segunda-feira, 12 de junho de 2017

As três ondas para a maturidade

Um palestrante usou o exemplo da brincadeira à beira de um lago: jogar pedrinhas na superfície. Formam-se ondas mais fortes, próximas, e diminuem conforme aumenta a distância. Lição: com que intensidade o que dizemos chega às pessoas - maior para as mais próximas e algo mais difuso para quem está mais longe.
A discussão no amadurecimento de lideranças diz respeito às etapas para qualificar quem pode estar à frente de atividades comunitárias, para não haver uma guerra de vaidades e, mesmo quem têm maiores dificuldades, possa ser contemplado. No dito popular, já que Deus "não escolhe os capacitados, mas capacita os escolhidos".
No caso das lideranças religiosas, em tese, as etapas são claras, embora, na prática, sempre se encontrem dificuldades, já que lidamos com pessoas. Para isto, não precisamos relativizar valores e referências, mas ter "paciência evangélica" para não cansar de reiniciar, sempre que necessário.
Uso uma imagem semelhante à do palestrante, somente que por outra ótica: não olho para a intensidade com que o discurso chega às pessoas, mas a amplitude como vão percebendo o Mundo que as cerca. São "Três Ondas para a Formação de Liderança Cristã": a oração, a meditação e a reflexão.
Uma boa definição para o primeiro elemento vem do líder hindu Mahatma Gandhi: "orar não é pedir. Orar é a respiração da alma". Inerente à própria fé. Somente pode ser alimentada por momentos introspectivos de encontro com o Divino. Base para as demais etapas e essencial, sobretudo, numa prática religiosa.
A meditação alimenta a religiosidade e torna a pessoa capaz de investir na própria centralidade. Individualmente ou em grupo gera a energia para concretizar o que disse Johnny De Carli: "na oração, fala-se com Deus. Na meditação, ouve-se a Deus".
A reflexão insere a pessoa no contexto das vivências sociais. Vinculada com a capacidade de raciocinar e indagar a respeito do conhecimento do mundo exterior, mas também do nosso estado mental e sensibilidade. Capacita para ser presença cristã na sociedade, pois contextualiza a fé e a religião.
Maturidade talvez não seja - até porque imperfeitos e humanos - alcançar a plenitude nos três planos. É a capacidade de caminhar, de descobrir e, mesmo, de redescobrir. Num texto de tantas citações, encerro com a gaúcha Lya Luft: "a maturidade me permite olhar com menos ilusões, aceitar com menos sofrimento, entender com mais tranquilidade, querer com mais doçura". Que assim o seja!
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