terça-feira, 7 de outubro de 2008

Minha identidade

Semana passada, encontrei um amigo advogado que foi logo dizendo: “leio teus artigos, apesar dos teus ataques católicos, algumas vezes”. Não tivemos muito tempo para conversar, mas fiquei matutando a respeito e tive que sorrir da resposta que pensei em dar: minha formação é cristã, conseqüentemente, humanista, e tento fazer das minhas reflexões registros desta influência. Assumi como missão, no dizer do documento de Aparecida, resultado da assembléia dos bispos da Igreja Católica, de 2007, ser “um homem da Igreja no coração do Mundo e um homem do Mundo no coração da Igreja”.
Talvez as pessoas achem fácil dizer que não sofrem influência de sua formação para expressar alguma idéia, especialmente nestes espaços em que atuamos como formadores de opinião. Enganam-se, pois não há neutralidade ao se fazer algum tipo de análise, ou mesmo ao expressar uma opinião, porque selecionamos argumentos, em detrimento de outros, que terão a marca da nossa identidade, dos nossos valores e referências.
Quando falamos no papel do leigo ligado a alguma igreja na sociedade, fica claro que não somos “miniaturas de padres”, “miniaturas de ministros”, “miniaturas de religiosos”. Somos leigos, com o papel de influenciar positivamente em todas as relações humanas, onde se encontra a política, a administração, o ensino, a saúde, etc.
Existem os que desejam conhecer a nossa opinião, mas, também, por interesses próprios ou de grupos, os que esperam que voltemos para a sacristia, onde tratemos apenas de assuntos ligados à própria igreja ou ao assistencialismo. Mesmo que hoje não sejamos maioria – e talvez por este motivo mesmo - um homem ou uma mulher de religião consciente não pode se omitir de se expressar, bem pelo contrário, sem sua ação, mediante o testemunho, não há sentido em querer assumir-se como cristão. O pressuposto de que algumas atividades – em especial a política – estão contaminadas é uma bela desculpa para o maior de todos os pecados: a omissão.
Não tenho muita certeza se sou um bom sinal cristão no Mundo, mas o importante é que não me omito. Em cada artigo, comentário, palestra, tento deixar uma marca desta caminhada. E percebo a energia positiva vindo de crianças, jovens, adultos, idosos, portadores da síndrome de down, em suma, gente, que alinha a minha caminhada e reforça o sentido das minhas opções. Não vejo muita alternativa: é preciso testemunhar com os instrumentos que Deus me deu, o que faz parte da minha própria identidade.
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