em meio ao mau tempo, a procura por ânimo e disposição de enfrentar mais uma semana. Ouvindo o programa do professor Jorge Malhão, na Rádio Tupanci - onde também faço comentários às segundas e sextas - uma frase lapidar: "abrace a vida e não o fundo do poço".
Opa, que tiro certeiro. A gente passa por diversos momentos na vida onde, até se tem o direito, de chegar à beira do poço. Mas é preciso lutar para não "abraçá-lo", ou cair nele.
Tenho dito que, no meu momento atual, acompanhando uma pessoa idosa, as nossas forças vão sendo solapadas, mas que existem, ao menos, dois fundamentos que não deixam desistir: a espiritualidade e saber que esta mesma pessoa nos deu muitos e muitos anos de muitas alegrias.
Viver tem que ser exatamente isto: encontrar sentido em cada um de nossos momentos: aquele em que se passeia pelos caminhos e aqueles que se fica aprisionado a um leito; os sorrisos marotos e provocativos e as lágrimas furtivas pela espera do fim da vida; a mão que é estendida para uma brincadeira e aquela que pede forças para enfrentar a dor.
O telefonema para um amigo foi para dizer que não podia estar com ele todo o tempo que ele merecia - mas que estava com ele em minhas orações - mas que também o meu tempo era gasto acompanhando alguém que precisava dele.
Pode ser qualquer dia da semana, pode ser qualquer dia do mês, o que importa é que a caminhada continua: muitas vezes andamos meio mancos, mas o que nos empurra para o chão tem a contrapartida daqueles que nos sustentam com sua presença e orações.
Somos nós e nossas circunstâncias. A vida nos pede sacrifícios, mas nos oferece um dia de sol para os pais; a leitura de um poema por uma sobrinha, ou apenas um olhar de confiança de quem depende de nós para o ato mais sagrado da existência: viver.
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