quarta-feira, 4 de março de 2009

O "x" das estradas

Intensifica-se o debate em torno da malha viária do Estado. Entre críticas e apontamentos de estudos técnicos, temos o cidadão que utiliza as estradas esperando que o pagamento de impostos e de pedágios torne a vida um pouco mais confortável. A constatação que se pode fazer, em algumas áreas, é de que não há como aumentar o número de pistas, mas termos o bom senso de diminuir o número de carros e de caminhões.
Desde a metade do século passado, por um lobby da indústria automobilística, os governos fizeram esta opção, em detrimento de alternativas hoje utilizadas nas regiões mais desenvolvidas do Mundo: o transporte por ferrovias e a navegação. O primeiro caso poderia ser facilitado por inúmeras regiões planas ou com leves ondulações, que baratearia a sua implantação. O segundo, utilizando um sistema natural de rios e lagoas, que encanta a técnicos internacionais e os faz pasmos por não utilizarmos.
Na ligação entre Porto Alegre e Novo Hamburgo, assim como deste município com a Serra, fica a impressão de que os últimos dez anos trouxeram uma evolução substancial. Mesmo onde estas estradas cortam o meio urbano, a existência de ruas paralelas e túneis descongestionam a movimentação e torna, em horários normais, um tráfego tranquilo, na maior parte das vezes, sem incidentes.
A preocupação passa a ser com as cargas pesadas que, em muitos casos, trancam as estradas. Para estas, em alguns lugares, como em subidas ou curvas, bastaria a existência de uma terceira pista, o que, por si só, já desafogaria em muito o fluxo de veículos.
Já os carros são um problema cultural. Transformou-se em sonho de consumo a propriedade de um veículo, com todas as facilidades de financiamento possível, embora, na hora de pagar, muitas vezes, o sonho se transforme em pesadelo. Faz com que alcancemos altos índices de inadimplentes, causando um fenômeno difícil de ser entendido: aumenta o número de usuários de carros e motos e diminui aqueles que utilizam o transporte coletivo.
Claro que existem casos em que o desafogo somente acontecerá pela ampliação da malha viária. Mas não pode se apostar somente nisto. Um bom transporte público, municipal, estadual e nacional, com incentivos para que os usuários passem a utilizá-lo já diminuiria, em muito, o problema. Temos muito que caminhar para chegar lá, mas não é um sonho impossível, assim como o de ter um motorista educado e responsável na estrada. Mas esta já é outra história!
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