quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

O sabor dos próximos 365 dias

2025. Apenas um ano que passou?

O giro inevitável do relógio e do calendário?

2026. Promessas, desejos, anseios?

A sofreguidão do que ainda é pura expectativa?

 

Lembranças de vivências passadas

Aprisionam o olhar que deveria ater-se ao presente.

Definha-se quando a vida escorre

Pela ampulheta do tempo e da saudade…

 

Nas dobras das possibilidades, ancoram-se

Certezas que navegam pela imaginação.

Projeções que roubam a realidade

E o sentido de ser presença.

 

O ano novo deixa marcas

Com a tenacidade do destino.

Tem a força de um recomeço,

O cheiro de oportunidades,

A urgência de ser saboreado, 

Gota por gota,

Pelos próximos 365 dias…


Tim-Tim. Que seja perfeito no sabor que desejares!


domingo, 28 de dezembro de 2025

Ano novo: celebrar a vida

Simplesmente assim:


Há um tempo de voltar ao ano que já partiu?

Sim, o tempo das lembranças,

Filamentos que reúnem instantes em que

Se ansiou pela vida em plenitude.

Os momentos das presenças:

Mais sentidas, envolventes, aquelas

Que foram a razão de não desistir da caminhada…


Um novo ano é sempre a perspectiva

De novos caminhos.

Acalentar outras esperanças,

Olhar para o entorno, na busca

Por rostos e corpos que dão motivo

Ao andar, com o coração aquecido,

Juntando carinhos e carências.


O ano que chega traz a promessa

De uma página em branco, a ser escrita

Com a tinta da coragem e da fé.

Convite à alma a sentir-se feliz

Em cada alvorada dos sentimentos.

Um abraço ao desconhecido

Com a leveza de quem sabe

Que o presente é o único tempo

Em que a vida realmente acontece.


Renova-se o olhar sobre si mesmo.

Acreditar, 

Nas sementes que se jogou ao vento,

Na polinização dos afetos,

Preparar o solo do espírito

Para a colheita de novos sonhos.

Amar é a jornada em que não se 

Precisa vencer o tempo, mas torná-lo aliado.

Quando um novo ciclo torna-se

O momento perfeito para celebrar a vida!


(Revisão e imagens com a IA Gemini. Áudio e vídeo em https://youtu.be/xOFcCvrGmdA)

sábado, 27 de dezembro de 2025

As Crônicas de Artur, de Bernard Cornwell

Leituras e lembranças:

Bernard Cornwell é um dos grandes mestres da ficção histórica. No livro "Excalibur", conclui a jornada épica e sombria de Artur e seus companheiros na Britânia do século V, narrada pelo ponto de vista de Derfel Cadarn, um ex-guerreiro e agora um monge idoso. Concentra-se nos últimos e desesperados esforços de Artur para unir os reinos britânicos e enfrentar a ameaça final e avassaladora dos invasores saxões. A Britânia está cada vez mais fragmentada, não apenas pela guerra, mas também pelos conflitos internos entre os Deuses Antigos (representados por Merlin e Nimue) e o crescente poder do Cristianismo.

A história aborda as consequências das tragédias pessoais e traições que marcaram os livros anteriores, incluindo o rompimento entre Artur e Guinevere e a ascensão de Lancelot como figura ambiciosa e desagregadora. Em meio ao caos, a maior ameaça a Artur não são os saxões, mas a intriga política interna e a ascensão do traiçoeiro Mordred. O livro culmina em batalhas grandiosas e decisivas, onde o destino de Artur e a própria Britânia são selados. A lenda é revisitada de forma realista e brutal, desmistificando a imagem romântica do rei e focando em sua figura como um grande senhor da guerra.

O desfecho mostra o fim da esperança e o começo de uma era de escuridão para os bretões. Prepara o cenário para a ocupação saxã e a transição do mito para a história. Cornwell brilha ao despir a lenda de Artur de seu verniz romântico. A narrativa é crua, as batalhas viscerais e os personagens são humanos, com falhas e motivações complexas. A escrita mantém o ritmo frenético, tendo momentos de ação militar intercalados com drama político e pessoal. Derfel é um historiador que viveu os eventos, o que confere uma profundidade melancólica e uma perspectiva única sobre o que é verdade e o que é lenda.

A figura feminina de Guinevere se destaca, retratada não apenas como a esposa infiel, mas estrategista brilhante e figura de força política, presa às limitações de um mundo dominado por homens. O tom do livro é de despedida. Há uma tristeza palpável no ar, a sensação de que, não importa o quão forte seja Artur, ele não pode lutar contra o destino, nem contra as forças que mudam o mundo (a velhice, o tempo, a religião e a ambição humana). 

A fusão da magia e do histórico, no final, é um toque de mestre que honra a lenda e a abordagem realista de Cornwell. Se você aprecia épicos com personagens complexos, batalhas bem coreografadas e uma visão desmistificada de um mito, "Excalibur" é o livro perfeito. Não só encerra uma saga, mas reflete sobre a natureza da história, da memória e da construção de uma lenda… Temas ideais para o fechamento deste nosso ciclo de "Leituras e Lembranças".

Durante o mês de fevereiro, não publico o Artigo da Semana e o Leitura e Lembranças. Quando voltar à ativa em fevereiro, espero oferecer outras alternativas de textos. Grande abraço! Para quem puder, boas e abençoadas férias!

(Pesquisa e imagens com a IA Gemini. Áudio e vídeo em https://youtu.be/NuWr_HeWTfg) 

sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

Um ano para semear e colher textos

Artigo da semana:

Seja por jornais ou redes sociais, há mais de 30 anos, os leitores e ouvintes têm-me dado a alegria de poder compartilhar o que escrevo ou gravo em áudio e vídeo. Este ano, como retornei às minhas atividades pedagógicas, pontuei meus textos em três vertentes: às sextas-feiras, um “Artigo da semana”, que teve a publicação em jornais e redes sociais; no sábado, “Leituras e lembranças”, espaço em que comentei livros que já havia lido, podendo ser ficção ou conhecimento social; e o “Simplesmente assim”, no domingo, com um poema.

Havia uma nova seara onde era necessário criar as sementes e fazê-las frutificar: o trabalho sistemático com os rapazes que fizeram o Propedêutico da igreja Católica, quando se colocam diante do discernimento sobre a sua vocação. Retornei ao trabalho com os alunos do curso de Filosofia e Teologia no Seminário, propondo temáticas em que se entrelaçassem comunicação e cultura. Uma comunicação mais voltada para o próprio comunicador, como agente, mas também se dando conta de que, efetivamente, se torna um “instrumento” de comunicação.

Comecei a utilizar a inteligência artificial Gemini. No início, desconfiado, precisei me convencer do que já ouvi de escritores mais qualificados do que eu: “instrumentos são instrumentos”, usá-los bem depende de quem se apropria das suas qualidades. Demonizá-los é deixar de qualificar o próprio trabalho. Até agora, tive raros problemas em que o “desconfiômetro” alertava de que a IA estava mal informada. Fazendo pesquisas e revisão, além de análises e boas sugestões de roteiros, tornou-se ferramenta capaz de ampliar os meus próprios horizontes.

Semear textos se torna, com o tempo, um “vício”. Não escrevo mais para ocupar espaços ou para o retorno dos leitores (embora isto seja fundamental). Escrevo por necessidade. O ato de compartilhar o que se pensa e sente é um exercício de liberdade e, ao mesmo tempo, um diálogo ininterrupto. A escrita, nesse sentido, nunca é um ponto final, mas sempre uma vírgula que convida ao próximo pensamento, à próxima leitura, ao próximo encontro… É assim que o ciclo de semear e colher se perpetua, alimentado pela incessante busca por sentidos e sentimentos!

(Com revisão e imagens da IA Gemini. Áudio e vídeo em https://youtu.be/6D1jtDhhz40?si=pgdXeTNl7M_BrbiJ)

Em janeiro, dou uma parada… Volto em fevereiro. Grande abraço!

quarta-feira, 24 de dezembro de 2025

“Menino Jesus”: amor inesperado

Conto de Natal:

Era quase meia-noite quando alguém bateu à porta. Muito estranho: a luz da rua estava acesa e havia uma campainha bem ao alcance da mão. Quando conseguiu fazer a chave funcionar e enfrentar o rangido da dobradiça,  que pedia por um desengripante, não viu mais ninguém. Correu os olhos ao redor, também não existia viva alma. Quando desceu o olhar, ouviu ao longe um sino que anunciava a passagem da véspera para o dia de Natal. E ali estava: uma caixa de papelão com o que parecia ser um amontoadinho de gente…

Fechou e abriu os olhos diversas vezes. Parecia um clichê de novela. Antes que o sino repicasse as 12 badaladas da meia-noite, abaixou-se para examinar a “entrega”. Na primeira dobra de uma fralda, encontrou uma mãozinha que se agitava. Na seguinte, um rostinho de criança, com os olhos arregalados… Em seguida, sentiu o cheiro, que não era de “incenso”, mas da necessidade de banho e trocar os panos. Com medo de que a caixa se desmanchasse, tomou cuidado em trazê-lo para sobre a mesa da sala.

Passaram-se doze anos e, numa outra véspera de Natal, esperava que o seu “presente” daquela noite inesquecível voltasse da rua. Mirava a porta enquanto as lembranças iam se acumulando e insistindo em retornar. Como a necessidade, mesmo após tanto tempo, de acreditar no que foi preciso para readequar a sua vida e a da família para, já idosa, enfrentar a tarefa de criar alguém. Em nenhum momento pensou em desistir. Mas sentia o coração contraído ao pensar que, possivelmente, não conseguisse ver a sua idade adulta. Ainda na calçada, ouviu chamá-la de “mãe” e invadir a casa como um furacão.

O menino, agora pré-adolescente, tinha marcas de doce pelo rosto e um sorriso brincalhão. Correra pela vizinhança, ajudando a montar presépios e iluminar as árvores. Para ela, a confusão alegre que causava ao entrar era um bálsamo contra a solidão que a idade insistia em impor. Ele jogou a mochila num canto e, antes de ser repreendido, correu para a beirada da mesa, onde um prato de rabanadas o aguardava. O doce, o frito e polvilhado de canela e açúcar era uma das muitas “cumplicidades” que haviam construído juntos.

Sorriu, sentindo que, de alguma forma inexplicável, aquela noite de doze anos atrás não tinha sido um clichê, mas uma dádiva. A incerteza da velhice era suavizada pela certeza de um amor inesperado. Enquanto ele mastigava apressadamente, contando sobre os fogos de artifício que veria mais tarde, ela agradeceu silenciosamente pela campainha ter tocado, pela “música de fundo” que foi o rangido da porta e, principalmente, pela caixa de papelão, que ainda guardava. Aquele era o seu Natal. Completo. Pois fora presenteada com o seu próprio “Menino Jesus”!

Que tu recebas o Menino Jesus em teu coração. Meu carinhoso abraço. Deus te abençoe sempre!

(Imagens e revisão pela IA Gemini. Áudio e vídeo em https://youtu.be/Jjj2S4lfF2c)

domingo, 21 de dezembro de 2025

O lugar para aconchegar um abraço

Simplesmente assim:


Você já encontrou um sentido para o Natal?

As imagens são bem feitas;

Os vídeos, encantadores;

As luzes aconchegam sonhos.

É aí que reside a essência

Do Deus Menino,

Ao abdicar da Divindade

Para viver a sua humanidade?

 

Qual o sentido do amor?

Sem encontrar um sentido para o Natal,

Não há como significar o amor.

As palavras se envergonham

Ao tentarem uma definição.

E os homens navegam pelos

Prazeres do corpo para

Lhe prostituir o que é a sua essência...

 

A resposta não está em teorias…

Um recém-nascido

É incapaz de teorizar sobre

A vida e as relações.

Um Deus Criança não cabe

Na definição dos pensadores

E dos homens que tramam as decisões políticas.

 

Crer no Menino Deus

Foge da seara da concretude para

Navegar pelos caminhos da fé.

Na manjedoura,

Insiste em brotar, todos os anos, 

A maltratada esperança…

Onde nasce o Menino Deus é o lugar 

Privilegiado para aconchegar um abraço!


(Revisão e imagens com a IA Gemini. Áudio e vídeo em https://youtu.be/97UITGW9i28)

sábado, 20 de dezembro de 2025

O Discurso do Rei, de Mark Logue

Leituras e lembranças:

Uma boa dica de leitura para quem entra em férias em janeiro ou fevereiro é o livro O Discurso do Rei, de Mark Logue. Explora a história real do relacionamento entre o Príncipe Albert, Duque de York (que se tornaria o Rei George VI) e o terapeuta da fala autodidata australiano, Lionel Logue. O protagonista, Bertie (como o Príncipe Albert era conhecido), sofria de uma gagueira severa desde a infância, o que o tornava incapaz de discursar em público com fluidez. 

Essa dificuldade era especialmente problemática considerando sua posição na família real e a crescente importância do rádio na comunicação com o povo. Após tentar vários tratamentos tradicionais sem sucesso, Bertie é apresentado a Lionel Logue, um terapeuta com métodos pouco convencionais e uma abordagem muito mais informal e pessoal do que a corte estava acostumada. O livro detalha a evolução dessa relação, que começa com a desconfiança do Duque e se transforma numa profunda amizade e parceria.

A narrativa é ambientada nas primeiras décadas do século XX, com o pano de fundo da iminente Segunda Guerra Mundial. A necessidade de comunicação efetiva atinge seu ápice quando o irmão mais velho de Bertie, Edward VIII, abdica do trono em 1936,  tornando-se o Rei George VI. Precisa fazer um discurso vital para a nação, declarando guerra à Alemanha. Com a ajuda de Logue, supera a gagueira o suficiente para transmitir firmeza e esperança ao povo britânico em um dos momentos mais sombrios da história.

O livro é baseado nos diários e arquivos de Lionel Logue que ficaram guardados pela família por muitos anos, oferecendo um olhar íntimo sobre os bastidores dessa relação. Muito mais do que a história de um tratamento de fonoaudiologia, é um estudo fascinante sobre liderança, humanidade e o poder da conexão pessoal. A maior força da obra reside na forma como ela humaniza o Rei George VI, mostrando suas inseguranças e vulnerabilidades, e enfatiza a relação de confiança que constrói com Logue. 

O terapeuta não só trata a gagueira, mas também as questões emocionais e psicológicas por trás dela. Logue foca na empatia, acolhimento e dignidade do paciente. O livro insere a luta pessoal do Rei num contexto de crise global. A voz do monarca era, literalmente, a voz da nação. A superação de Bertie é fator-chave para a moral britânica durante a guerra, justificando o subtítulo Como Um Homem Salvou a Monarquia Britânica. 

A narrativa permite uma visão única dos bastidores da corte, incluindo o relacionamento de Bertie com sua esposa, a Rainha Elizabeth (mãe da Rainha Elizabeth II). É uma leitura comovente, inspiradora e rica em detalhes históricos. O livro oferece uma perspectiva diferenciada sobre a história britânica e o impacto que a determinação pessoal e o apoio de um amigo (e terapeuta) podem ter no destino de um indivíduo e de uma nação.

(Pesquisa e revisão com a IA Gemini. Áudio e vídeo em https://youtu.be/XqDkm0G4DN4)


sexta-feira, 19 de dezembro de 2025

Natal: viver na família e em família

Artigo da semana:

A melhor definição de comunicação com a qual já trabalhei é ser “interação entre pessoas que desejam se aproximar”. Elas são muitas e há muito tempo deixaram de ser apenas “um comunicador, uma mensagem e um destinatário passivo”. Assim como muitas outras palavras da nossa amada língua portuguesa, não há um sentido único, mas a necessidade de se entender o momento em que é utilizada e o seu contexto. Exatamente, em tempos em que se descuidou de valores básicos nas relações, um dos mais propícios para realimentar significados e significância é aquele que se vive nas festividades do Natal e sua proximidade, o Ano Novo.

A engrenagem comercial que praticamente lhe retirou o sentido religioso não consegue apagar a sua essência: uma celebração para se viver na família e em família. Quando existe um agregador familiar, se quotiza para fazer uma festa em que as presenças podem ter variados pensamentos, matizes ideológicas ou religiosas, sem impedir de se viver “na família”. Por outro lado, quando se perde a presença daqueles que um dia constituíram o grupo familiar é que se entende o quanto as desavenças não deveriam ter impedido de se viver este momento “em família”.

As mudanças nos costumes sociais, especialmente quando o grupo familiar precisou se distanciar geograficamente, leva a que se procure por “novos” integrantes para conviver com o mesmo sentido dos tempos passados na raiz do núcleo de parentesco. É quando se agregam os amigos mais próximos, ganhando sentido a máxima de que, muitas vezes, granjear “amigos” de verdade é continuar a família não mais com aqueles que têm laços biológicos, mas quando se estabelecem as relações de “coração”, em que se adotam novos “irmãos” de caminhada.

O Natal e Ano Novo se estabelecem como um tempo fértil para que o sentido original da comunicação – a aproximação – seja resgatado. É o período em que, mesmo que por força da tradição ou de um calendário que impõe uma pausa, a comunicação retoma o sentido de estabelecer pontes, diminuir distâncias – geográficas ou emocionais – e reafirmar vínculos. A troca de presentes, a mesa farta, os abraços calorosos, são rituais que expressam a busca por essa interação genuína, que se contrapõe à superficialidade das relações cotidianas.

A efemeridade das festas não deve limitar a redescoberta desse valor. Se a comunicação é o desejo de aproximação, o espírito das festividades inspira para se prolongar essa atitude ao longo do ano. Não apenas com quem já faz parte do círculo íntimo, mas estendendo a mão ao vizinho, colega de trabalho, o desconhecido que cruza o caminho. O Natal, mesmo despojado da roupagem religiosa, para muitos, oferece uma lição sobre a importância da presença, da escuta e, sobretudo, da interação que busca aproximar. Viver "em família" e "na família" é, no final das contas, um exercício contínuo da boa comunicação!

domingo, 14 de dezembro de 2025

A receita perfeita para que sejas feliz

Simplesmente assim:

Abre as portas e janelas

Quando caírem os primeiros pingos da chuva.

Esquece dos cuidados com a saúde e

Transgride as normas da velhice!

Não perde o cheiro que emana da terra,

Diferente, profundo, envolvente:

Carícia e libertação.


Onde o teu olhar alcança,

a cena vai roubar um sorriso,

Ao encontrares crianças que brincam,

Dançam e se libertam. 

As águas correm pelas calçadas,

Dão novo vigor à grama e às plantas,

Transformam valetas em rios de imaginação…


A tua paz, que o alarido machuca,

É o convite à vida que escorre

Como lágrimas capazes de aspergir

O perdão e a regeneração.

A Natureza te dá a oportunidade

De receberes um batismo de humanidade.


Aceita o convite das ruas.

Trôpego, dançarás desajeitadamente.

Será necessário um tempo

Para sincronizares teu corpo

Com a batida dos pingos no rosto

E o riso das crianças:

A receita perfeita para que sejas feliz!


(Com a IA Gemini. Áudio e vídeo em https://youtu.be/tyiccmM0_Hs)

sábado, 13 de dezembro de 2025

A Batalha de Moscou, de Andrew Nagorski

Leituras e Lembranças: 

O livro "A Batalha de Moscou", de Andrew Nagorski, é um dos pilares da linha de História Militar da Editora Contexto. A obra se insere em um vasto catálogo focado nos grandes confrontos e figuras-chave da Frente Oriental, oferecendo uma visão aprofundada. Seu grande diferencial é a utilização de fontes soviéticas, muitas vezes obscuras e pouco acessíveis, que desvendam os bastidores do conflito para o público ocidental.

Nagorski lança luz sobre um dos confrontos mais sangrentos e subestimados da Segunda Guerra Mundial, que se estendeu de setembro de 1941 a abril de 1942. O autor argumenta que, apesar de ofuscada por Stalingrado, a Batalha de Moscou foi decisiva. Ela marcou o primeiro fracasso da tática de guerra relâmpago (Blitzkrieg) de Hitler e comprovou que a invencibilidade do poderoso exército nazista era, afinal, falível.

Um ponto forte da narrativa é como traça paralelo entre biografias e estilos de liderança dos dois tiranos: Adolf Hitler e Joseph Stalin. Detalha as decisões desastrosas de Stalin, que ignorou os avisos de invasão alemã, mas também como o ditador soviético transformou uma debandada inicial em uma vitória defensiva. Essa virada só foi possível devido à resiliência do povo russo, ao rigor do inverno e à mobilização total pela defesa da Pátria.

Nagorski, um premiado jornalista e ex-correspondente da Newsweek em Moscou, se destaca pelo uso de documentos e relatos guardados nos registros russos. Essa pesquisa minuciosa permite que ele apresente os bastidores da tentativa de ocupação alemã com crueza e precisão. O resultado é um retrato impressionante do altíssimo preço humano da vitória soviética, com baixas estarrecedoras que, estima-se, ultrapassaram os 2,5 milhões de soldados mortos, feridos ou feitos prisioneiros em ambos os lados.

Além de Nagorski, a Contexto consolidou sua reputação com títulos indispensáveis na mesma linha editorial. Destacam-se "Stalingrado 1942", "O Cerco de Leningrado", "A Conquista de Berlim - 1945" e, abordando outros temas do teatro das operações, "O Dia D" e "A Nossa Segunda Guerra – Os Brasileiros em Combate". A editora foca em um catálogo que desafia mitos e aprofunda a compreensão estratégica dos eventos.

Em suma, a Editora Contexto não apenas narra os eventos, mas busca aprofundar a compreensão sobre as estratégias, a liderança e o custo humano dos conflitos. O livro de Andrew Nagorski é um pilar dessa coleção, ao focar em uma batalha que foi crucial para definir os rumos da guerra, e consequentemente, da própria história do século XX.

(Imagens e pesquisa com a IA Gemini. Este e outros textos em manoeljesus.blogspot.com. Áudio e vídeo em https://youtu.be/2E6OPRWLsSg?si=YPGzH5epf8tj_fNf)

sexta-feira, 12 de dezembro de 2025

Fim de ano: entre presentes e presenças

Artigo da semana:

Uma das imagens mais bonitas que vi, recentemente, foi a do menino que ainda chupava o bico e os pais tentavam o desapego. Esta “separação”, talvez seja uma das primeiras vezes em que se precisa virar uma página da vida. É o momento em que muitos dos passos que precisam ser dados dependem de decisões próprias e do carinho de quem nos acompanha. As bengalas existenciais. 

Neste caso, foi um belo ato pedagógico. Os pais colocaram um conjunto de balões num barbante e o bico na outra ponta. Na boca que ainda teimava em permanecer com o que, muitas vezes, se torna um vício. Quando os balões foram soltos, aos poucos, puxaram o bico que se desprendeu e alçou voo. A surpresa, o semblante aflito e, por fim, o direito a uma das muitas despedidas. 

Recentemente, uma amiga, em tratamento e debilitada fisicamente, pediu emprestada a bengala que comprei, dizendo que era minha e para o uso próprio. Nunca me neguei a emprestá-la. Foi assim com meu pai e depois com minha mãe. Quando sentados, em muitos momentos, servia de brinquedo para as crianças. No entanto, sempre retornou e fica pendurada à vista, lembrando da minha própria finitude. 

Ao longo da vida, muitos são os “bicos” (ou bengalas) dos quais se precisa o “desmame”. Alguns são calmos e serenos, outros, doloridos e marcantes. Nas festas de fim de ano, para quem já pode fugir do agito, é um bom tempo para tomar consciência de tudo o que deveríamos ter desapegado e ficou grudado sem necessidade. Presentes são ótimos, presenças são melhores ainda…

É preciso reconhecer que todos eles foram bengalas que deram arrimo durante uma etapa da vida. Entender que, passada a carência, é necessário desapegar e seguir adiante, o que exige confiança pessoal e social. Diante do que são medos e arrependimentos, amadurecer é reconhecer que embora não se tenha todas as respostas, a existência oferece instrumentos capazes de dar perspectiva ao que é o simples fato de viver!

Revisão e imagens com a IA Gemini. Áudio e vídeo em https://youtu.be/VKshOpNKv00)


domingo, 7 de dezembro de 2025

O mapa das minhas dores

Simplesmente assim:

As feridas passadas

Traçam um mapa

Sobre a pele.

Quando o tempo avança,

Sente-se, mais do que se vê,

Que as marcas que ficam, são 

Memórias balizando destinos.


Não se esquecem as feridas

Que o amor causou:

Os acidentes e incidentes que se

Dissolvem nas brumas

Da passagem dos dias, meses e anos.


As que envolvem quem se acarinhou

Têm, nas estações da vida,

Uma presença marcante,

Que nos deixam mais lentos,

Menos impetuosos,

Carregando as dores.

Marcas de mãos que não se esquece. 


Feridas não penetram no corpo pelos olhos:

Destilam-se em meio às partículas, 

Mirando a própria alma.

Nunca foi um descuido,

Mas o traçado de um caminho.

Onde a cumplicidade se viu traída

E o desencontro de corações 

Colocou de joelhos sentimentos e afetos…


(Imagens produzidas pela IA Gemini. Áudio e vídeo em https://youtu.be/qRoDe_ggO4M)

sábado, 6 de dezembro de 2025

O Círculo dos Dias, de Ken Follet

Leituras e lembranças:

O último romance de Ken Follet, "O Círculo dos Dias", repete a fórmula que já deu certo em outras obras, como Os Pilares da Terra: É um mergulho ficcional num período histórico fascinante. Desta vez, a aventura explora o mistério por trás da construção de um dos monumentos mais enigmáticos da história: Stonehenge, uma estrutura composta por círculos concêntricos de pedras, que chegam a 5 metros de altura e pesam quase 50 toneladas, localizada na Inglaterra, condado de Wiltshire, planície de Salisbury. 

A história se passa por volta de 2500 a.C. A narrativa é construída em torno de um talentoso mineiro (Seft) que busca uma vida melhor e se apaixona por Neen, uma jovem de uma comunidade de pastores. Seu conhecimento em pedras e mineração será fundamental para a realização do grande projeto. E uma sacerdotisa (Joia), irmã de Neen, que deseja construir um gigantesco círculo de pedras, com as maiores rochas do mundo, como um símbolo de união e para marcar a passagem do tempo e das estações.

A visão de Joia inspira Seft e se torna a missão central de suas vidas. O livro acompanha a épica e complexa logística da busca, transporte e ereção dessas rochas maciças, um feito de engenharia monumental para a época. O sonho da união é ameaçado por tensões crescentes. Uma seca devastadora atinge a Grande Planície, aumentando a desconfiança e os conflitos por recursos entre pastores, agricultores e habitantes das florestas. Um ato de violência brutal catalisa a discórdia em uma guerra tribal, forçando os protagonistas a lutar pela sobrevivência, pelo amor e pela concretização do monumento que deveria marcar a paz.

O livro tem a digital de Follett: uma ficção histórica envolvente e detalhada que equilibra fatos históricos conhecidos (a existência e a estrutura de Stonehenge) com personagens fictícios complexos e tramas de tirar o fôlego. O leitor acompanha pessoas comuns (o mineiro, a sacerdotisa, a comunidade de pastores) lidando com desafios extraordinários. Follet consegue tornar a logística primitiva de mover pedras que pesam toneladas em uma narrativa viciante, repleta de coragem, persistência e criatividade.

Os personagens são bem identificados, com motivações claras. A história explora temas atemporais como fé, poder, ambição, destino, amor e a urgência da paz em meio ao conflito e à desigualdade. A luta entre a visão de união de Joia e o egoísmo e a violência de líderes tribais é um motor poderoso para a trama. "O Círculo dos Dias" é um retrato épico e arrebatador da vida na Idade da Pedra, uma leitura envolvente para quem aprecia romances históricos longos e detalhados. Especialmente para os admiradores do trabalho de Ken Follett em desvendar grandes mistérios da história através da ficção.

Eu disse para vocês que iria ser uma boa leitura para as férias!

(Pesquisa e imagens geradas pela IA Gemini. Áudio e vídeo em https://youtu.be/hBnEig6LtTc)

sexta-feira, 5 de dezembro de 2025

Os potes que continuam as festas…

Artigo da semana:

Durante um bom tempo, fui consumidor voraz de sorvetes. Havia parado de beber e transferi um pouco da minha dependência para o açúcar. Tinha a preferência por determinada marca que, além da qualidade inquestionável, acondicionava em potes mais resistentes. Quando pensei em descartá-los, meu pai pediu que não o fizesse. Entregasse a ele, que daria um destino.

Já contei que o seu Manoel - meu pai, o primeiro, e não eu - era um agregador. Aumentamos a casa pela necessidade que tinha de, aos fins de semana, reunir filhos e netos que estivessem na cidade. Tendo o costume, após o churrasco, de repartir as sobras da carne, com acompanhamentos, e a explicação de que, assim, ninguém precisaria se preocupar com a janta.

Foi então que apareceram os potes. Vazios, claro, bem lavados, eram os recipientes perfeitos para fazer a separação dos alimentos, já que, de um encontro ao outro, sempre desapareciam os potes da nossa cozinha. Fui espiar onde haviam parado e, numa portinhola junto da churrasqueira, estavam as vasilhas que havia descartado e foram “recicladas” pelo pai.

Uma boa e bela lembrança de momentos felizes passados em família, especialmente nesta época de final de ano, que se apresenta, com o início de dezembro. Propício para reencontros com quem, por algum motivo, se afastou. No frigir dos ovos, a gente passa a contar o tempo em que se está longe de quem se amou, com o desejo de que não seja muito longo…

Dezembro chegou. Um mês de preparação para o Natal e Ano Novo. Tempo de encontrar os potes que continuam as festas, pois, até mesmo na janta requentada, o alimento tem sabor de lembranças. As vozes que se afastam não se apagam. Ressurgem, virando instrumentos de saudades, gatilhos para sorrisos perdidos e olhares agradecidos por ainda se viver num tempo em que se compartilha uma refeição que tem gosto de carinho…


domingo, 30 de novembro de 2025

As madrugadas da existência

Simplesmente assim:

Andarilhar.

A eterna busca por recantos que

A Natureza desenhou.

O lugar onde Deus resguardou

A trilha que leva a um pedaço do Paraíso.

Ali, onde a mãe Terra envolve,

Com o sussurro das matas.

 

A brisa faz coro ao bramir das águas,

Espraiando-se nos rochedos,

Quando o vento destila assobios, 

Em murmúrios cúmplices,

Com o desejo

De apenas se quedar em contemplação.

 

Na placidez de um final de tarde,

As horas já não importam,

E a luz vai esmaecendo.

As Estrelas se tornam 

Senhoras de todos os sonhos, pois

Na madrugada da existência,

Sempre é tempo de esperar…


A perspectiva de um caminho

Transforma promessas 

Em sentidas ilusões…

A trilha demanda a bengala e a

Força para, sempre que necessário,

Retomar o rumo.

A sina traçada pelo coração

Tem o destino do encantamento:

Um lugar para se descansar em paz!


(Imagens geradas pela IA Gemini. Áudio e vídeo em https://youtu.be/9hPNKibhkXU)

sábado, 29 de novembro de 2025

Espelhos, de Eduardo Galeano

Leituras e lembranças:

"Espelhos" é a tentativa do escritor uruguaio Eduardo Galeano de reescrever a história da humanidade – desde a sua origem até os dias atuais – sob uma perspectiva crítica e, sobretudo, através da ótica dos desvalidos, dos esquecidos, dos anônimos e de quem foi marginalizado pela história oficial. Em vez de seguir uma narrativa cronológica, o livro é composto por quase 600 histórias breves, textos curtos que se assemelham a crônicas poéticas, aforismos e microrrelatos.

As histórias se espalham por todos os mapas e todos os tempos, misturando passado e presente de forma instigante. Os "espelhos" do título refletem não apenas os eventos grandiosos, mas também as pequenas e ignoradas resistências, a beleza e a crueldade da condição humana, dando nome e voz aos que foram silenciados. Galeano dá destaque a figuras como as mulheres (frequentemente ignoradas), os povos do Sul e do Oriente (desprezados) e os "loucos lindos" e rebeldes que, segundo o autor, são o "sal da terra".

Sua forma de escrever é diferenciada e controversa. Na crítica à história oficial, é uma denúncia da história tradicional, escrita pelos vencedores, que tende a obscurecer e justificar as atrocidades cometidas pelos poderosos. O autor inverte essa lógica, oferecendo um contraponto humanista e político. Pode-se dizer que viola as fronteiras rígidas entre os gêneros literários. A obra é uma confluência de narração, ensaio, poesia e crônica. 

Essa estrutura fragmentada e concisa confere ao livro um ritmo diferenciado, onde cada breve história é o fragmento de um mosaico maior que reflete a complexidade do mundo. O tom é frequentemente lírico e reflexivo, apesar da profundidade dos temas abordados. O cerne do livro é dar visibilidade aos que não a tiveram: os colonizados em vez dos colonizadores; as mulheres em vez do patriarcado; os artesãos e trabalhadores em vez dos reis e imperadores; os oprimidos e perdedores em vez dos heróis e vencedores…

“Espelhos” resgata e recorda os esquecidos ("Os invisíveis nos veem. Os esquecidos nos lembram") e convida o leitor a nos reconhecermos na história, desafiando as próprias ignorâncias e preconceitos. Faz nos refletir sobre nossa origem comum e a memória humana. "Espelhos" é obra para entender a história do mundo sob uma perspectiva de justiça social e memória popular, reforçando o legado de Galeano como um dos grandes cronistas da América Latina.

(Pesquisa e imagens com a IA Gemini. Áudio e vídeo em https://youtu.be/YsY2gNyhfeQ)

sexta-feira, 28 de novembro de 2025

Quando se fere a verdade…

Artigo da Semana: 

Michael Wolff, em seus livros sobre o presidente americano Donald Trump, "Fogo e Fúria" e "O Cerco", oferece uma lente para analisar líderes populistas de extrema-direita. Ele retrata a Casa Branca não como um repositório de fatos imutáveis, mas como um ambiente de caos e intriga incessante. A chave é a constante "guerra contra a realidade e a mídia", onde a "verdade trumpiana" prevalece. Nesses bastidores do poder, o que importa é a narrativa que mobiliza a base e deslegitima qualquer acusação externa.

No Brasil, o recente cenário envolvendo a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro traça um paralelo com a dinâmica descrita por Wolff. As notícias sobre a prisão preventiva, motivada por acusações de trama golpista e risco de fuga após condenação anterior, geram imediatamente múltiplos e conflitantes relatos. A verdade objetiva dos fatos jurídicos é submersa por narrativas paralelas. Instala-se um choque de realidades onde o sistema judicial e os fatos são vistos apenas como ferramentas de perseguição política.

A essência do populismo reside na capacidade de transformar reveses legais em combustível político. Assim, a prisão não é aceita pela base como consequência de atos ilegais, mas sim como prova cabal da "ditadura da toga" ou de uma "caça às bruxas" promovida pelas elites. O "cerco" político une os apoiadores, fortalecendo a crença de que o líder estava certo sobre ser vítima. A rejeição à grande mídia em favor de redes sociais amplifica essa narrativa alternativa de desconfiança e vitimização.

Na era dos líderes de extrema-direita, a "verdade" deixa de ser um dado objetivo e torna-se uma arma política. Assim como o caos e as acusações na Casa Branca eram irrelevantes para a base de Trump, os fatos jurídicos contra Bolsonaro são absorvidos como meros "detalhes da perseguição". A prisão, embora legalmente um revés, é imediatamente convertida em capital político. Isso reforça a narrativa de um líder martirizado, vítima de forças ocultas ou poderosas que tentam silenciá-lo.

Esta fase de "cerco" representa o momento final, onde o líder, encurralado pela Justiça, se torna mais "errático" e exposto, mas paradoxalmente, mais perigoso e polarizador. A verdade do Judiciário se choca irremediavelmente com a verdade da fé política de seus seguidores. A narrativa de vítima, tanto para Bolsonaro quanto para Trump, mostra a dificuldade em desmantelar essas construções. A semelhança entre os casos ressalta o ponto crucial: não é apenas na guerra que a verdade é a primeira vítima. Nos embates políticos polarizados, rasga-se o consenso social, e ela acaba sendo ferida gravemente…

(Pesquisa e imagens com a IA Gemini. Este e outros textos em manoeljesus.blogspot.com. Áudio e vídeo em https://youtu.be/_kc1Vi2hDr8)

domingo, 23 de novembro de 2025

Com as rédeas do coração

Simplesmente assim:


Uma nesga de sol, no inverno,

Um pedaço de sombra, no verão.

É um carinho ansiado 

E que, muitas vezes, não se consegue.

Fica um gosto de incompletude, ao

Se desejar atenção,

Um jeito terno de olhar,

Receber uma flor...


Quando tudo mais perde o sentido, 

A realidade parece precisar apenas da lógica. 

Loucura é deixar 

O coração tomar as rédeas. 

Multiplicam-se, então,

Gestos de ternura e carinho,

Que, na maior parte das vezes,

Não precisam de explicações. 


Desnudam a intimidade da alma

Onde um espírito 

Acolhe e sintoniza com o outro.

A porta deste mistério 

É um olhar silencioso,  

Em que se dispensam as palavras.


Abrir frestas e janelas,

Arejar tristezas, dispensar as mágoas.

Ali, onde se guardam segredos,

O tempo recolhe imensos vazios.

Nas ausências e desassossegos,

Livrar-se do que atravanca 

Os corredores da memória, 

Para que a luz desnude 

O caminho onde se perde o medo

De tropeçar e cair…


(Imagens geradas pela IA Gemini. Áudio e vídeo em https://youtu.be/Aud-fOeBS4M)

sábado, 22 de novembro de 2025

Sobre a China, de Henry Kissinger

Leituras e lembranças:

Quem assistiu às recentes edições do programa Fantástico, pela RBS TV, nos domingos à noite, acompanhou uma série de reportagens sobre a China. Um dos primeiros livros que li a respeito foi "Sobre a China" (2011), que combina história, memórias pessoais e análise estratégica da diplomacia chinesa e das relações sino-americanas, escritas por Henry Kissinger, um dos arquitetos da reaproximação entre os dois países no século XX.

Kissinger visitou a China mais de 50 vezes e utiliza sua experiência pessoal e conversas com quatro gerações de líderes chineses (incluindo Mao Zedong, Zhou Enlai e Deng Xiaoping) para oferecer uma visão própria do processo político cultural. Examina a história milenar, argumentando que a abordagem diplomática e estratégica do país hoje é influenciada por princípios clássicos e pela sua identidade como uma civilização-estado (o "Reino do Meio") e não apenas como um estado-nação moderno.

Prioriza a manutenção da ordem interna e do status civilizacional em vez de uma expansão territorial agressiva. Valoriza a sutileza, a paciência e o wei qi (jogo de tabuleiro chinês que enfatiza o cerco estratégico e o ganho de pequenas vantagens ao longo do tempo, em contraste com o xadrez ocidental, mais focado na aniquilação do adversário). Detalha momentos cruciais da política externa chinesa, como os primeiros encontros com potências ocidentais, o colapso da aliança sino-soviética, a Guerra da Coreia, a histórica viagem de Richard Nixon a Pequim e as reformas de Deng Xiaoping.

É testemunho ocular da história, com depoimentos sobre os bastidores da diplomacia internacional. Proporciona uma análise sofisticada da mentalidade estratégica chinesa, ajudando a entender o papel do país na balança de poder do século XXI. A crítica mais recorrente é que Kissinger adota uma leitura essencialmente estratégica e sistêmica, atenuando ou até mesmo omitindo discussões sobre as violações de direitos humanos, a censura e o impacto das decisões nas populações e minorias. 

A abordagem foca nas interações entre elites e Estados. Reflete a filosofia da Realpolitik de Kissinger, onde o interesse nacional e o equilíbrio de poder se sobrepõem a questões ideológicas ou morais. A obra é a narrativa de um diplomata em ação. "Sobre a China" é obra complexa que oferece a visão do estadista sobre uma das civilizações mais antigas e potência emergente. Explica como a China usa a história para formatar sua estratégia moderna e reflete sobre os desafios que seu crescimento representa para a nova ordem política e econômica internacional.

(Pesquisa e imagens com IA Gemini. Áudio e vídeo em https://youtu.be/s5Zp9Jjp3hM)

sexta-feira, 21 de novembro de 2025

Leão XIV: diplomacia ou pastoralidade?

Artigo da semana:

Alguém já disse que “o papa João Paulo II era para ser visto, Bento XVI para ser ouvido e Francisco para ser tocado”. Uma interpretação da ênfase distinta de cada pontificado. Sugere que João Paulo foi presença visível e atuante no mundo, especialmente na mídia. Bento, um teólogo da palavra e da reflexão. Francisco, um líder voltado para a proximidade e o contato direto com as pessoas. O que sobrou para caracterizar Leão XIV? O sucessor de um pontífice carismático depara-se com uma Igreja Católica tentando encontrar a sua identidade…

Politicamente, a renúncia de Bento XVI foi sua ação mais impactante na vida da instituição. Cansado, sem tomar as rédeas dos seus quadros, encontrou problemas desde questões financeiras até de comportamento moral, lidando com a pedofilia, por exemplo. Francisco era um pastor. Já demonstrara sua capacidade de administrar em sua terra natal, Buenos Aires, na Argentina. Mas o quadro era mais complexo, pois se acirravam os ânimos entre os conservadores, que controlavam o Vaticano, e os progressistas, que clamavam por mudanças.

Leão XIV precisa lidar com problemas herdados, desafios com os quais Francisco batalhou até o último instante: a indústria armamentista, que se mantém pela desgraça alheia; as ondas migratórias de países em conflito; a subsistência de um planeta cansado do “turismo ecológico”, que consome recursos públicos, mas não aponta soluções. Tristemente, Leão XIV é uma referência “moral”, com a qual autoridades internacionais até querem fazer uma fotografia, ouvir seus conselhos, mas entram por um ouvido e saem pelo outro…

Admirava (e admiro) Francisco por sua transparência. Não era um político da Igreja, fazendo média com quem quer que fosse. Em muitas situações, disse o que não era politicamente correto, coerente com o que pensava. Fez gestos eloquentes, mais do que palavras, no acolhimento aos deserdados da sociedade: migrantes, prisioneiros, gays… Chegou ao Vaticano como pastor e morreu sendo pastor. No estilo de vestir (sem luxo) à forma de morar (em comunidade, na Casa de Santa Marta), suas convicções balizaram seu comportamento.

Leão XIV tenta ser “diplomata”. Infelizmente, o Vaticano é um estado constituído. Consequentemente, o papa recebe e trata com todas as representações políticas internacionais. Sabe que, na própria “casa”, ainda há muitas fissuras, que não foram seladas. Necessita de um tempo para dizer a que veio. Com 70 anos, em tese, pode ter um longo pontificado. Os tempos são difíceis e as realidades sociais e religiosas também. Sua origem, nos Estados Unidos, e atuação missionária no Peru, o qualificam para ser mais do que já mostrou… É preciso esperar… E rezar!

(Imagens geradas pela IA Gemini. Áudio e vídeo em https://youtu.be/y4KbrwmXwEI)

domingo, 16 de novembro de 2025

As mal traçadas linhas do tempo

Simplesmente assim:

O tempo é engraçado 

Quando movimenta as suas engrenagens.

Ao proporcionar que se sorva

Momentos, oferece oportunidades,

Em que, nos tenros anos,

A impetuosidade torna 

Difícil diferenciar o néctar do fel…


Marcha-se pela vida na ilusão de que 

A existência não terá fim.

Basta procurar e desfrutar a embriaguez do

Que anestesia sentidos e sentimentos.


Mostra armadilhas que a inexperiência

Não deixa que se perceba.

Na agenda do coração,

Anestesiados pelo espelho do encantamento,

Percebe-se o apagamento 

De quem já fez parte do convívio.

 

As mal traçadas linhas do tempo…

Ao apagar mais um registro

Do que já foi uma lista de preciosa amizade,

Fica a sensação de que apenas se desejava 

A oportunidade de rever alguns rostos.

Ao perguntar se tudo estava bem,

Somente queria, mais uma vez, 

Desejar, onde estiveres, que sejas feliz!


(Imagens geradas pela IA Gemini. Áudio e vídeo em https://youtu.be/945wd3TC3aI)

sábado, 15 de novembro de 2025

O Segredo Final, de Dan Brown

Leituras e lembranças:

Minha passagem pela Feira do Livro de Pelotas/RS levou a comprar o romance O Segredo Final, de Dan Brown, e O Círculo dos Dias, de Ken Follet. O primeiro marca o retorno do simbologista Robert Langdon em uma aventura que se afasta dos enigmas históricos para mergulhar nos mistérios da consciência humana e da ciência Noética (o estudo da consciência). O thriller mantém a fórmula de sucesso do autor.

Com cenários em Praga, mistura ciência, filosofia, arte e conspiração global. Foca na consciência humana e o embate entre ciência futurista e tradições místicas/espirituais. A trama se inicia com Robert Langdon em Praga para prestigiar uma palestra de Katherine Solomon (cientista que já havia aparecido em O Símbolo Perdido, com quem Langdon mantém um relacionamento). 

Katherine está prestes a publicar um manuscrito com descobertas "explosivas" sobre a natureza da consciência, algo que poderia abalar séculos de crenças estabelecidas. A situação degringola rapidamente. Um assassinato brutal ocorre, e Katherine desaparece junto com o manuscrito. Langdon se vê, então, na mira de uma poderosa organização secreta e perseguido por um antagonista inspirado nas lendas da mitologia tcheca, o Golem de Praga. 

A corrida para desvendar o quebra-cabeça e encontrar Katherine leva Langdon de Praga a outras cidades, como Londres e Nova York. O diferencial deste livro em relação a obras como O Código Da Vinci é o deslocamento do foco. Brown troca as catedrais antigas e a simbologia histórica pela neurociência, a ciência noética e os limites da mente. 

O segredo a ser desvendado não está em um artefato religioso ou em um código de um mestre da Renascença, mas sim na compreensão da própria existência humana e da consciência. O Segredo Final é uma leitura eletrizante e instigante, que cumpre o seu papel como um thriller de conspiração intelectual. É uma obra recomendada para quem aprecia a mistura da ação, ciência e mistério que consagrou Dan Brown.

O Círculo dos Dias, do Ken Follet, a gente comenta numa próxima ocasião, antes do final do ano. Como leituras para as férias…

(Pesquisa e imagens pela IA Gemini. Áudio e vídeo em https://youtu.be/onH7F2tIdTU)

sexta-feira, 14 de novembro de 2025

Uma charrete no meio da rua

Artigo da semana:

Ainda existem muitas charretes andando pelas ruas da cidade. Hoje, tenta-se disciplinar o serviço de carga, que é uma espécie de subemprego, onde quase sempre um animal, um meio de transporte, um condutor e uma carga lembram de tempos idos, anteriores aos veículos locomotores. Meu pai nunca teve um carro, mas, nos idos de 1970, teve uma charrete. Servia para levar e trazer mercadorias que comercializava no seu bar e armazém. Também transportava minha mãe e suas amigas, na madrugada, para o difícil trabalho nas fábricas de conservas de pêssego.

As que se encontram, atualmente, quase todas fazem fretes. Percorrem a cidade com a clientela certa ou em bicos ao serem parados na rua. Muitas vezes, além do proprietário, leva junto um ou mais filhos. Que vivem uma aventura, se o tempo estiver ameno, porém, no inverno, pouco protegidos, a criança se aconchega ao corpo do pai em busca de calor. Quando os primeiros pingos da chuva marcam o lombo do cavalo, põe a capa sobre o corpinho débil, protegendo o menino que deposita a confiança de que lhe proverá a subsistência.

Em muitos casos, homens que já não conseguem emprego ou idosos que não se acostumam com as atividades oferecidas. Morando em lugares distantes dos centros das cidades, percorrem longas distâncias confiando que o animal não lhes faltará e que, ao voltar para casa, garantirão o sustento da família. Como me contou um deles, a esposa faz bicos em limpeza de residências e, juntos, mantêm os filhos estudando. Ao passar em minha casa, via que, além das cargas, muitas vezes, havia doações de quem reserva roupas e objetos de uso pessoal para desapegar…

Aprendi com o tempo a ter paciência no trânsito. Duas coisas que me irritavam muito eram as motos ziguezagueando por entre os carros e as charretes trancando o fluxo de veículos. Acabei usando a moto e percebi que os dois são vítimas. As motos, caso parem na sequência da fila, encontram um apressadinho que os quer longe. As charretes são, muitas vezes, o que resta como instrumento de trabalho e de ganha-pão. Na dureza de quem “descola alguns trocados” para si e para a família está um cidadão que não desistiu.

Uma charrete no meio da rua é um dos cartões postais da pobreza urbana, ferindo a consciência social. Administradores públicos já prometeram carroças elétricas ou com um mínimo de consumo de combustível. Mas, ficou nisto: promessas. Pena. No agito das vias urbanas, onde o caos se estabelece em momentos de pico, o trotar do cavalo e seu dono é um desafio. Com pai e filhos, na cumplicidade de uma existência, se percebe que, muitas vezes, precisam mendigar o serviço para sobreviver. Sozinhos ou em família, antes do fim da jornada de um dia, preservam o sentimento de que ainda encontram o alento que se chama esperança…

(Imagens geradas pela IA Gemini. Áudio e vídeo em https://youtu.be/bErsZv8r7y8)

domingo, 9 de novembro de 2025

Inocência

Simplesmente assim:

 

A inocência que não pode ser perdida

Habita o olhar de um idoso.

Sem conceder ao tempo

Transformar sonhos em realidade,

Permite que restem momentos

De imersão na infância.

 

O gosto de um doce aguardado

Que, mesmo assim,

Enche o céu da boca,

Tornando-se um prazer

Único e indescritível.

A surpresa de abrir um presente,

Quando a imaginação descarta

O brinquedo

E constrói mundos

Com uma caixa de papelão…

 

Inocência.

A vivência da história,

Sem se perderem as raízes.

A certeza de que cada etapa

Alcança as origens,

Num emaranhado de lembranças

Que direcionam destinos.

 

A vida fecha ciclos.

Em cada um deles,

"Amadurecer" é retrocesso,

Num processo de "desinfância",

Onde a costura do que pode

Ser devaneio ou ilusão

Confunde-se com a necessidade

De nunca esquecer de amar!


(Pesquisa de imagens Internet e IA Gemini. Áudio e vídeo em https://youtu.be/LfPtaZDkTNw)


sábado, 8 de novembro de 2025

O Diário de Anne Frank

Leituras e lembranças:

Está aí um livro que pouca gente não leu. O Diário de Anne Frank é uma das obras mais importantes e tocantes do século XX. O relato íntimo e pessoal de uma adolescente judia que se escondeu durante o Holocausto. Longe de ser apenas um relato histórico, é um documento humano que explora temas universais como a esperança, a resiliência e a transição da infância para a vida adulta em meio ao terror. Foi escrito entre junho de 1942 e agosto de 1944, enquanto a família Frank e mais quatro judeus se escondiam da ocupação nazista em um anexo secreto em Amsterdã. 

Publicado em 1947 por seu pai, Otto Frank, o único sobrevivente da família, o livro tornou-se um dos mais lidos do mundo. O motivo é que oferece uma perspectiva rara e pessoal do que passaram, mostrando o dia a dia e os horrores da perseguição nazista sob os olhos de uma vítima. O livro se tornou um poderoso símbolo da memória do Holocausto e da luta contra a intolerância e o racismo.

Além de seu valor histórico, registra a transição de Anne da infância para a adolescência. Ela escreve sobre as pequenas alegrias, os conflitos típicos da puberdade, o despertar do amor e a complexidade das relações familiares, tudo isso em um contexto de extremo confinamento e medo. A escrita se torna uma forma de resistência contra a barbárie, um testemunho de sua existência e de sua voz, um ato de esperança de que sua história um dia seria lida. 

“Apesar de tudo, ainda creio na bondade humana”, resume a resiliência e a esperança que ela manteve mesmo nas condições mais extremas. Ela se agarra à esperança de um futuro em que possa voltar a ser uma escritora livre. O confinamento no anexo secreto obriga-a a confrontar sua própria identidade, emoções e os dramas da convivência com as outras pessoas no esconderijo. O isolamento a faz refletir profundamente sobre si mesma e sobre o mundo.

A publicação do diário de Anne Frank garante sua fama póstuma e a transforma em um símbolo do Holocausto. O livro se tornou um farol para a educação de jovens e adultos, ensinando sobre a história do Holocausto a partir de uma perspectiva humana e acessível. O legado de Anne Frank não está apenas em sua história trágica, mas também no poder de sua voz e na esperança que ela transmitiu, mesmo em meio à escuridão. O diário é um testamento duradouro da capacidade do espírito humano de resistir e de uma adolescente que, apesar de ter sido calada pela violência, encontrou uma forma de continuar a falar para o mundo.

(Pesquisa e imagens geradas pela IA Gemini. Áudio e vídeo em https://youtu.be/zTUBnM9j1lI)


sexta-feira, 7 de novembro de 2025

Onde ficou o quinto mandamento?

Artigo da semana:

Os recentes acontecimentos no Rio de Janeiro, onde uma "megaoperação" resultou na morte de 109 supostos delinquentes, expuseram a ferida aberta de um machucado que assusta. Estarrecida com a proporção da violência e da insegurança por todo o país, a população, acuada e assustada, absorve o discurso dos supostos formadores de opinião: "bandido bom é bandido morto". De tanto ser repetida (e aqui vale a pena lembrar a máxima de Goebbels, ministro de propaganda de Hitler), uma mentira se transforma em verdade.

Tudo isso serve para endossar chacinas onde os direitos fundamentais das pessoas não são respeitados, especialmente se residem em favelas, morros ou vilas. Morar na periferia torna-se, assim, um estigma que transforma pessoas em sub-cidadãos. Especialistas em segurança asseguram que as verdadeiras lideranças do crime organizado e do narcotráfico não estão nestes lugares, mas sim nos condomínios de luxo da cidade maravilhosa e nos grandes centros urbanos. Hoje, pode-se dizer que até mesmo cidades de porte médio e pequenas confrontam-se com a mesma brutalidade.

O mais difícil de aceitar é que muitos dos defensores dessa pena de morte disfarçada se dizem cristãos. Eles simplesmente pularam o quinto mandamento, que é claro: "não matarás!". Estes mesmos políticos, supostamente alinhados com igrejas, desprezam também o sétimo e o décimo, respectivamente: "não furtar" (corrupção) e "não cobiçar as coisas alheias" (poder e lucro). Embora muitos se recusem a enxergar, o que a classe política faz é instrumentalizar igrejas e religiões. Elas servem apenas para reforçar a mensagem que lhes convém, na defesa de seus próprios interesses e dos grupos que os financiam.

Países que venceram a violência trabalharam por uma sociedade inclusiva. Nesses lugares, as disparidades sociais foram reduzidas e o processo de educação tornou-se prioridade. Desde a infância, cada criança encontra um lugar onde desenvolve um relacionamento social saudável (família, escolas, igrejas, centros sociais). Os pais têm a segurança de que os filhos são assistidos, podendo trabalhar, estudar e viver a própria vida. A população que tem nos governantes a garantia de que é bem cuidada não vê seus jovens optarem pela marginalidade.

Cada um daqueles corpos estendidos no asfalto teve uma história: um pai, uma mãe, uma família, amigos, sonhos. Isso mostra que homens e mulheres de igrejas têm, sim, que se engajar nas questões sociais. Mas não podem aceitar a justificativa de uma religiosidade oca, que apenas sacramenta o lucro e o poder, violentando os mais vulneráveis. Aqueles que, muito cedo, em seu ambiente social, sentiram que era mais fácil seguir o caminho da marginalidade, porque lhes foi negado o direito de conviver em um ambiente onde são aceitos e respeitados como cidadão de pleno valor…

(Imagens geradas pela IA Gemini. Áudio e vídeo em https://youtu.be/a0itlBlsYAQ)

domingo, 2 de novembro de 2025

“Vais cair, guri!”

Simplesmente assim:


Andar pela rua é o desafio

De quem precisa respirar,

Ver "gente", conversar...

Impedir que se fechem horizontes!

No que é sonho/realidade,

Distraído, os pés conduzem

Ao meio-fio da calçada.

Vozes alertam do passado:

"Vais cair, guri!"

 

Os meios-fios sucedem às valetas,

Uma parte da infância onde

A aventura transborda da imaginação.

As lembranças constroem um tempo

Em que se ouve

Com mais atenção o passado.

 

Um velho bobo

Anda sobre o meio-fio e

Vê na sombra o guri

Que insiste em perpetuar

Sentimentos e emoções.

 

Quando se impede a luz do Sol,

Os vultos desaparecem

Em remorsos e ressentimentos.

Equilibrar-se sobre

O tempo alcança um passado

De onde alvorecem sorrisos,

Marcados

Por muitas e preciosas recordações... 


(Imagens geradas pela IA Gemini. Este e outros textos em manoeljesus.blogspot.com. Áudio e vídeo em https://youtu.be/XYUG3kUtWuc?si=6Xs1H2vOT4_XUOWE)

sábado, 1 de novembro de 2025

O Caminho Espiritual de Dom Helder Câmara

Leituras e Lembranças:

Este talvez seja um livro pouco conhecido. Mas merece atenção. Padre Ivanir Antonio Rampon, da arquidiocese de Passo Fundo (RS), publicou “O Caminho Espiritual de Dom Helder Câmara” como um estudo que ajuda a entender o arcebispo de Olinda e Recife. Foca na interligação entre a mística e a atuação profética. Destaca a ideia de que Dom Helder viveu a santidade, permitindo que a graça produzisse frutos para a Igreja e a humanidade. Classificou-o como um "místico original" cuja fonte espiritual era a religiosidade tradicional católica, especialmente a do povo cearense e nordestino. 

Dedica atenção especial às "vigílias" de Dom Helder, momentos de oração que cultivava e permitiram a experiência mística. As vigílias são marcadas pelas "meditações do padre José" (codinome), que expressam a dimensão mística e a prevalência da "vitória da Graça". O lema episcopal de Dom Helder, "In manus tuas" ("Em tuas mãos"), não era abstrato. Esse abandono total à Providência Divina tornou-se a sua "imensa força". Aponta que ela se se revelava "através da humildade", vivendo um estilo próprio da "infância espiritual", onde ternura e vigor se encontram em justa medida.

Traça a trajetória de Dom Helder, desde a primeira fase, em Fortaleza (sacerdócio e atuação política e educacional), como Secretário da CNBB (1952-1964) e a participação no Concílio Vaticano II, como signatário do Pacto das Catacumbas, onde se propunha superar a "era constantiniana" e levar a Igreja aos "perdidos caminhos da pobreza". Ao analisar as perseguições do regime militar, reforça o caráter profético de quem não era insensível às críticas, mas transformava humilhações num caminho de humildade.

"O Caminho Espiritual de Dom Helder Câmara" oferece uma leitura teológica e espiritual da sua vida, demonstrando que a atuação em defesa da justiça e dos pobres era reflexo direto e coerente de sua vida mística. Consolida a visão de precursor da "Igreja em saída" e modelo de pastor profético. Em tempos difíceis, tornou-se um mantra sua afirmação de que "quando dou comida aos pobres, me chamam de santo. Quando pergunto por que eles são pobres, chamam-me de comunista."

Dom Helder se doou na caridade, por amor a Cristo e sua Igreja. O relacionamento com Cristo era expresso: no calor de seu amor e na bondade de seu coração; na verdade de suas palavras; no alento dado à esperança; na beleza de sua prece. Rampon firma ser o arcebispo "autêntico doutor da fé, genuíno intérprete da verdade evangélica". O livro mostra a íntima ligação entre a vida interior e mística de Dom Helder e sua atuação pública e social, que o tornou uma figura notável para Igreja e para o mundo.

(Geração de imagens pela IA Gemini. Áudio e vídeo em https://youtu.be/5dDwxen4ZAE)

sexta-feira, 31 de outubro de 2025

A voz política das mulheres

Artigo da semana:

Por favor, digam que é mentira (ou fake, como gostam os "estrangeiristas") esta história que começou nos Estados Unidos e já se move como uma serpente traiçoeira e venenosa pelos meandros políticos no Brasil. A de que se deseja acabar com o voto feminino em todas as eleições públicas, sob a ideia (machista, na sua pior acepção) de um voto por lares, tendo o homem como cabeça desta instituição.

É risível, pois lá e cá sua estrutura tem sido questionada. Tirar a voz das mulheres é crime, pois se caça uma conquista que custou o sangue de muita gente. Um machismo preconceituoso, criminoso e doentio de quem deturpa o sentido de cidadania. Já que são elas que comandam casas abandonadas por homens e que a política e o voto são o lugar sagrado para defenderem seus direitos e dos filhos.

Religiosos que endossam a tese, fixam-se num patriarcado do Antigo Testamento esquecendo os Evangelhos, em que Jesus dá voz à samaritana, transformada em missionária. Parou para ouvir a mulher com fluxo de sangue. Começa pela mãe, Maria; passa pela cruz, onde restou apenas um homem, João; Ressuscitado, elas fazem o primeiro anúncio. Jesus as liberta do silêncio da lei e da tradição.

Defender que mulheres não tenham direito ao voto, é um erro político, antiético, antievangélico… As mulheres não votando se tem meia democracia. Não compreendem que o voto foi conquista e não concessão. E toda conquista precisa de vigilância, especialmente de covardes ao fazerem suas pregações em rebanho, onde, gritando mais alto, balançam as estruturas dos mais simples…

O voto é a voz para cidadãos e cidadãs. Caladas, é omissão e covardia, abusando da lei do (ainda?) mais forte. Quem não quer as mulheres votando camufla a incapacidade de viver em sociedade. De ser confrontado com valores diferenciados que apontam uma política mais humanizada. Uma mulher, na vida pública, que não se espelha no que os homens tristemente já fizeram, é um sopro de esperança de que conviver em igualdade é um valor a ser sonhado e defendido… com o voto de todos e de todas!

(Geração de imagens pela IA Gemini. Áudio e vídeo em https://youtu.be/kAG_alhYCuk)


domingo, 26 de outubro de 2025

Simplesmente assim: O escrito

Aprendi que as palavras

Precisam ser cravejadas

Nas paredes da imaginação. 

Ali, onde não interessa a lógica,

Tramam o condão em que

Transtorna sonhos e

Dá vida à poesia.

 

Seus significados estão

prenhes de intenções,

Sempre aquém do que

O coração idealizou…

 

O lugar onde se escrevem

Ou apagam as letras

Fazem a sintonia fina.

Do que ficou, paira

O silêncio como compensação.

 

Revelar o que as torna

Preciosidades é a bênção

Dos Deuses.

Ao agraciarem o homem 

Com a incerteza,

A possibilidade de duvidar,

Provocando a rebelião dos sentidos...

E dos sentimentos!


(Imagens geradas pela IA Gemini. Áudio e vídeo em https://youtu.be/OzhBBYwRB-w)


sábado, 25 de outubro de 2025

A Violinista de Auschwitz, de Ellie Midwood.

Leituras e lembranças:

Este livro é um romance de ficção histórica baseado na experiência de Alma Rosé, uma talentosa violinista austríaca de ascendência judaica, sobrinha do compositor Gustav Mahler. A Protagonista, ao ser aprisionada em Auschwitz, tem sua vida drasticamente alterada. Por ser reconhecida como uma musicista de alto nível, recebe a oportunidade de formar e reger a Orquestra Feminina de Auschwitz.

A força do livro reside em mostrar como a música se torna instrumento de resistência, esperança e sobrevivência. Ao recrutar outras musicistas para a orquestra, Alma salva diversas mulheres da câmara de gás e de trabalhos forçados, dando uma chance de vida em um ambiente onde a morte era a única certeza.

Ellie Midwood é conhecida por sua pesquisa detalhada sobre a Segunda Guerra Mundial. O livro se baseia na vida de Alma, mas preenche as lacunas com elementos ficcionais, como o romance com o pianista Miklós, para dar profundidade emocional e criar uma narrativa mais envolvente. Não poupa o leitor das descrições detalhadas e brutais do cotidiano em Auschwitz, incluindo a fome, a doença, a crueldade dos guardas da SS e o horror das câmaras de gás.

Midwood explora a resiliência e a capacidade humana de encontrar laços afetivos e esperança. A orquestra, e a própria Alma, se tornam um farol para as prisioneiras. A música torna-se um ato de subversão e salvação para as mulheres. O livro aborda temas como o poder da arte, a coragem feminina em condições extremas, a sobrevivência e a memória de um dos períodos mais sombrios da história.

"A Violinista de Auschwitz" é um acréscimo valioso à literatura do Holocausto. Leitura comovente e inspiradora que homenageia uma heroína real, Alma Rosé, ao usar seu talento para salvar vidas. Com o foco na Orquestra Feminina de Auschwitz e um convite à reflexão, sobre a natureza do mal, a dignidade humana e a eterna busca pela esperança e beleza… mesmo num inferno criado pelo próprio homem!

(Imagens Internet e IA Gemini. Este e outros textos em manoeljesus.blogspot.com. Áudio e vídeo em https://youtu.be/GHYrsRDgDJo)


sexta-feira, 24 de outubro de 2025

Os ventos que rondam a primavera

Artigo da semana:

“Os ventos que chegam com a primavera vão até o tempo dos Finados”, diziam os ainda mais antigos que nós. Diminuem no início do mês de novembro, mas até lá podem ser desde uma suave brisa, até as rajadas que batem portas e janelas. Disseminam o pólen das flores com as consequências de sempre: para uns, a maravilha de um tempo em que tudo o que brota da mãe Natureza ressurge, toma viço e desabrocha em brotos ou flores. A estação do ano em que, vencido o inverno, se prepara para viver a exuberância do verão.

Mas... para quem é dependente das "ites" (como a rinite, sinusite, bronquite, faringite e otite), um inferno astral de alergias, narizes correndo e sensação de desconforto pelo corpo inteiro. Não é apenas a possibilidade de que o organismo não se adeque com a estação do ano, mas de quem gostaria de ser "normal", aproveitando o que eclode no entorno e ganhar o carinho do sol. Capaz de Os ventos que rondam a primaverapesadas. Tempo em que se privilegia a sincronia da vida humana com o mundo verde.

Quando os ventos penetram por janelas e portas, tornam-se sussurros que embalam o sono, aconchegam, murmuram promessas. Fazem a festa dos poetas e delirantes. Também podem travestir-se da agonia de quem atravessa a noite carregado de preocupações. O que para uns é motivo para relaxar nas promessas de conforto e proximidade, para outros, é mau presságio, carregando ares em que horizontes se toldam, antevendo a tempestade. O que não se sabe de onde vem e também se desconhece seu destino…

Renova o ar presente sobre os aglomerados urbanos, oxigenando espaços poluídos. Ganha significados diversos em documentos religiosos como na Bíblia, por exemplo. Desde a presença inspiradora do Espírito Santo, que sopra onde quer e que não pode ser controlado, nem inteiramente compreendido pelo ser humano, até a destruição e guerra, em certas profecias bíblicas, como vistas nos livros de Jeremias e no Apocalipse. Não importa a cultura ou o povo, os ventos carregam presságios.

Inspirando meios religiosos, mudanças da física ou motivador nas artes e criatividade… Escrito nas folhas das árvores que se formam ou nos pássaros que fazem na madrugada um despertador que chama uns para vida e desencadeia o mau-humor de outros por acordar mais cedo. Enfim, importa que se faça a sintonia da alma com um tempo de limpeza, purificação e renovação. O sopro de novas energias. Despir-se das cargas físicas e emocionais é o chamado da rua para compartilhar a vida… Sem medo de ser feliz!

(Imagens geradas pela IA Gemini. Áudio e vídeo em https://youtu.be/rexa-tPkII8)

domingo, 19 de outubro de 2025

Onde guardo as balas de mel…

Simplesmente assim:

Onde estão as crianças?

​As bicicletas estão sobre a grama.

A bola de futebol escorreu

Para uma poça d'água.

​Nos pátios, camisetas e calções

Embandeiram os varais.


​O cachorro espia pela porta,

Sentindo o alarido que vem da rua.


​Onde estão as crianças?

​O tempo tolda as lembranças

E já não consigo distinguir

O presente do passado que

Ronda as minhas memórias.


Onde estão as crianças?

​No silêncio das suas ausências,

Os sonhos permitem que desfrute

De momentos fugidios em que elas

Ainda estão ali,

Correndo pelos corredores,

Invadindo a cozinha,

Implicando comigo,

Querendo o pote de bolachas

Ou o vidro onde ainda guardo as balas de mel…


​E quando o doce se desmancha na boca

Libera afetos que rondam as saudades.

Impedindo que se perca o que ainda resta 

Do que já foi um sentido para se viver…


(Imagens geradas pela IA Gemini. Áudio e vídeo em https://youtu.be/UCruaSaj5_E)

sábado, 18 de outubro de 2025

Poder, Política e Mudança, de Osho

Leituras e lembranças 

O livro desafia o pensamento convencional sobre a natureza do poder e o caminho para a mudança social. Parte da série "Questões Essenciais", onde aborda temas cruciais como poder, corrupção, política, rebeldia e a vontade de mudança. A premissa central do livro reside na refutação da máxima popular de que "o poder corrompe". Diz que a corrupção precede o poder.

Quem busca o poder já está corrompido por dentro. O desejo de dominar e controlar os outros é sintoma de um complexo de inferioridade e necessidade de se sentir superior. Que o poder apenas revela. Ao atingir o objetivo político ou de liderança, o poder não cria a corrupção; ele apenas fornece o ambiente (o "solo fértil") para que a corrupção que já existia internamente - "como uma semente" - finalmente brote e se manifeste abertamente.

Aprofunda a análise da "vontade de poder". Mostra como ela não se manifesta apenas nas grandes instituições políticas, mas também nos relacionamentos diários de cada indivíduo (família, trabalho, amizades). Osho defende a ideia de um poder pessoal — uma força sutil baseada na consciência, amor e simplicidade — que é o oposto do "poder sobre os outros" (poder político), visto como feio, destrutivo e desumano por reduzir as pessoas a objetos.

O autor vê a ambição pelo poder sobre os outros (político, religioso, etc.) como uma neurose ou um complexo de inferioridade. O indivíduo que busca dominar os outros o faz para compensar o seu próprio vazio, infelicidade ou falta de autoconhecimento. A política, nesse sentido, atrai mentes medíocres ou doentes, que buscam validação externa em vez de contentamento interno. A solução para a corrupção e para os males sociais não está em ideologias ou revoluções, mas no aumento da consciência individual.

O livro diferencia dois tipos de poder: sobre os outros (político), baseado no controle, medo e dominação. É destrutivo. E poder pessoal (interior): surge do autoconhecimento, meditação e contentamento. É um poder "como o amor, como a compaixão," que não busca escravizar, mas harmonizar. É uma força que conecta, em vez de dividir. Tentar mudar o sistema sem mudar a si leva a novos ciclos de dominação, pois o revolucionário de hoje será o corrupto de amanhã, se a semente da corrupção ainda estiver em seu interior. 

A rebeldia genuína, portanto, é a rebeldia espiritual contra o próprio ego e a inconsciência, e não contra as instituições externas. Em suma, Poder, Política e Mudança é um convite à introspecção. Osho usa o tema da política para desafiar o leitor a examinar suas próprias motivações, complexos de inferioridade e desejo de controle. Sugerindo que o futuro da humanidade depende da capacidade de cada um de cultivar o poder através da meditação e da consciência, e não através da ambição externa.

(Pesquisa e imagens com apoio da IA Gemini. Áudio e vídeo em https://youtu.be/tmiUE16W0p0)