sábado, 24 de setembro de 2011

Um desejo insaciado


Foi apenas um instante:
Nossos dedos se tocaram,
Um fugidio olhar se cruzou.

Durante quanto tempo?
Seria demais dizer que uma eternidade?
Não houve tempo.
Houve, apenas, a intensidade
De uma centelha.

Daquele momento em diante
Fugimos da possibilidade
De que nossos corpos se tocassem.
E perdemos.
E sofremos.
E ficamos esperando que - um ou o outro -
Novamente,
Transformasse um pequeno
Acidente num momento de ternura.

Hoje, quando busco teus olhos,
Eles fogem de mim.
Também sinto que, muitas vezes,
Quando me olhas, estou com o olhar
Em outra direção.

Jogamos nossos destinos
Em outros rumos.
E fomos incapazes de viver
Uma emoção que foi despertada
Num encontro de mãos,
Num cruzar de olhos,
Numa possibilidade
Que deixou a estranha sensação
De perda.
Exatamente aquela que não poderíamos perder.
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