segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Um livro para ouvir

Em diversos lugares – hospitais, escolas, casas geriátricas, centros sociais – aparece uma figura que se intitula de “contador de histórias” (antigamente usávamos “estórias”, para diferenciar ficção de fato). Tentam melhorar a vida daqueles que têm alguma dificuldade física para a leitura e, além de contar uma história, buscam interpretá-la, tornar vivo na imaginação de crianças e adultos o que o autor escreveu.
Minha lembrança de “contador de história” é do tempo de criança, quando minha mãe nos reunia na cama, em dias frios, e, por não existir luz elétrica, substituía a televisão, em narrativas que encantavam nossas noites. Mas adorávamos quando o pai adoecia, não importava em que grau, pois íamos todos para a cama com ele, que tinha que contar histórias novas - diferentes da mãe - com mais elementos de ação, violência e terror.
Foi pensando nisto que acompanhei com atenção um grupo de alunos de uma das disciplinas do curso de Jornalismo da Católica que resolveu transformar em áudio livro os “Causos do Romualdo”, personagem famoso de João Simões Lopes Neto, passados nas plagas do Rio Grande. Com uma bela intenção: oferecer à clientela da Escola Louis Braille, que presta assistência a pessoas com deficiência visual.
Conseguiram valorizar uma obra nossa, com características tipicamente gaúchas, e colocar à disposição daqueles que poderão ouvir um livro. Mas fiquei pensando que, além deles, também vão poder escutar os contos pessoas idosas, com dificuldade de visão; pessoas debilitadas, com dificuldade de concentração; pessoas com baixa escolaridade, que muitas vezes são somente alfabetizados funcionais; e a minha categoria: dos preguiçosos estruturais, que adoram um aparelho de som, com seus fones e uma rede, nas férias, podendo ouvir boas histórias ou bons textos de auto-ajuda, religiosos e mesmo de pesquisa como já existem na área da história, comunicação etc.
Não vou entrar na discussão da substituição do papel por um meio eletrônico. Não vem ao caso. O importante é que se amplie a abrangência do livro. Se ele pode ser acessado por mais gente, que pode usufruir do entretenimento, da formação e da informação, é bem vindo, com o desejo de que amplie mundos e faça mais gente feliz.
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