terça-feira, 12 de maio de 2009

O papel da comunicação

O deputado Sérgio Moraes (PTB) disse que estava “se lixando” para a opinião pública. Foi mais longe: afirmou não estar preocupado com o que a imprensa pudesse dizer a respeito de suas posições, pois os políticos, em muitos casos, eram “perseguidos” pelos meios de comunicação e acabavam se reelegendo. Como quem diz: a população não liga a mínima para o que vocês escrevem! A repercussão foi grande pelo fato em si, já que mostrou desprezo por aquele que é considerado o quarto poder, mas também pela indignação de quem está precisando – e com urgência – pensar o seu próprio papel no atual estágio da sociedade.
O cronista David Coimbra esteve em palestra na Universidade Católica e disse aquilo que depois repediu em jornal: “eu não formo a opinião de ninguém. No máximo, as pessoas dizem que eu disse aquilo que elas já tinham pensado”. Uma brincadeira que também irritou a muitos dos ouvintes, mas que tem um fundo de preocupação exatamente com isto: o papel da imprensa. Este dois fatos receberam o reforço de uma pesquisa feita por uma universidade e veiculada por meios de comunicação de que a nossa história e as nossas origens nos fizeram um povo acomodado e incapaz de indignação. Escancarou a realidade produzida especialmente pelos políticos, com seus escândalos e tentativas de usufruir ilegalmente, ou ao menos imoralmente, de recursos públicos.
Não creio que possamos nos omitir do fato de que formamos a opinião pública. Talvez não tanto quando alguns gostariam, mas há uma reação àquilo que é escrito, ou dito pelo rádio e pela televisão. No entanto, a reação é diferenciada, conforma o nível cultural e de interesse de cada pessoa. Há aqueles que entendem, mesmo, e até reproduzem o dito em seus ambientes; há aqueles que apenas ouvem, acham lógico e interessante, mas não são capazes de reproduzir; e há aqueles que passam batidos. Não era isto o que lhes interessava.
David Coimbra, perguntado por que, num programa de rádio que é ameno e humorístico ao meio-dia, não usava para dar “formação” às pessoas foi bem objetivo: naquele momento as pessoas queriam apenas “amenidades e humor” e não tratar de cosias mais sérias. Tem razão. A facilidade de acesso a emissoras de rádio e televisão, ou de selecionar conteúdos impressos, tornou seletivo aquele que ouve, assiste ou lê. Creio que os “mais sérios” precisam perseguir um objetivo: tornar interessante e oferecer reflexos na própria vida para os temas mais complexos e que permeiam a própria vida.
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