segunda-feira, 28 de março de 2016

O olhar de Francisco

O papa Francisco pediu a crianças do Mundo que lhe enviassem perguntas. Algumas foram selecionadas e, juntamente com as respostas, fazem parte do livro "Caro Papa Francisco", onde os assuntos não são apenas religiosos, mas fazem parte do universo das famílias e mostrou o lado pedagógico deste que é um dos maiores formadores de opinião da atualidade.
Os sites já haviam noticiado o que foi matéria de televisão no último final de semana. Encantados, vamos passando pelas dúvidas de crianças na faixa dos 10 anos, que desejam saber porque os pais discutem por problemas de negócios, o que o papa faria se fizesse um milagre, ou se as pessoas más também têm anjos da guarda.
Se as perguntas já vinham carregadas de encantamento, as respostas deslumbram: pedir para os pais não irem dormir sem antes terem feito as pazes; "curaria as crianças. Nunca consegui perceber por que sofrem as crianças. É um mistério para mim"; que pedissem para seus próprios anjos falar com o anjo das pessoas más para que os convencessem a mudar!
Para os analistas de plantão, com certeza, esta é apenas uma jogada de marketing necessária para alimentar a presença do papa na mídia e recuperar o espírito religioso numa sociedade que está se afastando dos templos. É possível. Mas se vê, no homem Francisco, a disposição de fazer algo básico para todos os religiosos: ser pastor, cuidar de seu rebanho, cuidar de gente.
Uma charge recente mostrava um grupo de integrantes da alta hierarquia católica dentro de uma destas canoas de competição, todos com megafone em mãos. O papa chega e traz nas mãos um monte de remos, dizendo: "tá na hora de começar a trabalhar"! Simples, mas condizente com o homem que pode estar na mídia, porque a mídia também tem a ganhar quando lhe dá espaço. Mas o olhar, a o olhar! Este não mente e mostra um homem encantado em poder ser pastor... inclusive das crianças!
Nada a ver, mas uma propaganda de alimentos prontos que está no ar mostra um pai aquecendo alimentos como se fosse garçom num restaurante, perguntando a cada um o que queria do cardápio. Por fim, pergunta como pretendem pagar. O menor olha com todo o carinho e pergunta: "pode ser com beijinhos?"
A impressão que se tem é que são estes pequenos pagamentos que fazem a felicidade de Francisco. Depois que um outro homem simples andou pela Galileia e disse para deixar "vir a mim as criancinhas, porque delas é o reino dos céus", o papa segue seus passos, descomplica questões da Igreja, alimenta uma nova esperança nas relações sociais e tem no olhar a compaixão necessária para se tornar o pastor do qual o Mundo está tão carente.
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