domingo, 22 de março de 2009

Mais próximos da felicidade

No último final de semana passamos por duas datas que, parece, em comum não têm absolutamente nada: no sábado (21), lembramos a luta dos portadores da Síndrome de Down, e, no domingo (22), a Organização das Nações Unidas marcou como a data de reflexão a respeito da água. O que ambas tem em comum: a luta pela vida. A água é fundamental para continuarmos vivendo e a perspectiva é de que ela, em seu estado natural, doce, atendendo às necessidades humanas, dure mais cerca de 40 anos, se continuarmos abusando e desperdiçando tão precioso líquido.
Mas, nas muitas entrevistas que assisti, chamou-me a atenção a luta das mães daquelas crianças especiais, mulheres que lutam arduamente para que seus filhos não sejam considerados como “anomalias humanas”. Como dizia uma das meninas: “eu quero ser tratada como gente!” Convivo com portadores da Síndrome de Down há muitos anos e vejo que eles têm uma batalha diária pelo aprendizado, qualidade do seu estado físico e espiritual; mais ainda, para serem reconhecidos como “gente”, portadores de necessidades especiais, mas que, tendo uma chance, mostram-se maravilhosamente capazes.
Ao longo deste tempo, paro para pensar e vejo que eles estariam perdidos nos meandros da sociedade, se não fosse estas “fadas” maravilhosas, que Deus revestiu em corpo de mulher e que chamou de “mãe”! Elas são as sinalizadoras, norteando os caminhos por onde seguem seus filhos; em alguns momentos, são o próprio caminho, pois carregam em seus ombros a responsabilidade de não deixá-los desistir; e, maravilha das maravilhas, são o porto seguro da chegada, onde estes jovens aportam quando recebem o sorriso da vitória!
Não são as vitórias a que acostumamos nossos filhos, mas as vitórias da superação: um movimento físico, uma letra reconhecida, um passo de dança dado com alguns segundos de descompasso, fazem a maravilhosa harmonia da vida, onde o tempo perde o sentido, embaralhar as letras é melhor do que lhe dar uma definição burocrática e a mão que afaga é uma bênção capaz de mostrar que esta é uma vida que vale a pena.
Sou privilegiado, porque ganho abraços carinhosos e apertados do meu afilhado Edinho e de alguns de seus amigos. Mas, confesso, tenho profunda admiração pelas mães – a Marli à frente - que fazem mais do que receber: dedicam suas vidas na busca de que a sociedade reconheça que talvez não saiba conviver com a diferença e que este aprendizado nos faz muito mais próximos da felicidade e da realização.
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