segunda-feira, 20 de abril de 2009

Humanizar os centros urbanos

Câmeras de vereadores de diversos municípios têm colocado em pauta reavaliar o Código de Postura, em especial naquilo que trata da inserção de peças publicitárias nos meios públicos, assim como a ocupação desenfreada de calçadas, principalmente no centro das cidades. Seguindo exemplos como o de São Paulo e de Porto Alegre, há uma preocupação em manter limpas, em todos os sentidos, as áreas centrais, tanto no que se refere à sujeira propriamente dita, mas também o que causa poluição visual, dificultando a orientação das pessoas e, em muitos casos, causando transtornos.
Porém, chamou-me a atenção, em muitos municípios que visitei, a ocupação desenfreada dos espaços de locomoção para pedestres por placas, expositores, caixotes, seguranças, vendedores etc. As calçadas são reduzidas em quase a metade. No caso da entrada de algumas lojas, manifesta-se mais claramente o afã em transbordar seus produtos para o lado externo das lojas, diminuindo a área das portas, impedindo, em algumas circunstâncias, o acesso de pessoas idosas ou portadores de alguma deficiência física.
Sei que especialmente os publicitários de rua, alguns lojistas e os camelôs vão fazer pressão para que nada mude. No entanto, as câmeras que estão repensando o assunto precisam levar em consideração não os interesses de setores menores, mas o interesse maior da população. Permitir a redução das calçadas, ou que a propaganda se transforme em elemento poluidor, acaba sendo “gol contra” para todos os setores. Quem procura pelo comércio de alguma cidade quer ter facilidade e comodidade na hora de fazer os seus deslocamentos. Não quer andar batendo em mostradores de camelôs ou na porta das próprias lojas, nem ficar perdido por orientações de propaganda que acabam não orientando absolutamente nada.
O que se vê em alguns grandes municípios que recuperaram as áreas centrais – quase sempre históricas – é a possibilidade de fazer uma prazerosa caminhada onde, embora sejam milhares aqueles que se deslocam, não há o bate-bate, o empurra-empurra, o desviar-se de “acidentes” nada geográficos. Nestes casos, quando vemos a facilidade com que idosos ou deficientes físicos podem se utilizar de calçadas ou calçadões, damos razão aos que defendem um centro das cidades mais aberto, com mais recursos para serem aproveitados – inclusive bancos - por quem quer, muitas vezes, além de fazer compras ou buscar serviços, apenas encontrar um espaço de convívio, numa área humanizada.
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