domingo, 31 de janeiro de 2010

Faça-se a comunicação

O Antigo Testamento, da Bíblia, inicia com a afirmação: “E Deus disse, faça-se...” Já o Novo Testamento tem no Evangelho de São João algo parecido: “No princípio era o Verbo (palavra) e o Verbo se fez carne e habitou entre nós”. Em ambos os casos, a clara necessidade de que mesmo o Divino utiliza-se da comunicação que antecede ao fazer, a concretização de qualquer ação. Penso nisto quando a Igreja Católica do Rio Grande do Sul propõe a realização, entre 3 e 7 de fevereiro, do Mutirão Latino Americano e Caribenho de Comunicação. Uma proposta ousada e arriscada. Tenho dito em palestras que o problema da Igreja não está em documentos produzidos academicamente ou teóricos, mas em políticas que realmente levem a comunicação à realidade.
Um economista, obrigatoriamente não é um bom administrador. Pode conhecer a teoria sem que tenha tido chance de colocar a mão na realidade prática. Um sociólogo que se preocupa em buscar apenas na academia seu conhecimento pode ser um bom conferencista, mas não alguém que possa jogar luz sobre a vida do dia a dia que lhe está distante. Um padre pode ser um teólogo por excelência, mas terá dificuldade de contato com a população se não tiver a sensibilidade do pastor, que procura insistentemente qualquer ovelha perdida, até encontrá-la, tratá-la e festejar o seu reencontro.
Assim como existem alfabetizados funcionais, também temos batizados funcionais: pessoas com o mínimo ou nenhuma formação religiosa, precisando de carinho no trato do discurso que lhes é endereçado, porque não o entendem, ou entendem apenas em parte. As experiências feitas a respeito são exatamente isto: experiências. Não conseguiram transformar-se em políticas que possam dar certo em variados ambientes.
Uma comunicação popular é necessária. A academia produziu trabalhos interessantes, mas que não respondem aos anseios daqueles que estão próximos das bases e vêem a distância abismal existente entre quem produz conhecimento e aqueles que deles deveriam se valer para iluminar ou mesmo melhorar a própria realidade. Este é o desafio real: que o discurso e o testemunho possam ser entendidos, assimilados e façam a diferença entre quem prega caminhos e aqueles que caminham juntos.
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