domingo, 15 de novembro de 2009

Um bom e demorado abraço

Uma rede de supermercados da Zona Sul do Estado lançou uma campanha em que o ator sai de uma loja carregando diversos produtos, em sacolas recicláveis, e é abraçado na rua, por diversas pessoas que lhe são estranhas, em reconhecimento por sua ação positiva em favor do meio-ambiente. Claro que o mais emocionado é quando chega em casa, de sua companheira.
Lembrei do jeito prazeroso como os abraços eram recebidos quando vivenciei igual experiência de uma amiga que teve o esposo desempregado; um aluno aprendendo a lidar com o sentimento de perda, especialmente de amigos próximos e na família; e o filho de amigos que luta para ter a afetividade respeitada, inclusive a sua sexualidade.
Estávamos conversando, quando senti que a amiga iria chorar. Abri os braços e foi tomada por convulsões, extravasando sentimentos represados, precisando, de alguma forma, ser compartilhados. Mas ela é forte - embora sejam chamadas de “sexo frágil” - o grande esteio de uma família, onde, além do marido e três filhos, ainda cuida dos pais e cumpre tripla jornada de trabalho: em casa, lecionando e estudando.
O garoto que viu desmoronar uma série de relações em pouco menos de um ano ficou marcado por ter a mesma crença que todos um dia tivemos: de que nossas relações afetivas da juventude seriam eternas. Se o normal é que, passados os anos universitários, tomemos caminhos diferentes, diversos fatores levaram à perda de amigos e problemas familiares. E ainda precisa clarear o que quer de seu futuro, sendo daqueles alunos que a gente diz: “vou vê-lo tomar conta do Mundo!”
Em caso semelhante, está aquele que também vai ser um grande profissional, mas precisa, hoje, ver sua privacidade respeitada, querendo apenas o que é de seu direito: um lugar profissional, ao qual fez por merecer, independente do que sejam suas opções afetivas e sexuais.
Nos três casos, as pessoas têm as suas próprias respostas, mesmo que, neste momento, estejam fragilizadas, precisando de um ombro amigo, um olhar atento e afetivo e, se ainda assim estiver doendo muito, um bom e demorado abraço.
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