O Fio da Meada:
A estratégia de branding político contemporâneo (a gestão estratégica de uma marca) tem incorporado elementos da linguagem religiosa como ferramentas de persuasão. Esse fenômeno consiste na adaptação de símbolos, terminologias e valores cristãos para o contexto do marketing eleitoral. Seu objetivo é consolidar as possíveis bases de apoio, especialmente em lugares (os espaços religiosos) onde as pessoas estão sensíveis ao apelo de seus líderes.
A transformação de valores éticos — tradicionalmente fundamentados no cuidado ao próximo e na sobriedade — em ativos de marketing político/partidário ocorre por meio da descontextualização dos ensinamentos básicos do Cristianismo. A mensagem, originalmente voltada à transformação interior e ao serviço (especialmente a prática da caridade), é convertida em um instrumento de validação de projetos de poder.
Se muitas vezes, para as pessoas mais simples que frequentam os templos, as doutrinas já são complexas e de difícil entendimento, agora passam a ser utilizadas para conferir legitimidade a candidatos ou siglas específicas. Consequentemente, o conteúdo ético da crença é subordinado às demandas de competitividade eleitoral, o que altera a natureza da mensagem espiritual, convertendo-a em um produto voltado para o consumo do pretenso eleitorado religioso.
O impacto dessa estratégia é a polarização, visto que a fé, ao ser integrada à dinâmica partidária, perde a capacidade de atuar como elemento de convergência e passa a ser operada como divisor de grupos. O olhar por sobre as campanhas eleitorais recentes, no Brasil, mostra que a autonomia do espaço religioso, em muitos casos, foi suprimida diante de estratégias eleitorais. A contaminação virou promiscuidade. No frigir dos ovos, perdem todos: o meio religioso, porque se contamina com a descrença da política partidária. E a Política (sim, com P maiúsculo) porque não consegue sustentar a sua vocação de serviço ao cidadão e ao bem comum.
(Revisão e imagem: Gemini)

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