quarta-feira, 15 de julho de 2026

O ritual do amargo

 Quartas com gosto de poesia:

​A água chia, avisando o ponto.

Não é fervura, é calor que abraça a erva,

desperta o verde que dormita no escuro,

Acalma a manhã que no horizonte observa.



O primeiro gole é batismo do silêncio.

O gosto amargo que limpa o pensamento,

enquanto a mão, num gesto repetido,

ajusta a bomba e serena o tormento.


Um poço de lembranças no fundo da cuia:

Sabendo que o que se doa, sempre retorna.

O calor renova a próxima vertente,

O amor é libertado e ao peito torna.


​Beber o tempo se faz uma ciência.

Rito que desconhece o que seja a pressa,

onde é possível encontrar o Infinito,

Tornando cada gole um ritual de promessa.


(Revisão e imagem: Gemini)

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