Uma rede de supermercados da Zona Sul do Estado lançou uma campanha em que o ator sai de uma loja carregando diversos produtos, em sacolas recicláveis, e é abraçado na rua, por diversas pessoas que lhe são estranhas, em reconhecimento por sua ação positiva em favor do meio-ambiente. Claro que o mais emocionado é quando chega em casa, de sua companheira.
Lembrei do jeito prazeroso como os abraços eram recebidos quando vivenciei igual experiência de uma amiga que teve o esposo desempregado; um aluno aprendendo a lidar com o sentimento de perda, especialmente de amigos próximos e na família; e o filho de amigos que luta para ter a afetividade respeitada, inclusive a sua sexualidade.
Estávamos conversando, quando senti que a amiga iria chorar. Abri os braços e foi tomada por convulsões, extravasando sentimentos represados, precisando, de alguma forma, ser compartilhados. Mas ela é forte - embora sejam chamadas de “sexo frágil” - o grande esteio de uma família, onde, além do marido e três filhos, ainda cuida dos pais e cumpre tripla jornada de trabalho: em casa, lecionando e estudando.
O garoto que viu desmoronar uma série de relações em pouco menos de um ano ficou marcado por ter a mesma crença que todos um dia tivemos: de que nossas relações afetivas da juventude seriam eternas. Se o normal é que, passados os anos universitários, tomemos caminhos diferentes, diversos fatores levaram à perda de amigos e problemas familiares. E ainda precisa clarear o que quer de seu futuro, sendo daqueles alunos que a gente diz: “vou vê-lo tomar conta do Mundo!”
Em caso semelhante, está aquele que também vai ser um grande profissional, mas precisa, hoje, ver sua privacidade respeitada, querendo apenas o que é de seu direito: um lugar profissional, ao qual fez por merecer, independente do que sejam suas opções afetivas e sexuais.
Nos três casos, as pessoas têm as suas próprias respostas, mesmo que, neste momento, estejam fragilizadas, precisando de um ombro amigo, um olhar atento e afetivo e, se ainda assim estiver doendo muito, um bom e demorado abraço.
domingo, 15 de novembro de 2009
terça-feira, 10 de novembro de 2009
O perfume da dor e da morte
“Existem cheiros marcantes. Para mim, entre eles, está o da acácia, da dama da noite, do jasmim e o da flor do pessegueiro. E foi lembrando deles que fechei os olhos para não sentir o que estava acontecendo com meu filho naquele momento”. Não sei como aquele pai podia fazer “poesia” no momento em que falava a respeito do acidente de moto vivido por seu filho e no acompanhamento que tinha dado no hospital, descrevendo todo o desespero de lutar por sua vida e encarar um ambiente carregado de dor e sofrimento.
Num tempo de Primavera, em que todos os odores são marcantes e estão presentes nas árvores, arbustos e flores que desabrocham, a analogia não podia ser mais feliz, porque todos os sinais são de vida, enquanto um acidente sempre remete à dor ou à perda de uma existência. Mas há, sim, algo em comum: a capacidade de regeneração. Este é um tempo em que toda a natureza está desabrochando e mostrando a sua capacidade de se renovar, depois de atravessar o inverno. A semelhança, para o pai, é a espera de que seu filho, com cerca de 20 anos, seja capaz de vencer a dor e reconstruir seu caminho.
As estatísticas a respeito de acidentes têm sido, no mínimo, preocupantes, e, pode-se dizer, angustiantes, porque ceifam a vida de nossos jovens, especialmente homens, que se mostram mais predispostos a exagerar na velocidade, ou em dirigir, sob o efeito do álcool. As campanhas mostrando o que aconteceu não têm sido suficiente para prevenir. O que os jovens dizem é que isto aconteceu com outros, não vai acontecer com eles. Julgam-se acima do bem e do mal e deixam os pais e familiares na angústia da espera, especialmente nas noites de final de semana, quando cada minuto é precioso para saber se retorna.
As perdas são sempre muito dolorosas. A dor por algum trauma físico também. E mais ainda quando ficam seqüelas para o resto da vida. Uma ação impensada causa uma marca que fica. E para aquele pai que pensava em odores para manter a sanidade mental, ao lado do filho, num leito de hospital, fica a impressão de que arrancou o filho do próprio fim. E sentiu o perfume da dor e da morte.
Num tempo de Primavera, em que todos os odores são marcantes e estão presentes nas árvores, arbustos e flores que desabrocham, a analogia não podia ser mais feliz, porque todos os sinais são de vida, enquanto um acidente sempre remete à dor ou à perda de uma existência. Mas há, sim, algo em comum: a capacidade de regeneração. Este é um tempo em que toda a natureza está desabrochando e mostrando a sua capacidade de se renovar, depois de atravessar o inverno. A semelhança, para o pai, é a espera de que seu filho, com cerca de 20 anos, seja capaz de vencer a dor e reconstruir seu caminho.
As estatísticas a respeito de acidentes têm sido, no mínimo, preocupantes, e, pode-se dizer, angustiantes, porque ceifam a vida de nossos jovens, especialmente homens, que se mostram mais predispostos a exagerar na velocidade, ou em dirigir, sob o efeito do álcool. As campanhas mostrando o que aconteceu não têm sido suficiente para prevenir. O que os jovens dizem é que isto aconteceu com outros, não vai acontecer com eles. Julgam-se acima do bem e do mal e deixam os pais e familiares na angústia da espera, especialmente nas noites de final de semana, quando cada minuto é precioso para saber se retorna.
As perdas são sempre muito dolorosas. A dor por algum trauma físico também. E mais ainda quando ficam seqüelas para o resto da vida. Uma ação impensada causa uma marca que fica. E para aquele pai que pensava em odores para manter a sanidade mental, ao lado do filho, num leito de hospital, fica a impressão de que arrancou o filho do próprio fim. E sentiu o perfume da dor e da morte.
segunda-feira, 2 de novembro de 2009
Uma esperança além da vida
A criança que perguntava: “é aqui que o papai está?”, no cemitério, fazia um questionamento de fé. Vendo a mãe chorosa e preocupada em limpar a lápide, arranjar as flores, acender velas e fazer orações, queria entender uma das mais elementares dúvidas da existência: a finitude e a conseqüente volta ao pó. Embora padres, pastores e líderes religiosos tentem, sistematicamente, argumentar com “lógica” de que, especialmente para as religiões cristãs, a morte é o grande momento de passagem, para as pessoas mais simples, isto não é tão fácil de entender. Fica a lógica da precaução: “tá certo, eu até acredito, mas na possibilidade de que reste um fiozinho de vida ali, vou tentar mantê-lo vivo”.
Como dizia um poeta: “hoje caminho meio manco, porque já são muitos aqueles que carrego no lado esquerdo (coração)”. E o passar dos anos e a proximidade da data possível do fim quase sempre tornam as pessoas mais propensas a algum tipo de espiritualidade e buscar o conforto da fé. Mas não é incomum que também busquem “adaptar” algumas coisas às suas crenças mais antigas. Quem freqüenta algum tipo de cerimônia religiosa sabe que cerca de vinte por cento tem plena compreensão daquilo que está fazendo; mais vinte devem andar próximas; mas a grande maioria busca o sentido “mágico” de uma celebração, onde quer a bênção, o pedido, o agradecimento, colocar alguém nas mãos de Deus. Na Missa católica há uma oração chamada de “coleta”, antes do anúncio da Palavra, quando o padre recolhe todas as intenções dos presentes. Questionada uma pessoa sobre o que significava não teve dúvidas: “deve ser a preparação para depois apresentarmos a oferta em dinheiro”.
Embora muitos credos busquem explicações da fé na própria ciência, por exemplo, acho difícil que isto ajude para a maior parte da população. A fé, em primeiro lugar, é uma atitude pessoal, que depois vai buscar uma religião para se expressar socialmente. Todos os processos de “conversão” só fazem sentido se já houver uma predisposição. Por isso, pode-se dizer que é uma ação, mas também uma graça, melhorando a existência e lançando uma perspectiva de esperança para além da própria vida.
Como dizia um poeta: “hoje caminho meio manco, porque já são muitos aqueles que carrego no lado esquerdo (coração)”. E o passar dos anos e a proximidade da data possível do fim quase sempre tornam as pessoas mais propensas a algum tipo de espiritualidade e buscar o conforto da fé. Mas não é incomum que também busquem “adaptar” algumas coisas às suas crenças mais antigas. Quem freqüenta algum tipo de cerimônia religiosa sabe que cerca de vinte por cento tem plena compreensão daquilo que está fazendo; mais vinte devem andar próximas; mas a grande maioria busca o sentido “mágico” de uma celebração, onde quer a bênção, o pedido, o agradecimento, colocar alguém nas mãos de Deus. Na Missa católica há uma oração chamada de “coleta”, antes do anúncio da Palavra, quando o padre recolhe todas as intenções dos presentes. Questionada uma pessoa sobre o que significava não teve dúvidas: “deve ser a preparação para depois apresentarmos a oferta em dinheiro”.
Embora muitos credos busquem explicações da fé na própria ciência, por exemplo, acho difícil que isto ajude para a maior parte da população. A fé, em primeiro lugar, é uma atitude pessoal, que depois vai buscar uma religião para se expressar socialmente. Todos os processos de “conversão” só fazem sentido se já houver uma predisposição. Por isso, pode-se dizer que é uma ação, mas também uma graça, melhorando a existência e lançando uma perspectiva de esperança para além da própria vida.
segunda-feira, 26 de outubro de 2009
Um plantador de “acácias”
A estrada que liga a BR 392 a Morro Redondo é privilegiada pela quantidade de pés de acácia ali existentes. Na Primavera, sua flor faz com que se pare e aproveite, por alguns minutos, o aroma. Numa ocasião, pensei que pudesse levar um galho para casa e que o perfume permaneceria. Engano. Em seguida, ele sumiu. Mas, enquanto estava na árvore, atraia abelhas, que produzem um mel de excelente qualidade.
Foi por este caminho que fui a Morro Redondo, conversar com professores do Estado e do Município. Tema: “A Magia da Palavra”, focado na motivação profissional. Sempre pensei que havia diferença entre comunidades que têm predominância rural ou urbana, mas mudei de idéia: a realidade é próxima e é fácil encontrar professores desmotivados, jovens sem perspectivas e a droga. Na converso com professores utilizo um argumento que encontra eco: nossa responsabilidade diante das crianças e jovens é tripla - na maior parte das vezes são nossos familiares; somos cidadãos, com responsabilidade sobre o seu futuro; e somos professores, com a missão de encaminhar o seu processo de aprendizado profissional e de vida.
Nossa maior luta é, enquanto estão neste processo, mantê-los agregados e motivados para que não se sintam atraídos pela rua e seus subterrâneos e esquecer os benefícios que podem usufruir da escola/acácia. Mas também temos que cobrar da família e da sociedade o cumprimento de sua parte. Tem sido confortável para ambas omitirem-se e achar que a escola supre todas as carências. Não suprimos. Vamos ter é a compensação de um processo atrofiado, difícil de ser plenamente revertido.
O certo é que ninguém pretende enriquecer sendo professor. Mas fica a sensação de que, cumprindo a nossa obrigação, deixamos marcas, mesmo nos mais renitentes. E no caso do ensino superior, há uma diferença quando o aluno troca o nome próprio pelo de “professor”. Está formada a cumplicidade entre pessoas que entendem que precisam ter mentes abertas e, com serenidade, crescer na sua realização pessoal e profissional. Pode-se dizer: sou professor, por opção e por missão. Planto “acácias” e pretendo que suas flores tenham o melhor dos perfumes, aquele que transforma o Mundo.
Foi por este caminho que fui a Morro Redondo, conversar com professores do Estado e do Município. Tema: “A Magia da Palavra”, focado na motivação profissional. Sempre pensei que havia diferença entre comunidades que têm predominância rural ou urbana, mas mudei de idéia: a realidade é próxima e é fácil encontrar professores desmotivados, jovens sem perspectivas e a droga. Na converso com professores utilizo um argumento que encontra eco: nossa responsabilidade diante das crianças e jovens é tripla - na maior parte das vezes são nossos familiares; somos cidadãos, com responsabilidade sobre o seu futuro; e somos professores, com a missão de encaminhar o seu processo de aprendizado profissional e de vida.
Nossa maior luta é, enquanto estão neste processo, mantê-los agregados e motivados para que não se sintam atraídos pela rua e seus subterrâneos e esquecer os benefícios que podem usufruir da escola/acácia. Mas também temos que cobrar da família e da sociedade o cumprimento de sua parte. Tem sido confortável para ambas omitirem-se e achar que a escola supre todas as carências. Não suprimos. Vamos ter é a compensação de um processo atrofiado, difícil de ser plenamente revertido.
O certo é que ninguém pretende enriquecer sendo professor. Mas fica a sensação de que, cumprindo a nossa obrigação, deixamos marcas, mesmo nos mais renitentes. E no caso do ensino superior, há uma diferença quando o aluno troca o nome próprio pelo de “professor”. Está formada a cumplicidade entre pessoas que entendem que precisam ter mentes abertas e, com serenidade, crescer na sua realização pessoal e profissional. Pode-se dizer: sou professor, por opção e por missão. Planto “acácias” e pretendo que suas flores tenham o melhor dos perfumes, aquele que transforma o Mundo.
segunda-feira, 19 de outubro de 2009
O pequeno Einstein
Na semana passada, a mídia destacou o menino Oscar, considerado uma inteligência excepcional, com quociente de inteligência (qi) ao nível do cientista Albert Einstein. As matérias destacam que os pais têm inteligência mediana, mas incentivaram o filho, ainda mais quando ele manifestou, desde cedo, interesse por temas que, em tese, não são próprios da idade. Ele foi entrevistado mostrando ser uma criança bonita e alegre, mas com uma declaração preocupante: “quero amigos, quero outras crianças com quem possa falar”. Contrastando com o pai: “ele é um menino especial, quando ele tiver aproveitado ao máximo a sua inteligência é que vai ser feliz”.
Lembrei uma conversa que tive com a professora Flávia, quando discutimos a respeito de quando é necessário estimular a criança intelectualmente, ou incrementar seu convívio social. Lembrava-me que hoje as crianças são de apartamentos e, na maior parte das vezes, não tem chance de ter um familiar acompanhando, especialmente dos avós, quando os pais têm atividades de trabalho ou mesmo sociais. De meu lado, lembrava o convívio natural de muitas crianças do meu meio sempre interagindo e exigindo a participação de praticamente toda a família, em diferentes momentos. Mas que, hoje, não é assim, pois as crianças acabam indo para as escolinhas com dois, três anos, e obtêm bons resultados já que aumentam o processo de socialização, com reflexos nos seu aprendizado e até na sociabilidade.
Porque a preocupação com o menino Oscar? Fiquei com a nítida impressão de que o fato de ser por demais inteligente transformou-o numa espécie de troféu para os pais. E a felicidade somente vai ser alcançada quando ele atingir o seu auge intelectual. Não é assim. A felicidade deve nos acompanhar ao longo de toda a vida, em todos os momentos. Não é um troféu, é a realização de grandes conquistas, mas também de viver bem e intensamente pequenos momentos. E a frase do pequeno Oscar é emblemática: “quero amigos, quero outras crianças com quem possa falar”. Está certo, pois quer viver estimulando sua inteligência, mas também brincando, convivendo, sendo o que efetivamente é: um menino, com o direito de viver a própria vida.
Lembrei uma conversa que tive com a professora Flávia, quando discutimos a respeito de quando é necessário estimular a criança intelectualmente, ou incrementar seu convívio social. Lembrava-me que hoje as crianças são de apartamentos e, na maior parte das vezes, não tem chance de ter um familiar acompanhando, especialmente dos avós, quando os pais têm atividades de trabalho ou mesmo sociais. De meu lado, lembrava o convívio natural de muitas crianças do meu meio sempre interagindo e exigindo a participação de praticamente toda a família, em diferentes momentos. Mas que, hoje, não é assim, pois as crianças acabam indo para as escolinhas com dois, três anos, e obtêm bons resultados já que aumentam o processo de socialização, com reflexos nos seu aprendizado e até na sociabilidade.
Porque a preocupação com o menino Oscar? Fiquei com a nítida impressão de que o fato de ser por demais inteligente transformou-o numa espécie de troféu para os pais. E a felicidade somente vai ser alcançada quando ele atingir o seu auge intelectual. Não é assim. A felicidade deve nos acompanhar ao longo de toda a vida, em todos os momentos. Não é um troféu, é a realização de grandes conquistas, mas também de viver bem e intensamente pequenos momentos. E a frase do pequeno Oscar é emblemática: “quero amigos, quero outras crianças com quem possa falar”. Está certo, pois quer viver estimulando sua inteligência, mas também brincando, convivendo, sendo o que efetivamente é: um menino, com o direito de viver a própria vida.
domingo, 11 de outubro de 2009
Caminhos e descaminhos
Foi o Régis Rasia (amigo/irmão da igreja Nossa Senhora da Natividade de Ijuí/RS) quem me apresentou à música Pilares, do nativista Miro Saldanha. Régis estava convicto de que ali havia mais do que uma lição religiosa ou moral, necessária a quem pensava em constituir família, que era e é o seu caso. Escutei a música, pela primeira vez, entre Ijuí e Cruz Alta, com a “interpretação” de meu amigo. Depois a ouvi muitas vezes, inclusive quando Miro se apresentou num programa da Televisão Educativa do Estado. E foi sempre emocionante porque é o grito de um pai tentando fazer com que sobrevivam valores que a sociedade sempre teve como referência e que, hoje, são relativizados ou mesmo desprezados.
O refrão diz: “me ajuda, Pai, quero criar meus filhos, do jeito que meu pai criou a mim. Me ensina a vencer tantos empecilhos e acreditar no certo até o fim. E a força da verdade ainda vale, do jeito que valia lá de onde eu vim. Pois temo que meu filho um dia fale: “verdades mudam”. Não é assim.” A interpretação teve garra e emoção na voz e no instrumental, fazendo parar para pensar. Não era nenhum “pregador” a ter esta preocupação, mas a expressão de um pai assustado com o que seu filho pode enfrentar e mesmo vir a pensar ser a verdade. E no caso do Régis, alguém que ainda vai constituir família, ainda vai ter filhos e que já se sente desafiado a olhar para o futuro querendo que ele seja diferente do que diversos setores estão propondo.
Nossas conversas a respeito marcaram e me impediram de perder a esperança. Os valores bradados pela música – pilares - foram passados pelos pais do Régis e agora quer repassar em sua vivência religiosa na pequena e agradável cidade, assim como nas suas relações sociais. Sonho, com certeza, de ver muitos “Régis” por todos os lugares por onde ando, falando exatamente disto: embora haja uma cultura de contra valores, ainda é possível construir um mundo diferente, a partir do momento em que pais se negam a relativizar ou abandonar valores. Sabem que o exemplo é a melhor forma de solidificar valores de fé, ética e moral. Não há outro caminho. Mas, com certeza, existem muitos outros descaminhos.
O refrão diz: “me ajuda, Pai, quero criar meus filhos, do jeito que meu pai criou a mim. Me ensina a vencer tantos empecilhos e acreditar no certo até o fim. E a força da verdade ainda vale, do jeito que valia lá de onde eu vim. Pois temo que meu filho um dia fale: “verdades mudam”. Não é assim.” A interpretação teve garra e emoção na voz e no instrumental, fazendo parar para pensar. Não era nenhum “pregador” a ter esta preocupação, mas a expressão de um pai assustado com o que seu filho pode enfrentar e mesmo vir a pensar ser a verdade. E no caso do Régis, alguém que ainda vai constituir família, ainda vai ter filhos e que já se sente desafiado a olhar para o futuro querendo que ele seja diferente do que diversos setores estão propondo.
Nossas conversas a respeito marcaram e me impediram de perder a esperança. Os valores bradados pela música – pilares - foram passados pelos pais do Régis e agora quer repassar em sua vivência religiosa na pequena e agradável cidade, assim como nas suas relações sociais. Sonho, com certeza, de ver muitos “Régis” por todos os lugares por onde ando, falando exatamente disto: embora haja uma cultura de contra valores, ainda é possível construir um mundo diferente, a partir do momento em que pais se negam a relativizar ou abandonar valores. Sabem que o exemplo é a melhor forma de solidificar valores de fé, ética e moral. Não há outro caminho. Mas, com certeza, existem muitos outros descaminhos.
segunda-feira, 5 de outubro de 2009
Hábitos de vida
A Prefeitura de Porto Alegre lançou campanha que vai repercutir em todo o Estado: o direito da pessoa ter preferência, quando passa a faixa de pedestre. Estendendo o braço, automaticamente, o fluxo de automóveis deveria cessar. Na grande Porto Alegre, uma professora está entre a cruz e os elogios por ter obrigado um aluno a reformar parede recentemente pintada por pais, professores e alunos e que o mesmo pichou.
Em princípio, parece que uma coisa não tem a ver com a outra. Mas não é verdade. Em ambas as questões estão envolvidos princípios, que não são aprendidos nas ruas, mas ali amadurecem, na relação entre as pessoas. Os carros que não param para o pedestre levam motoristas incapazes de um ato de gentileza e respeito à legislação, apostam no poderio da máquina. O garoto que desrespeita um bem público não tem noção de que ali está algo que é de todos, seu também, e que por isto merece ser cuidado e preservado.
É assustador como as pessoas passaram a viver aterrorizadas com o trânsito, porque não sabem o que lhes pode acontecer num simples cruzamento onde há uma faixa de pedestre, ou até onde há uma sinaleira já no amarelo, indo para o vermelho. A imprudência é tanta que, em muitos casos, carros e motos até param, mas em cima da própria faixa.
O garoto não aprendeu que a própria liberdade vai até onde inicia a do outro. Fala-se no fato de que foi “constrangedor”. Não me parece. Está mais para o caso de um menino que não tem noção de limites, porque não aprendeu isto desde mais cedo, especialmente através da família. E isto não acontecendo, mesmo com conselhos, mais tarde, tudo vai ficar mais difícil.
Precisamos aprender uma lição básica: a humanização, humanizar o contato com as pessoas. Esquecer o que temos como extensão para nossas atividades: o carro, o computador, as máquinas, os prédios. Aprender juntos que a primeira realidade à nossa frente não é a de um adversário, mas de alguém que convive conosco. Havendo respeito pelo ser humano, atos gentis serão naturais e não exceções que olhamos com tanta admiração. Podem se tornar hábitos de vida, que nos darão prazer e realização.
Em princípio, parece que uma coisa não tem a ver com a outra. Mas não é verdade. Em ambas as questões estão envolvidos princípios, que não são aprendidos nas ruas, mas ali amadurecem, na relação entre as pessoas. Os carros que não param para o pedestre levam motoristas incapazes de um ato de gentileza e respeito à legislação, apostam no poderio da máquina. O garoto que desrespeita um bem público não tem noção de que ali está algo que é de todos, seu também, e que por isto merece ser cuidado e preservado.
É assustador como as pessoas passaram a viver aterrorizadas com o trânsito, porque não sabem o que lhes pode acontecer num simples cruzamento onde há uma faixa de pedestre, ou até onde há uma sinaleira já no amarelo, indo para o vermelho. A imprudência é tanta que, em muitos casos, carros e motos até param, mas em cima da própria faixa.
O garoto não aprendeu que a própria liberdade vai até onde inicia a do outro. Fala-se no fato de que foi “constrangedor”. Não me parece. Está mais para o caso de um menino que não tem noção de limites, porque não aprendeu isto desde mais cedo, especialmente através da família. E isto não acontecendo, mesmo com conselhos, mais tarde, tudo vai ficar mais difícil.
Precisamos aprender uma lição básica: a humanização, humanizar o contato com as pessoas. Esquecer o que temos como extensão para nossas atividades: o carro, o computador, as máquinas, os prédios. Aprender juntos que a primeira realidade à nossa frente não é a de um adversário, mas de alguém que convive conosco. Havendo respeito pelo ser humano, atos gentis serão naturais e não exceções que olhamos com tanta admiração. Podem se tornar hábitos de vida, que nos darão prazer e realização.
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